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Escola municipal30/08/2018 | 17h33Atualizada em 30/08/2018 | 17h33

Smed indica professora de ciências para atender alunos que ainda não tiveram matemática neste ano

Por meio de ofício, Adriano Naves de Brito determina que docente formada em Ciências Biológicas atenda turma do 6º ano da Escola Carlos Pessoa de Brum, da Restinga

Smed indica professora de ciências para atender alunos que ainda não tiveram matemática neste ano Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Alunos da Escola Vereador Carlos de Brum do 6º ano ainda não tiveram aulas de matemática neste ano Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

O secretário de Educação de Porto Alegre, Adriano Naves de Brito, determinou, por meio de um ofício enviado à Escola Municipal de Ensino Fundamental Vereador Carlos Pessoa de Brum, que uma professora de Ciências assuma as turmas de matemática do 6º ano que ainda não tiveram aulas desta disciplina em 2018. 

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Reportagem publicada nesta quinta-feira denunciou que 60 alunos do 6º ano estão sem aulas de matemática desde o começo do ano. Outros 180 alunos dos 7º e 8º anos vão às aulas há cinco meses sem terem aulas de português. 

No lugar das aulas de matemática e português, os alunos da escola da Restinga têm aulas extras de ciências, história e artes. Agora, o secretário sugere que, como o conteúdo de ciências foi adiantado, sejam dadas aulas de matemática também nos períodos de ciências. 

Com cinco anos de magistério, a professora Liv Gonçalves, 31 anos, indicada para assumir as turmas de matemática, é formada em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela UFRGS e não tem habilitação para matemática. Sequer já ministrou uma aula desta disciplina. 

– É um absurdo comigo e um desrespeito principalmente com os alunos. 

Liv está no oitavo mês de gestação e a partir de setembro entrará em licença-maternidade, o que abrirá lacunas também nas aulas de ciência. 

Adriano contesta que a professora não tenha condições de dar a aula e reforça que "não tem outra alternativa para resolver o problema". Ressalta que o município não tem, no momento, como enviar um professor de matemática e outro de português para a escola. 

– Ela vai ter que se preparar, são medidas que fazem parte da atividade profissional. Não temos concurso aberto para professor de área e chegamos ao limite de indicação de professor de matemática. Agora vamos usar a legislação que permite uso de professores para áreas afins. É possível o professor de ciência dar aula de matemática enquanto não se faça concurso público.

Um parecer de 2012 do Conselho Estadual de Educação prevê que professores com formação em Ciências Biológicas estão habilitados para dar aula de ciências. Porém, em situação emergencial e se não houver outro professor da disciplina no município, podem ministrar aulas de física, química e matemática.

A presidente do conselho Sonia Seadi Verissimo da Fonseca afirma que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), uma referência obrigatória para elaboração dos currículos escolares para o ensino infantil e ensino fundamental, prevê a matemática e as ciências da natureza como áreas distintas:

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– Tem professor que tem curso de Ciência e é habilitado para dar aulas de ciências e matemática. Esse, com certeza, tem condições. Quem não é habilitado não terá condições de desenvolver um conteúdo de matemática com qualidade.

Consultora de educação e professora de matemática por 25 anos já aposentada, Eloá Contreiras Rodrigues acredita que a professora designada para dar matemática precisa avaliar se tem condições ou não de executar a tarefa:

– Não diria que está totalmente errado, se por acaso a professora disser que tem condição, mas não dá para obrigar de jeito nenhum um professor a dar aula de matemática. É preciso abrir concurso para contratar mais gente, não ficar tapando buraco. Para suprir algo que está errado, continua se fazendo algo que não é o certo. É uma situação muito triste. 

Eloá avalia que para a situação chegar a este ponto – em que os alunos passam mais da metade do ano letivo sem professores de duas disciplinas importantes – houve falta de comprometimento e responsabilidade da gestão pública e uma grave desmotivação dos professores.

Para dar aula de português para os 180 alunos dos 7º e 8º anos, o secretário determinou que a professora da biblioteca assuma as turmas. A vice-diretora da escola, Adriana Braga, porém, afirma que esta profissional tem limitação do uso da voz e não pode assumir a sala de aula, por isso exerce suas funções na biblioteca. O secretário, por sua vez, disse que o nome da professora não consta com essa delimitação no cadastro de Recursos Humanos da Smed.

Segundo ele, há aproximadamente 400 professores na rede com delimitações, por indicações médicas, e que não podem mais lecionar em sala de aula, além de outros 625 profissionais em licença saúde. Além disso, 250 professores se aposentaram do começo do ano até agora. Atualmente, a rede municipal de Porto Alegre tem 2,6 mil professores em sala de aula. Segundo a Smed, existe uma falta de "aproximadamente 35 professores de 40 horas na rede municipal de ensino para o atendimento completo das turmas abertas atualmente."

 
 
 
 
 
 
 
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