Magali Moraes escreve sobre meias e ruas esburacadas - Notícias

Versão mobile

 

Coluna da Maga24/04/2018 | 12h25Atualizada em 24/04/2018 | 12h25

Magali Moraes escreve sobre meias e ruas esburacadas

Fico com vergonha de tirar o sapato na frente de alguém se a minha meia tá furada. Às vezes acontece, nos pega desprevenida. Mas se eu sei que tem um furo no dedão, preciso fechar o buraco o quanto antes. Sabe quando o furo é no calcanhar, e a gente segue usando a meia? O furo vai aumentando, alarga, vira uma cratera. Chega uma hora em que a agulha se perde dentro daquela imensidão. Como juntar as duas partes do tecido? A meia fica tão fininha e puída que mais parece uma renda feiosa. Nenhum cerzido consegue resolver bem.

Leia outras colunas de Magali Moraes

Pensei nisso andando por aí. Nossas ruas estão viradas uma grandessíssima meia furada. Tão furada que é quase impossível remendar. Nem se a gente chamasse todas as rainhas do cerzido invisível. Os furos abrem e logo se transformam em grandes buracos, que viram crateras. Quando decidem remendar, é serviço grosseiro e feito às pressas. Amanhã já virou buraco de novo. Vai aumentando, num problema sem fim. Dá uma vergonha infinitamente maior do que meia furada.

Cidade remendada

A gente conhece bem o que acontece nessas crateras que tomam conta das ruas. É pneu de carro furado e roda quebrada. É alguém desviando rápido e provocando acidente sem querer. Motos e bicicletas também sofrem, o pedestre nem se fala. Atravessou a rua distraído, torceu o pé. Saiu do ônibus sem olhar pro chão, caiu no buraco. E quando chove, as crateras são piscinas onde a nossa paciência afunda.

Preste atenção no estado das ruas e avenidas. Será que está acontecendo um grande concurso de buracos na cidade e ninguém nos contou? O asfalto, que deveria ser lisinho e uniforme, parece uma colcha de retalhos malfeita, com pedaços desencontrados, desordenados, descombinados. Eu remendar o calcanhar da meia porcamente é problema meu. A cidade toda remendada é problema nosso. Antes esses buracos nas ruas fossem como um furo de traça na roupa. Discretinho, que a gente ainda consegue costurar.


 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros