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Transporte público10/04/2018 | 04h00Atualizada em 10/04/2018 | 04h00

Trensurb: tarifa quase dobrou, mas a qualidade do serviço...

Blitz realizada pela reportagem mostra que estações ainda têm muito a melhorar em acessibilidade, segurança e conforto aos usuários

Trensurb: tarifa quase dobrou, mas a qualidade do serviço... Fernando Gomes/Agencia RBS
Número de escadas rolantes paradas dobrou desde a última blitz, em 2014 Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Apesar de pagarem, desde fevereiro, uma tarifa 94% mais alta, os usuários da Trensurb ainda não encontram, nas 22 estações entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, um serviço que corresponda ao que é desembolsado por ele. O Diário Gaúcho percorreu todos os pontos de paradas e percebeu problemas que persistem com o passar dos anos, como escadas rolantes estragadas, falta de segurança e banheiros interditados. 

O levantamento foi feito entre 9h e 15h de terça-feira (3), avaliando cinco itens: situação das escadas rolantes, elevadores, limpeza das estações, banheiros e presença de seguranças. Das 22 estações, apenas três foram aprovadas em todos os aspectos avaliados. São elas Farrapos, em Porto Alegre, e Santo Afonso e Novo Hamburgo, ambas na cidade do Vale do Sinos. 

Em agosto de 2014, o DG testou a acessibilidade das estações e identificou que metade delas não tinha elevadores, fundamentais para a acessibilidade de cadeirantes. De lá para cá, este item melhorou. Agora, das 22, 15 possuem o equipamento. Apenas um, o da estação Mercado, não está funcionando.  

Por outro lado, o número de escadas rolantes paradas dobrou. Das 44 escadas rolantes, oito não funcionam no dia da blitz – nas estações Mercado (1), Unisinos (4), São Leopoldo (2), Industrial (1). A estação Unisinos, que em 2014 tinha duas escadas desligadas, agora está com quatro equipamentos parados. 

Esse é o problema que mais incomoda os usuários. Para a dona de casa Andressa Pereira, 27 anos, que circula com os filhos Victor, três anos, Manuela, seis meses, ter a escada rolante funcionando faz toda a diferença:

– Está péssimo para quem usa as estações. Acontece com frequência de a escada rolante da Mathias Velho estragar. Na hora do fluxo é um problema, porque as pessoas se aglomeram, saem correndo. Com uma criança no colo e outra na mão, é difícil.

O DG também identificou que seis estações possuem banheiros interditados – Rodoviária, São Pedro, Niterói, Canoas, Mathias Velho e Luiz Pasteur. No caso da estação Rodoviária, os sanitários estão fora de uso desde o ano passado. O único quesito avaliado com unanimidade em todas as paradas é a limpeza: nenhuma das estações foi classificada negativamente neste aspecto. 

DG visitou as 22 estações de trem para verificar a situação de cada uma delas. Na foto, banheiro interditado na estação niterói.
Sanitários fora de uso é recorrenteFoto: Jeniffer Gularte / Agência RBS

Segurança ainda é um desafio

Ver profissionais de segurança circulando pelas estações é algo raro. Em 16 delas, não foram encontrados profissionais fazendo a segurança: Mercado, Rodoviária, São Pedro, Aeroporto, Anchieta, Niterói, Fátima, Canoas, São Luís, Petrobras, Esteio, Luiz Pasteur, Sapucaia do Sul, Rio dos Sinos, Industrial e Fenac. Os seguranças que foram vistos pela reportagem estavam sempre próximos às catracas, não junto à plataforma do trem, onde Andressa já foi assaltada.

– Roubaram o celular, saíram correndo, pularam a catraca e não tive como fazer nada, já era. É inseguro para quem fica esperando o trem – lembra ela. 

A Trensurb explica que a distribuição de agentes da segurança metroviária pelas estações e trens segue um planejamento e uma análise feitas de forma constante. A empresa informa, no entanto, que não expõe publicamente essa distribuição por se tratar de informação estratégica para a segurança do sistema. 

A Trensurb argumenta ainda que estações mais movimentadas ou com maior número de registro de ocorrências, como a estação Mercado, contam sempre com a presença de agentes de segurança. Em nota, a empresa informou que "é bem provável que quando a reportagem passou por lá, simplesmente não tenha encontrado os agentes pois estes estavam atuando em alguma situação ou local específico."

Embora tenha principalmente função operacional e de assistência ao usuário, a Trensurb explica que a segurança metroviária atua também para coibir e responder a ocorrências de delitos no sistema por meio de rondas móveis, monitoramento de um circuito fechado de TV com cerca de 400 câmeras e integração com os órgãos de segurança pública.

Escadas sem conserto

As escadas desativadas das estações São Leopoldo e Unisinos não têm conserto e precisam ser substituídas. Segundo a Trensurb, a fabricação de novas já foi concluída e elas estão a caminho do Porto de Paranaguá, vindo de navio da China. A instalação e liberação para funcionamento deve acontecer até o início de agosto. 

Quanto às escadas das estações Esteio e Santo Afonso, irão passar por avaliação da empresa contratada e trabalhos corretivos. Já na escada de saída da estação Mercado, junto ao Mercado Público, há necessidade de uma intervenção mais profunda devido a ocorrência de infiltrações no local onde está instalada. A Trensurb informa que, no momento, não tem condições de fornecer uma previsão de quando ela estará funcionando. 

Novo contrato de manutenção vai melhorar

Na última terça-feira, a Trensurb firmou um novo contrato com a SQGroup Engenharia Ltda para a execução de serviços especializados de engenharia para manutenção predial de 17 estações do metrô, de Mercado a São Leopoldo, além da estação do aeromóvel junto ao Aeroporto Salgado Filho. O contrato de R$ 2,47 milhões prevê serviços como instalações elétricas de baixa tensão, instalações hidrossanitárias, instalações pneumáticas, de combate a incêndio e obras de infraestrutura, incluindo arruamentos e sinalização visual. As outras cinco estações, de Rio dos Sinos a Novo Hamburgo, já possuem contrato de manutenção firmado nos mesmos moldes com a mesma empresa. 

Segundo a Trensurb, com a contratação da empresa, os banheiros interditados devem ser liberados até o fim desta semana.

FALA, POVO!

— O problema é a escada rolante que não funciona, estou com minha cunhada com problema de visão e preciso ir devagar, é arriscado descer em escada normal. Às vezes, até perdemos o trem. Gelcina Rosa, 72 anos, dona de casa, usa as estações Mercado e São Leopoldo 

— Ter ou não ter escada rolante faz toda diferença para mim, que tenho problema de visão. Não fosse isso, não teria outra reclamação a fazer. Seli Mariano dos Santos, 59 anos, dona de casa, usa as estações Mercado e São Leopoldo 

— No horário de pico, faz muita falta as escadas rolantes. Tenho problemas nos joelhos, cansa subir e descer escada na correria. Maria Elói dos Reis, cozinheira aposentada, 63 anos, usa as estações Mercado e Mathias Velho

— Tem banheiros interditados, quebrados e sujos. As escadas rolantes da estação Mercado, às vezes, estão paradas. Marcos Zambiasi, 34 anos, operador de caixa, usa as estações Mercado e Canoas


Rosa, 72 anos, dona de casa, usa as estações Mercado e São Leopoldo 

— Ter ou não ter escada rolante faz toda diferença para mim, que tenho problema de visão. Não fosse isso, não teria outra reclamação a fazer. Seli Mariano dos Santos, 59 anos, dona de casa, usa as estações Mercado e São Leopoldo 

— No horário de pico, faz muita falta as escadas rolantes. Tenho problemas nos joelhos, cansa subir e descer escada na correria. Maria Elói dos Reis, cozinheira aposentada, 63 anos, usa as estações Mercado e Mathias Velho

— Tem banheiros interditados, quebrados e sujos. As escadas rolantes da estação Mercado, às vezes, estão paradas. Marcos Zambiasi, 34 anos, operador de caixa, usa as estações Mercado e Canoas


 
 
 
 
 

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