Magali Moraes: de olho nas agulhas, linhas e botões - Notícias

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Coluna da Maga18/10/2018 | 14h49Atualizada em 18/10/2018 | 14h49

Magali Moraes: de olho nas agulhas, linhas e botões

Colunista escreve às segundas, quartas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes: de olho nas agulhas, linhas e botões Miguel Neves/Divulgação
Foto: Miguel Neves / Divulgação

Sabe aquela expressão popular "é mais difícil que achar agulha em palheiro"? Ultimamente, a minha dificuldade é achar o buraco da agulha. Nem sei onde tem palheiro, ele é o menor dos problemas. Esses dias encontrei no supermercado agulhas bem grandonas e comprei pra estocar. O fato é que virei refém dos óculos pra perto. Quanto mais uso, mais sinto necessidade. Até pouco tempo, dava pra escolher quando usar. Agora parece que os olhos acostumam e pedem mais grau e foco.

Enquanto eu tento acertar o buraco da agulha, me irrito, desisto e vou buscar os óculos, fico costurando hipóteses: 1) O que aconteceu com as linhas? Elas estão como os meus olhos, cada vez mais fracas? 2) São os botões que andam revoltados e querendo a liberdade? Eles não duram muito tempo presos no tecido. Bobeou, ficam por um fio. É o fim da linha isso! 3) Ou é a indústria da moda que não costura mais como antigamente? Controle de qualidade, cadê você? 

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Liquidação

Preciso achar culpados. 4) Será a máquina de lavar que agita demais as roupas, soltando linhas e botões? 5) A família anda aproveitando muita liquidação? 6) É a barriga do marido que força o tecido? Camisas novas são as primeiras a dar trabalho. Até o botão dos punhos resolve cair fora. O botãozinho que prende a ponta da gola é outro que não sossega no lugar. Pior é quando eu perco o botão pela casa, antes de costurar. Vá achar os óculos pra poder achar o botão e o buraco da agulha.

Pessoas calminhas fazem isso numa boa. Até se divertem. Já as ansiosas querem jogar tudo pela janela. Como se não bastasse faltar a visão, me falta paciência. Às vezes, eu finjo que não vejo o botão suicida. Ele fica pendurado no penhasco da camisa, e eu fico na minha. Aquele fio solto é como uma corda jogada em minha direção, pedindo ajuda. Eu vou é me ajudar. Farei urgente um par de óculos reserva. Porque os botões vão seguir caindo. E as agulhas vão continuar precisando de linhas.    


 
 
 
 
 
 
 
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