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Crédito13/09/2018 | 16h04Atualizada em 13/09/2018 | 17h54

Saiba como avaliar se o consórcio de serviços é uma boa opção para você

O setor ainda é um dos que têm menor número de participantes, mas o ritmo de adesão aumenta entre interessados em garantir uma viagem, uma festa ou até um curso de especialização

Saiba como avaliar se o consórcio de serviços é uma boa opção para você stock.xchng/Divulgação
São clientes que buscam crédito para viagens, festas, intercâmbio e até procedimentos cirúrgicos Foto: stock.xchng / Divulgação

Uma invenção brasileira do início dos anos 1960 avança pela segunda década do século XXI conquistando participantes em ritmo acelerado: o consórcio. Mas não pense nos tradicionais, relacionados a imóveis e veículos. As administradoras de consórcios no Brasil identificam uma disparada no consórcio de serviços.

Os dados mais recentes da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) referem-se ao mês de junho deste ano, que fechou com 63,3 mil participantes nessa modalidade. O número é 83,5% superior aos 34,5 mil de junho de 2016. 

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O processo não muda, com os clientes formando um grupo em uma administradora, adquirindo cotas e esperando o sorteio para a contemplação, ou fazendo um lance ter acesso ao valor mais cedo. A diferença é que para serviços são atraído clientes que buscam crédito para viagens, festas, intercâmbio e até procedimentos cirúrgicos. Por não se tratar de um empréstimo, não há as taxas de juros.

Planejamento é a palavra-chave    

O que existe é a taxa de administração, que no caso de serviços está em torno de 0,46% ao mês. Os juros médios para empréstimos em bancos estão em 4% ao mês, e em financeiras chegam a 7,2% ao mês, segundo o mais recente levantamento da  Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac). Essa diferença explica parte do interesse do público.

– É a modalidade de consórcio mais nova que existe no Brasil, não tem 10 anos ainda. E impressiona esse crescimento. A nossa explicação é, justamente, essa jovialidade da opção. Atinge uma parcela que não tinha esse instrumento para serviços. O crédito médio é de R$ 7 mil – afirma o presidente da Regional Sul da Abac, Augusto Letti.


Segundo levantamento da associação, o crédito é usado principalmente para serviços residenciais, festas, eventos, saúde e estética. Mas uma taxa atrativa em comparação a juros não deve ser o único critério para se entrar nesse tipo de consórcio. Saber se planejar será decisivo para se bater o martelo.

– Na reta final do ano, quando as pessoas começam a preparar as metas do ano seguinte, é que se cogita muito o consórcio. Então, entra aí esse planejamento. E no caso dos serviços, é um produto muito vivo, se a ideia mudar, se usa o recurso para outra finalidade – diz Mateus Marin, analista de desenvolvimento de negócios do Sicredi.

Mas educadores financeiros lembram ser importante uma reflexão cuidadosa sobre a necessidade do dinheiro. Realmente se precisa do dinheiro em curto prazo ou se pode juntar com mais calma. Com organização, por exemplo, uma opção pode ser investir.

– Um consórcio para tirar R$ 10 mil, em 36 meses, pode custar ao final entre R$ 12 mil a R$ 13 mil, com mensalidade perto de R$ 337 (sem taxas). Agora, se o consumidor optar por um investimento em renda fixa, por exemplo, poderá ter o mesmo valor tirando menos do orçamento. Investindo R$ 273 todo mês, também em 36 meses, se tira do bolso R$ 9,8 mil, mas se chega aos R$ 10 mil com os juros da aplicação – compara o educador financeiro Adriano Severo.

Consórcio para investir nos negócios

– Opa, como assim?

Essa foi a primeira reação do empresário Mauricio Antunes dos Santos, 29 anos, ao ouvir falar do consórcio de serviços no banco onde abria conta. Morador da zona sul da Capital, ele já havia usado o sistema para trocar de automóvel, e aprovou. Para ele, a nova possibilidade era a chance de fazer uma reserva para o futuro.

 PORTO ALEGRE - BRASIL - CONSÓRCIO DE SERVIÇOS AVANÇA NO PAÍS. Mauricio dono de empresa de internet fez consórcio para pagar um serviço, não um carro ou imóvel como ocorre tradicionalmente. (FOTO: LAURO ALVES)
Mauricio fez consócio para serviços e aprovou o sistemaFoto: Lauro Alves / Agencia RBS

–Vi como uma opção para se fazer uma reserva. Porque se você não tem contas para pagar, acaba não guardando dinheiro. Fiz um consórcio de R$ 16 mil em dezembro de 2016 e fui contemplado em setembro de 2017 – conta ele.

Ele escolheu a opção de 36 meses, mas como abateu valores, está perto de terminar as parcelas. Quando entrou, ainda não tinha um destino definido para o dinheiro. A flexibilidade para usar o recurso permitiu aproveitá-lo em mais de uma finalidade.

– O valor foi usado para um treinamento de equipe da minha empresa e também para um procedimento cirúrgico da minha esposa. Conseguiria fazer isso sem o consórcio? Acredito que sim, mas teria sido muito mais pesado no bolso – acredita ele.

Tire as suas dúvidas sobre o consórcio

O que é:
É a modalidade de compra baseada na união de pessoas em grupos para formar poupança para a aquisição de bens.
– A formação desses grupos é feita por uma administradora autorizada e fiscalizada pelo Banco Central.
– O valor do bem ou serviço é diluído em um prazo predeterminado, e todos os integrantes do grupo contribuem ao longo desse período.
– Só há duas maneiras de ser contemplado: o sorteio e o maior lance (antecipação de parcelas, que ainda não dá garantia de contemplação).

Como funciona com serviços:
O interessado contrata o crédito desejado definindo o prazo. Em média, para serviços, o valor fica em R$ 7 mil em 36 meses.
– A cada ano, esse valor é corrigido pela inflação, conforme o contrato.
– Se sorteado antes dos 36 meses, o cliente recebe uma carta de crédito desse valor.
– Mas esse dinheiro pode ser usado para outra finalidade, e até mesmo dividido para custear uma viagem e uma festa, por exemplo.

Os aspectos positivos:
Não há taxa de juros, mas taxas mais baixas em relação a empréstimos ou financiamentos convencionais.
– Em média, para serviços, a taxa de administração é de 0,46% ao mês.
– O cliente tem a garantia de receber o valor correspondente ao bem desejado.
– O crédito que o cliente recebe equivale a uma compra à vista e dá poder de negociação.
– Estimula a traçar um orçamento mensal e a programar o uso do dinheiro.

Mas é preciso levar em conta que:
O consorciado não terá o bem imediatamente, vai depender de sorteio ou do maior lance.
– O valor pode vir somente no final do prazo, é preciso avaliar se é possível esperar até lá.
– Deve-se pagar as prestações até o fim, mesmo após a contemplação. Pode ter o nome inserido nos órgãos de restrição de crédito se deixar de pagar após ser contemplado.
– Quem deixa de pagar antes da contemplação não participa mais dos sorteios e pode não receber a carta de crédito, se for contemplado. Paga multas e juros.

Os seis passos do consórcio de serviços

1 – Escolha uma administradora autorizada pelo Banco Central do Brasil (clique em Perfil Cidadão, Bancos e outras entidades supervisionadas e Administradoras de consórcio).

2 – Entre em contato com a empresa e verifique os planos disponíveis.

3 – Avalie o peso da mensalidade por todo o período do consórcio, o valor pode sofrer ajustes nesse período se o bem se valorizar.

4 – Verifique as regras de contemplação por sorteio e lance. Desconsidere promessa verbal, o prometido tem de estar no contrato.

5 – Com adesão confirmada, é hora de participar das assembleias, as reuniões em que ocorre a distribuição dos créditos.

6 – Após ser contemplado, lembre-se que se tem poder de compra à vista para negociar descontos.

Fonte: Abac


 
 
 
 
 
 
 
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