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Cozinheiros do Bem29/07/2018 | 17h57Atualizada em 29/07/2018 | 17h57

Voluntários servem almoços para moradores de rua da Capital

Há três anos grupo se divide em ações em cinco locais de Porto Alegre

Voluntários servem almoços para moradores de rua da Capital Jefferson Botega/Agencia RBS
Voluntária Laura Grassi entrega almoço em ação no Viaduto Obirici Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS

Dignidade em forma de refeição. É o que um grupo de voluntários de Porto Alegre oferece cada vez que se reúne para dar comida a moradores de rua. Há três anos, os Cozinheiros do Bem levam o prazer de uma refeição gostosa para quem vive sem saber quando terá sua fome saciada. 

As ações se revezam durante a semana entre o Viaduto do Obirici, no Bairro Passo D'Areia, Viaduto Dom Pedro I, no Menino Deus, no Largo da Epatur, na Cidade Baixa, no Viaduto da Conceição, no Centro, e em frente à Arena do Grêmio, no Humaitá. A iniciativa, que não tem ligação com igrejas ou partidos políticos, possui 300 voluntários. 

Os almoços são organizados em grupos de WhatsApp e os alimentos são doados pela comunidade e pelos próprios voluntários. Todos os itens necessários para cada refeição são tabulados em planilhas. Cada ação precisa de quase 30 pessoas envolvidas e chegam a ser servidos 2 mil almoços. Os voluntários montam a estrutura a cada ação e trazem parte da refeição pronta, outra parte é finalizada no local. 

Entre as premissas básicas estão que o alimento precisa ser gostoso, deve ser servido quente e em abundância. Todo o processo tem uma higiene rigorosa: quem manuseia a comida precisa usar luva e touca. 

– Se a comida não estiver boa, a gente não serve. É como se fizéssemos para nós – afirma a ensina a técnica de patologia Iura Ramos, 49 anos.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Grupo de voluntários a mais de um ano dão comida e doam roupas para moradores de rua no Viaduto da Obirici aos domingos, na capital.Indexador: Jefferson Botega
Grupo serve quentinhas no Viaduto Obirici: alimento precisa ser gostosoFoto: Jefferson Botega / Agencia RBS

Para quem precisar

No final da manhã de domingo, a ação ocorria simultaneamente no Viaduto Dom Pedro I e no Viaduto Obirici, onde o Diário Gaúcho acompanhou a distribuição de quentinhas. Antes do almoço – os moradores aguardavam na fila desde às 11h –, ganharam chocolate quente, bananas e receberam agasalhos. O almoço foi servido por volta das 12h30 e tinha arroz, feijão, carne com molho, massa, maionese de batata, ovos, pão, sobremesa e suco. Ao entregar cada marmita, os voluntários reforçam que a repetição é livre. 

– A gente não distingue ninguém. Da forma como eles chegam aqui, são atendidos por nós. Não interessa se está bêbado ou sob efeito de alguma droga, a única regra para comer é entrar na fila. E o retorno deles é maravilhoso. Eles nos agradecem muito, mas eu sinto que isso faz mais bem para nós mesmos do que pra eles – afirma uma das organizadoras da iniciativa, a gerente comercial Patrícia Stein, 45 anos.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Grupo de voluntários a mais de um ano dão comida e doam roupas para moradores de rua no Viaduto da Obirici aos domingos, na capital.Indexador: Jefferson Botega
Moradores de rua fazem fila para refeiçãoFoto: Jefferson Botega / Agencia RBS

O projeto foi idealizado pelo marido de Patrícia, o chefe de cozinha Julio Rita. A iniciativa, de tão consolidada, tem servido de inspiração para outras cidades. Em Santa Maria, a projeto já é reproduzido por voluntários de lá.

Exercício de empatia

Toda a ação é um exercício de empatia. Além de servir comida, o voluntário ouve, ajuda e, se precisar, também aconselha:

– Nós sabemos o valor de uma comida gostosa e quentinha. Queremos que eles também tenham isso. A gente entende que, de barriga cheia, a pessoa vai pensar duas vezes antes de fazer algo errado. Pode parecer pouco, mas é uma sementinha que a gente planta – ensina a dona de casa Helenita Silva, 67 anos. 

Na manhã deste domingo, estudantes do Colégio Romano Senhor Bom Jesus foram conhecer o projeto para um trabalho da disciplina de Sociologia. Gabriel Pinto Martins, 17 anos, e Gabriel Silva Guimarães dos Santos, 16, se ofereceram para ajudar a organizar a fila, nem sempre uma tarefa fácil: 

– Cheguei e fiquei surpreso com toda essa interação. Isso é algo completamente distante da nossa realidade. É bom ver pessoas de tão bom coração fazendo tanto pelos outros – avalia Gabriel Pinto.

– Cada pessoa aqui tem uma história de vida diferente, todos merecem atenção – afirma Gabriel Silva. 

A percepção do dia de voluntariado dos jovens é justamente o efeito que a iniciativa quer causar.

– A gente entende que nós somos privilegiados e precisamos ajudar quem não tem. Isso é um compromisso – diz Patrícia.

Muito além da comida

O almoço gostoso e o sorriso dos voluntários fazem quem está na fila se sentir especial: 

– Aqui a comida é boa e as pessoas são maravilhosas. Está vendo esse clima bom? É sempre assim. Me sinto bem aqui _ conta o morador de rua Jeferson Silveira da Rosa, 47 anos. 

Enquanto a fila anda, outros voluntários recebem quem reclama de frio. Em alguns casos, o prato de comida vem acompanhado de uma meia nos pés, um calçado e um cachecol. 

– Venho sempre aos domingos. Aqui também ganho carinho e atenção, me sinto querida, eles cuidam de nós – avalia Lisandra Costa, 37 anos. 

A ação contagia quem passa e vê tanta gente empenhada em atender o próximo:

– No sábado chegou uma hora que acabou a comida e chegou uma pessoa com duas panelas enormes de carreteiro. Aquilo foi tão maravilhoso. Quanto mais comida chegar pronta, mais nos ajuda – lembra Patrícia. 

Onde e quando
As ações acontecem nos seguintes dias e horários:
– Largo da Epatur: terças-feiras, a partir das 20h
– Arena do Grêmio: quintas-feiras, a partir das 20h
– Viaduto da Conceição: sábados, a partir das 10h
– Viaduto Dom Pedro I e Viaduto Obirici: domingos, a partir das 10h

Quer ser voluntário ou ajudar com doações?
WhatsApp: (51) 984480325 (51) 998532190


 
 
 
 
 
 
 
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