Magali Moraes e o alarme de carro que dispara na madrugada - Notícias

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Coluna da Maga26/03/2018 | 10h00Atualizada em 26/03/2018 | 10h00

Magali Moraes e o alarme de carro que dispara na madrugada

Colunista escreve às segundas, quartas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

  

A escritora e publicitária Magali Moraes é a nova colunista do Diário Gaúcho. Ela vai escrever a Coluna da Maga, todas as sextas-feiras.
Foto: Miguel Neves / Divulgação

Acordar no meio da noite com o disparo de um alarme é o legítimo pesadelo. É tomar um susto. É não saber direito de onde vem o barulho. Foi na rua? Na garagem? É tentar calcular a distância do som, o que não vai resolver nada. É descobrir que o barulho sobe. Mesmo quem mora em andar alto sente o apito ecoando dentro do ouvido. Alguém desliga isso, pelamor. Alarme que interrompe o silêncio da madrugada tira a gente do sério. E do sono. 

E quando ele dispara, para, dispara, para? Igualzinho a uma pessoa roncando espaçadamente. Como dormir se a gente sabe que logo vem o próximo ronco ou disparo? Perguntas andam em círculo na nossa cabeça semi adormecida. De quem é o carro? Por que o alarme disparou? Tem perigo lá fora ou é só azar de quem tenta dormir? Precisamos falar sobre alarmes de carro que perturbam a ordem. Ou seria o caso de falar dessa violência que nos prende atrás das grades de casa, que inventou a cerca elétrica, que nos faz instalar alarmes?

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Sensível

Me incomoda ser acordada assim. Então, lembro que o meu carro também tem alarme. E ele disparou várias vezes de manhã, na rua onde estaciono em frente ao trabalho. Com certeza, já incomodou alguém que talvez quisesse dormir mais um pouquinho. Esses dias, o porteiro de um prédio me olhou com cara feia quando saí do carro. Só depois entendi a razão. Sabe qual era o problema do meu alarme? Ele estava sensível demais. Pode isso? E sou eu que passo por insensível depois.

Se nenhum alarme deveria tirar a nossa paz durante o dia, imagina de noite, quando a necessidade é descansar. Infelizmente, acontece. Nessa hora, empatia e travesseiro cobrindo as orelhas. Antes de abrir a janela pra xingar, pense que, em algumas cidades do mundo, as pessoas não usam alarmes, não colocam grades, não fazem muros e até podem esquecer a porta de casa aberta que nada de grave acontece. Que esse ideal de vida te relaxe e te ajude a sonhar com dias melhores.       


 

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