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Opinião04/05/2018 | 10h00Atualizada em 04/05/2018 | 10h00

Diego Araujo: "Desculpa, Marjorie"

Diego Araujo: "Desculpa, Marjorie" Júlio Cordeiro/Agencia RBS
Diego Araujo é editor-chefe do Diário Gaúcho Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Marjorie, gostaria de te prometer um mundo novo. Queria muito que tu tivesses uma escola de qualidade, com professores bem pagos, com laboratórios aparelhados e com uma ampla área de esportes disponível. Lá, certamente tu aprenderias bem mais do que ler e escrever. Sonho com a possibilidade de voltares do colégio com um transporte seguro e que tu saísses para brincar em praças arborizadas, com brinquedos bem-cuidados e que tu ali ficasses quanto tempo quisesse, seja de dia ou até ao anoitecer.

Marjorie, gostaria de prometer que tua família teria uma casa digna para chamar de sua, em um bairro legal e com vizinhos que formassem um escudo de proteção para que tu crescesses com tranquilidade e saúde. Mas se tu ficasse doente algum dia, tomara que não aconteça, adoraria que tu fosses atendida por um médico bacana no posto de saúde bem próximo e que, se necessitasse, tivesses direito a exames gratuitos nos melhores hospitais. 

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Apenas sete meses

Marjorie, gostaria de prometer que nosso mundo tivesse menos criminosos, e os que houvessem seriam perseguidos por policiais corajosos e bem armados, que os colocariam em presídios que não estivessem superlotados. Queria te jurar que um pai de uma menina de sete meses, ou de qualquer idade, nunca mais fosse morto por um bandido, como ocorreu com o inspetor Leandro de Oliveira Lopes, 30 anos. Teu pai.

Mas, infelizmente, Marjorie, não consigo te prometer nada disso. A única coisa que posso te garantir nessa vida é que o Leandro, esse cara de quem dificilmente vais te lembrar, foi um herói com H maiúsculo, daqueles que tu, familiares, amigos e colegas vão ter como referência para o resto da vida. Desculpa, Marjorie, por não poder te prometer muita coisa. Estamos fazendo o nosso máximo, mas concordo que é muito pouco para garantir o futuro de quem tem só sete meses e já perdeu tanta coisa. Beijo.


 
 
 
 
 
 
 
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