Após sete meses de ano letivo, o primeiro dia de aula de português para 60 alunos da Restinga - Notícias

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Atraso25/10/2018 | 16h38Atualizada em 25/10/2018 | 16h41

Após sete meses de ano letivo, o primeiro dia de aula de português para 60 alunos da Restinga

Professora que atua na Smed foi cedida para dar aulas em duas manhãs por semana na escola

Após sete meses de ano letivo, o primeiro dia de aula de português para 60 alunos da Restinga Tadeu Vilani/Agencia RBS
Professora Luciane dá aula para turma do oitavo ano na manhã desta quinta-feira Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Os 60 alunos do 8º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Vereador Carlos Pessoa de Brum, na Restinga, em Porto Alegre, que estavam sem aulas de português desde o início do ano, começaram a ter aulas da disciplina nesta semana. A professora Luciane Dias da Ressurreição, 47 anos, deu início ao atendimento das duas turmas na segunda-feira. Com isso, a falta de professores da disciplina na escola, acompanhada pelo Diário Gaúcho desde o final de agosto, está resolvida. 

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Formada em Letras com habilitação em Português pela Faculdade de Ciências e Letras de Osório, Luciane trabalha na sede da Secretaria Municipal de Educação (Smed) fazendo prestações de contas da secretaria para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Por dez horas semanais, nas segundas e quintas de manhã, ela está cedida para dar aulas na escola da Restinga. 

– Vou trabalhar muita leitura e interpretação de texto com eles e, antes de começar com a gramática, farei um levantamento do que já foi trabalhado no ano passado para verificar o ponto de partida do conteúdo – planeja. 

Na aula da manhã desta quinta-feira, alunos da turma C21 elaboraram um texto com base em uma entrevista que ela fez com os estudantes.

– Fiz isso para avaliar como está a produção de texto deles. Eles me receberam muito bem porque estavam ansiosos pela aula – afirma a professora, com 29 anos de profissão. 

A produção textual é dos principais desafios da disciplina para o estudante Kleverson Campos Bueno, 14 anos. Como ficou sete meses sem aulas de português, sente dificuldade para escrever.

– Acho que a construção do texto é o mais difícil, passamos o ano inteiro sem professor e agora é difícil fazer um texto e saber pontuação, parágrafo e acentuação. Fica difícil lembrar de cabeça. Mas agora é se esforçar e dar meu melhor – avalia o jovem, que não tem dúvidas de que precisará de ter um bom português para seu futuro profissional. 

 PORTOALEGRE-RS-BR - 25.10.2018Primeira semana de aula de português de alunos da EMEF Ver.Carlos Pessoa de Brum.Kleverson Campos Bueno, 14 anos.FOTÓGRAFO: TADEU VILANI AGÊNCIARBS
Kleverson admite que tem dificuldade na produção de textosFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Colega de Kleverson, Laryssa Silveira da Silva, 13 anos, acredita que ir bem na disciplina é importante para qualquer profissão. A adolescente escreve textos de ficção em casa por hobby e nem acreditava mais que teria professor de português este ano:

– Foi uma grande surpresa para nós quando soubemos que a professora viria. Mesmo assim, todo o conteúdo deste ano está muito atrasado, isso me preocupa. 

 PORTOALEGRE-RS-BR - 25.10.2018Primeira semana de aula de português de alunos da EMEF Ver.Carlos Pessoa de Brum.Laryssa Silveira da Silva 13 anos.FOTÓGRAFO: TADEU VILANI AGÊNCIARBS
Laryssa nem acreditava mais que teria professor da disciplina neste anoFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Alunos dos 6°, 7º e 8º anos da Escola Vereador Carlos Pessoa de Brum estavam sem professor de português e matemática desde o início do ano. Para 150 alunos, as aulas de matemática e português começaram apenas em 8 de outubro, quando realocações de profissionais dentro da própria escola foram determinadas pela Smed. Outros 60 alunos do 8º ano tiveram a primeira aula de português apenas nesta segunda-feira, já na 32ª semana do ano letivo, iniciado na metade de março. 

A realocação de uma professora que atuava da Smed para a escola foi feita graças a uma determinação do secretário de Educação Adriano Naves de Brito, solicitando 64 professores e quatro monitores lotados em funções administrativas de secretarias de governo deixassem suas funções para ir para a sala de aula. 


 
 
 
 
 
 
 
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