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Compradores reclamam11/08/2018 | 08h43Atualizada em 11/08/2018 | 08h43

Sobrado erguido por construtora das casas de papel caiu em Cachoeirinha

Vendedora pagou R$ 52 mil à vista, em janeiro de 2016. A obra, iniciada duas vezes, foi entregue, incompleta, em agosto de 2017

Sobrado erguido por construtora das casas de papel caiu em Cachoeirinha Divulgação/Arquivo pessoal
Obra "virou um grande entulho" em 2016 Foto: Divulgação / Arquivo pessoal

A lista de reclamações de clientes da Construtora Martins não se resume a atrasos no início das obras contratadas, a projetos inacabados e a casas não entregues. No caso da vendedora Juliana Raupp Marcelo, 33 anos, foram várias situações enfrentadas. A mais grave foi o desabamento do sobrado quando ele ainda estava em construção. 

A Construtora Martins, empresa de vendas de casas pré-fabricadas e de alvenaria com sede na RS-118, em Viamão, na Região Metropolitana,  foi tema de reportagem do Grupo de Investigações (GDI) da RBS, por ser alvo de reclamações de dezenas de compradores. Os clientes relatam que a empresa cobra adiantado parte do custo dos imóveis, incluindo material de construção e mão de obra, mas não cumpre os prometidos prazos de entrega, que, em geral, variam de 50 a 60 dias, conforme o modelo encomendado.   

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O estabelecimento seria identificado por, pelo menos, três empresas com razão social, telefones e Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) distintos. Registros na Receita Federal e na Junta Comercial do Rio Grande do Sul apontam que duas das empresas estão extintas.

Em janeiro de 2016, a vendedora Juliana e seu marido, Rafael Marcelo, 30 anos, moravam em uma casa de madeira em um terreno vizinho à casa dos pais dela, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana. Como dispunham de poupanças suficientes para acalentarem o sonho de ter uma moradia de alvenaria, investiram R$ 52 mil no pagamento à vista de um sobrado. 

Juliana Raupp Marcelo, vítima da construtora martins
Juliana teve de esperar 14 mesesFoto: Renato Dornelles / Agência RBS

Para dar espaço à construção, eles providenciaram o desmanche da casa de madeira e passaram a residir, momentaneamente, em uma pequena peça nos fundos do terreno. 

— O compromisso deles era terminar a obra em, no máximo, seis meses. Em setembro daquele ano (2016), tentei relatar que as paredes estavam tortas, com ferros inadequados, e a chapa, caindo. Vimos que a estrutura era fraca. Mas não conseguíamos falar com ninguém. Era um estresse, pois eles não atendiam. Fomos tratados muito mal lá — lembra a vendedora.

Em um sábado do mês seguinte, de acordo com Juliana, eles perceberam rachaduras nos tijolos. Tentaram, novamente em vão, comunicar a empresa. Na segunda-feira, quando a vendedora retornou após uma saída de casa, teve uma grande surpresa.

— Encontrei a casa caída. A obra, que estava visivelmente muito mal feita, virou um grande entulho. Por sorte, o pedreiro disse que não estava sendo pago e, por isso, não apareceu naquele dia. O pior foi que um dos fiscais da empresa teve a capacidade de colocar a culpa na chuva — conta.       

Uma nova batalha foi iniciada pelo casal. A obra teria de começar da estaca zero. Isso, depois de o terreno ser limpo. Mas os contatos com os representantes da empresa seguiam raros.

— Quando nos venderam, foram muito bonzinhos e atenciosos. Depois, até fugiam da gente — relata a vendedora.

Entre novos atrasos, paralisações da obra, ora por inexistência de material, ora por falta de mão de obra, a casa acabou sendo entregue, parcialmente concluída, em agosto de 2017. Ou seja: com um ano e dois meses de atraso em relação ao prazo contratual.

— Tive que pagar por fora pela colocação do gesso, pela algerosa (equipamento utilizado para o escoamento da água da chuva, junto ao telhado). E fiquei aquele tempo todo sem poder trabalhar — conclui Juliana.

Sede da construtora martins, na RS-118, em Viamão
Empresa tem sede na RS-118 Foto: Renato Dornelles / Agência RBS

A reportagem tenta contato com os responsáveis pela empresa, mas, até agora, não obteve retorno.


 
 
 
 
 
 
 
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