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Iniciativa verde05/08/2018 | 17h18Atualizada em 05/08/2018 | 17h18

Exercício com preservação ambiental para dar cara nova à quadra esportiva

Grupo participou do plogging, união simultânea de preservação ambiental e prática de atividades físicas, para ajudar campanha de professor de Educação Física de Canoas

Exercício com preservação ambiental para dar cara nova à quadra esportiva Arquivo pessoal/Divulgação
Após a caminhada até o BarraShopping, material foi separado por Carlos Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

O professor de educação física Carlos Alberto Tenroller, 49 anos, está juntando latinhas para, com o dinheiro arrecadado na venda do material, cobrir a quadra de esportes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Barão de Mauá, de Canoas, onde dá aulas. Desde o ano passado, já reuniu mais de 1 tonelada do produto. Neste domingo, sua campanha ganhou um reforço de 200 pessoas. O grupo se reuniu em uma caminhada pela Orla do Guaíba para recolher lixo. Ao percorrer o trecho de 6,7 quilômetros, entre a Usina do Gasômetro e o BarraShoppingSul, encontraram não só latinhas, mas muito material plástico. 

Ao longo do trajeto, o trecho com mais resíduos é o que não abrange a área da Orla recentemente revitalizada:

– Em direção ao BarraShopping, depois que passa o Anfiteatro Pôr do Sol, o cenário é de abandono, e as pessoas jogam muita coisa no meio ambiente. Se fizéssemos essa mesma caminhada à tarde, recolheríamos ainda mais material. 

O grupo se reuniu em uma caminhada pela Orla do Guaíba para recolher lixo. Ao percorrer o trecho de 6,7 quilômetros, entre a Usina do Gasômetro e o BarraShoppingSul, encontraram não só latinhas, mas muito material plástico. NA FOTO: Carlos Alberto Tenroller está no meio
Percurso feito ao longo de 6,7km da Orla do GuaíbaFoto: Jeniffer Gularte / Agência RBS

Todo o material coletado, cerca de 40 sacos, foi transportado com a Kombi de Carlos e será separado por ele: 

– Eu sei que é um trabalho de formiguinha, mas tenho um propósito que é capaz de mobilizar outras pessoas.

A união simultânea de preservação ambiental e prática de atividades físicas é chamada de plogging e virou um estilo de vida para Carlos. Trata-se de modalidade que surgiu recentemente na Suécia e que consiste em recolher lixo durante caminhadas, corridas ou pedaladas. 

O grupo se reuniu em uma caminhada pela Orla do Guaíba para recolher lixo. Ao percorrer o trecho de 6,7 quilômetros, entre a Usina do Gasômetro e o BarraShoppingSul, encontraram não só latinhas, mas muito material plástico. NA FOTO: parte do grupo que fez a caminhada
Parte do grupo que participou da açãoFoto: Jeniffer Gularte / Agência RBS

Canudinhos encontrados na Orla

O casal Susan Loeblein, 58 anos, e Jorge Waquil, 61 anos, concluiu o trajeto espantado com o que encontrou. Juntos, encheram uma sacola apenas com canudos plásticos jogados na Orla:

– Fiquei impressionado com a quantidade de canudos. Para que usar tanto e descartar assim? – questiona o funcionário público aposentado. 

A coleta de resíduos feita pelo grupo se restringiu ao limite do passeio público da Orla, para ser feita junto com a prática do exercício:

– Se fóssemos até a beira do rio, encontraríamos muito mais coisas, precisaríamos de um caminhão para transportar – lembra Carlos. 

O grupo se reuniu em uma caminhada pela Orla do Guaíba para recolher lixo. Ao percorrer o trecho de 6,7 quilômetros, entre a Usina do Gasômetro e o BarraShoppingSul, encontraram não só latinhas, mas muito material plástico. NA FOTO: casal Susan Loeblein, 58 anos, e Jorge Waquil, 61 anos
Jorge e Susan com os canudos recolhidos durante a caminhadaFoto: Jeniffer Gularte / Agência RBS

O aposentado Inácio de Oliveira Flores, 67 anos, surpreendeu-se com a quantidade de itens plásticos jogados no trecho. Ele veio de São Leopoldo participar da ação:

– Caminho diariamente sozinho, então aqui é um momento de integração com outras pessoas e também uma oportunidade de conhecer o trecho da Orla que está revitalizado. 

Depois da viagem, a quadra esportiva

Carlos começou a catar latinhas em 2015, no percurso normalmente feito de bicicleta entre sua casa, no bairro Partenon, na Capital, e escola em que leciona, no bairro Fátima, em Canoas. Sua primeira conquista foi feita foi a compra das passagens para percorrer o caminho de Santiago de Compostela, entre Portugal e Espanha. Em um ano, juntou o equivalente a R$ 4 mil em latinhas, conseguiu realizar um sonho antigo e o desafio alcançado virou enredo para um livro escrito por ele.

A próxima meta de Carlos era levar o filho Lorenzo, 14 anos, para Tóquio, no Japão. Porém, propôs ao menino o adiamento da viagem quando se deu conta que a necessidade por mais infraestrutura na sua escola era mais urgente:

– Temos apenas uma quadra que é descoberta, ruim e sem goleiras. Em dias de chuva, não tenho como sair da sala de aula, fico sem opção. Assim, com o projeto, também incentivo as turmas a participarem, motivando os alunos a trazerem latinhas para a escola. 

Segundo Carlos, cada latinha vale R$ 0,05. Até o final do ano, seguirá coletando o material, quando pretende trocá-lo por dinheiro e encaminhar o projeto de cobertura que beneficiará os 395 alunos da escola municipal:

– Se o valor arrecadado der para comprar duas goleiras, já será um ganho, mas eu confio que será possível fazer a cobertura completa. 

O grupo foi reunido por meio de um evento criado no Facebook. A próxima caminhada ocorre em 26 de agosto, pela manhã, quando o grupo dará duas voltas na Redenção repetindo a ação do domingo: caminhando e recolhendo o lixo por onde passar. 


 
 
 
 
 
 
 
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