"A gente tinha medo de levantar e ser atingida", diz passageira sobre tiroteio em ônibus na BR-290 - Notícias

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Minas do Leão16/04/2018 | 19h51Atualizada em 16/04/2018 | 19h51

"A gente tinha medo de levantar e ser atingida", diz passageira sobre tiroteio em ônibus na BR-290

 Tentativa de roubo a veículo que vinha do Uruguai terminou com criminoso morto e motorista ferido na madrugada desta segunda-feira

A viagem da empresa Turil no domingo (15) foi atípica e apavorante para os passageiros que fizeram a linha que iniciou o deslocamento em Salto, no Uruguai, passou por Rivera, na fronteira com o Rio Grande do Sul, e foi interrompida em Minas do Leão, na Região Carbonífera, às 4h30min, em uma tentativa de roubo que resultou na morte de um criminoso e deixou o motorista do veículo ferido. Uma passageira, que estava na parte de baixo do veículo de dois andares e preferiu não se identificar, contou os momentos de pavor dessa madrugada.

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Até as 4h30min, a viagem, que seria encerrada em Porto Alegre, transcorria tranquila.

 — A hora que eles foram fazer a troca dos motoristas, que eram dois, apareceu do nada um carro e três pessoas entraram no ônibus. Parece que tinham um fuzil e duas pistolas — afirmou ela.

 Segundo o relato da testemunha, nem todos os passageiros notaram a movimentação do grupo, até que o ônibus foi desviado para uma estrada de chão batido.

— Percebemos uma mudança na rota, mas ainda naquele momento parecia tudo tranquilo — disse a passageira.

 A aparente tranquilidade deu lugar à tensão quando um dos motoristas foi levado como refém para o andar de cima, onde os passageiros foram obrigados a entregar dinheiro e celulares.

 — Nesse momento ouvimos barulhos, movimentações, mas ali embaixo permanecia tudo normal. Acho que eles não conseguiram abrir a nossa porta — disse.

Conforme a passageira, um homem que estava de moletom acordou e foi verificar o que estava acontecendo. Depois, os demais ficaram sabendo que era um policial. 

— Quando ele se dirigiu para a cabine, ouvimos o primeiro tiro vindo lá de cima. . Ali percebemos que era realmente um assalto — contou.

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Após o primeiro tiro, o agente teria conseguido conter e algemar o homem que estava na cabine e que havia rendido o motorista que estava na direção. Em seguida, um segundo assaltante, que estava na parte de cima do ônibus, desceu gritando para abrirem as portas, ameaçando matar o outro condutor, caso não conseguisse fugir.

 — Quando alguém abriu a porta de baixo, começou uma troca de tiros e ninguém sabia de onde vinha. Muitos se esconderam atrás dos bancos, mas eu e minha amiga preferimos ficar no nosso lugar, o mais encolhidas possível. Afinal, a gente tinha medo de levantar e ser atingida — detalhou.

Segundo ela, os passageiros ouviram quando o terceiro assaltante, que estava no andar de cima, começou a atirar contra o vidro da frente. Após quebrá-lo, ele pulou do veículo em movimento e fugiu.

No tiroteio, ocorrido no andar debaixo, um  dos assaltantes foi atingido no rosto, e dos  motoristas, nas costas. 

 — Até ligarem as luzes, foram momentos de pavor, total impotência e sensação de vulnerabilidade. É um tipo de medo que a gente nunca imagina que vai sentir, foi horrível — relembra a passageira.

 Com o término da ação, a viagem mudou a rota e todos foram até o posto de São Jerônimo, onde o motorista e o assaltante baleados receberam o primeiro atendimento. Segundo a mulher, os passageiros ficaram sabendo momentos depois da morte do assaltante.

 Os passageiros seguiram para a delegacia de Butiá, onde prestaram depoimento à Polícia Civil do município. A empresa disponibilizou outro veículo para que eles pudessem chegar em Porto Alegre.

A mulher agora só deseja descansar e diminuir o pânico causado pela viagem. Ela pretende evitar novos deslocamentos após o fato.

 — Tive muitas náuseas e crises de pânico e o clima ficou bem pesado. Mas, apesar de tudo, ninguém precisou de atendimento médico. Agora, não pretendo viajar tão cedo com essa linha, só desejo descansar e me acalmar.

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