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Comunidade19/03/2018 | 07h00Atualizada em 19/03/2018 | 07h00

União de moradores faz transformações em Cachoeirinha 

Comunidade do Jardim do Bosque dá exemplo de cidadania.

União de moradores faz transformações em Cachoeirinha  Aline Custódio/Agência RBS
Uilson Droppa em praça criada pelos moradores, Foto: Aline Custódio / Agência RBS

Na tentativa de acabar com o apelido negativo recebido pelo bairro onde moram, famílias do Jardim do Bosque, em Cachoeirinha, uniram-se para modificar a realidade da região. De "Jardim do Lixo", como era conhecido pelas áreas ociosas transformadas em lixões irregulares, vem ganhando nova identidade há um ano, graças à mobilização da própria comunidade. A iniciativa mais recente dos vizinhos foi constituir uma associação para ser voz das cerca de 2 mil famílias do bairro. 

Presidente da Associação União de Moradores do Jardim do Bosque (Amojab), Uilson Moreira Droppa, 33 anos, conta que reunir diferentes habilidades existentes entre os que vivem na região acabou contribuindo para o compartilhamento de ideias. No início, os interessados em arregaçar as mangas – cerca de 200 pessoas – formaram um grupo no WhatsApp. 

As primeiras atividades foram feitas em mutirão: a cada domingo, a turma eliminava um foco de lixo e o transformava em jardim. De uma única esquina, por exemplo, foram retirados 200 carrinhos com entulhos numa única manhã. Em julho do ano passado, o Diário Gaúcho mostrou o trabalho que vinha sendo desenvolvido pela vizinhança. 

– Percebemos que as pessoas estavam dispostas a ajudar, só precisavam de um empurrão. Não paramos mais – recorda Uilson, comerciante no próprio bairro e morador há 20 anos.

Praça criada pelos moradores

Mais unidos, fizeram a primeira mateada do Jardim do Bosque e, para surpresa dos próprios moradores, mais de 600 pessoas aceitaram o convite. Percebendo que havia engajamento, Uilson e o grupo decidiram angariar fundos para fazer melhorias ainda mais profundas no bairro. O objetivo era acabar com o lixão criado num corredor entre as ruas Primavera e Goiabeira e, no lugar dele, construir sem recursos públicos a primeira praça da comunidade – que existe há duas décadas. 

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Com o dinheiro arrecadado na festa junina de 2017, o grupo comprou dois escorregadores, duas gangorras e quatro balanços. Os bancos foram construídos por marceneiros do bairro e as flores e folhagens, doadas por voluntários. A praça ainda não tem nome, mas já é motivo de orgulho. Ao todo, o trabalho coletivo limpou e transformou em jardim e praça o equivalente a dois quilômetros do bairro. 

– Dá um sentimento bom, de vontade de fazer mais! – afirma psicóloga aposentada Marley Silveira Soares, 58 anos, há 15 morando no bairro. 

Outra ação desenvolvida envolve conscientização ambiental: os moradores são incentivados a arrecadarem em casa papelão, latinhas, garrafas pet e plásticos usados. Todo o material é deixado na sede provisória da associação (Rua Guajuviras, 314) e depois, levado por Uilson para um centro de reciclagem. O dinheiro é usado nas novas obras previstas pela entidade para o bairro.

Biblioteca é motivo de orgulho 

E o que começou apenas como um ideal ganhou status de associação em fevereiro deste ano. Ainda sem sede própria, Uilson transformou um espaço da própria padaria para receber os moradores. No mesmo ambiente, ele e a diretoria da associação criaram uma biblioteca comunitária, formada apenas com livros doados pelos próprios vizinhos. No catálogo com mais de 120 nomes, organizado pelo físico Adriano Pieres, 42 anos, morador há 12 anos do Jardim, estão clássicos de autores brasileiros e estrangeiros – José de Alencar e o chileno Pablo Neruda, por exemplo. 

Não há prazo para devolução, desde que deixe anotado no livro de registros a retirada. 

– A biblioteca está sendo bem aceita entre crianças e adultos. E o melhor é que estas iniciativas estão fazendo os moradores terem uma visão mais local, um orgulho do lugar onde vivem – resume Adriano. 

 

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