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Entre livros e risadas11/10/2018 | 23h55Atualizada em 11/10/2018 | 23h55

ONG de incentivo à leitura infantil faz 10 anos na Capital

Organização administra bibliotecas na Nova Chocolatão e na Ilha dos Marinheiros

ONG de incentivo à leitura infantil faz 10 anos na Capital Carlos Macedo/Agencia RBS
Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Era uma vez uma menina que não gostava muito de ir a escola. Tinha dificuldades para aprender, apesar do esforço da professora e dos pedidos da mãe para estudar mais. Até que um dia ela descobriu uma sala colorida, cheia de livros, com um tapete vermelho cercado por pufes macios. O lugar se chamava Biblioteca Chocolatão. 

A cada história que lia, mais vontade tinha de se aventurar no mundo das letras. Leu um, leu dois, leu 10, leu 30. E suas notas na colégio foram aumentando também. 

Tamanha a dedicação desta menina que, numa bela tarde, ela se transformou. Ao som de palmas e bater de um tambor, caminhando nas ruas de sua comunidade, acompanhada por familiares, colegas, amigos e educadores, Nattaly Gabrielly Noll, 12 anos, virou uma guardiã da leitura. 

Ao fim do ritual, ganhou um livro e uma camiseta que a distingue como uma referência para os estudantes.

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FOTOS: ONG Cirandar incentiva a leitura infantil em comunidades da Capital


Uma década de afeto

A história contada ao lado parece um conto de fadas, mas é a mais pura verdade. 

– Ler é uma das coisas mais legais do meu dia. Almoço e venho pra biblioteca, ajudar os menores, incentivando a gostar e a cuidar de livros – diz Nattaly, fã de contos e literatura juvenil.

A frase da guardiã retrata uma das principais conquistas da ONG Cirandar, que completa 10 anos dedicados a incentivar a leitura infantil em áreas de periferia de Porto Alegre. Hoje, administra duas bibliotecas comunitárias, abertas de quarta a sábado: uma na Ilha dos Marinheiros e outra na Nova Chocolatão, na zona leste da Capital, visitada nesta semana pela reportagem. Bastou acompanhar uma contação de história para se perceber um turbilhão de afeto, diversão e emoção onde todos sorriem como crianças.

No comando, o educador social Erick Flores, coordenador do espaço que atende cerca de 200 crianças da comunidade. Foi pessoalmente buscar 20 alunos entre cinco e seis anos de uma escola do bairro. 

Luta contra vilão

Graduando de Letras e ator de teatro, o jovem de 23 anos mora no bairro Campo Novo e pega seis ônibus por dia para trabalhar na Chocolatão. São quase quatro horas por dia em deslocamento:

– Atravesso a cidade porque sou apaixonado por este local, pelo encanto que vejo entre as crianças e os livros. Erick sabe que a gurizada, hoje, troca tudo por joguinhos de celular. Até por isso, evita usar o smartphone durante sua jornada.

– A tarefa do livro é árdua na comparação com as tecnologias. Mas precisamos ser incansáveis no incentivo à leitura, que traz benefícios incomparáveis para todas as idades.


Entre frases e descobertas

A agitação da criançada é grande. Mas aí entra a habilidade de Erick. Como passe de mágica, ele organiza uma rodinha, toca um tambor e abre o livro do dia, Criando Craca. Em segundos, o silêncio toma conta.

– Alguém sabe o que é craca?

– É cocô de passarinho! – diz Derick Luís, seis anos.

Risadas ecoam e a história segue. De tão sujo, o personagem do livro fica escabelado.

– Descobri: craca é piolho! – grita Lauren Vitória, seis anos.

E assim as imaginações vão surgindo. No fim, um abraço coletivo encerra a atividade.


Lugar para crianças, pais, avós...

Para trabalhar com a criançada, a Cirandar faz seleções de voluntários, que fazem cursos de, no mínimo, 20 horas de aula. Afora isso, há uma rotina de formação continuada, com reuniões semanais e orientações pedagógicas.

– Vamos além da mediação da leitura. Preparamos pessoas com temas importantes, como direitos humanos, para fortalecer redes locais de cultura e educação. A biblioteca da Chocolatão foi um pedido dos moradores quando as famílias saíram do Centro, em 2010 – conta a coordenadora geral da ONG, Carolina Drugg.

Pertencimento

A jornalista Thamara Riter, voluntária da Cirandar, destaca que, com a convivência na Chocolatão, aprende mais que ensina. 

E vibra com um público variado:

– Tamanho é o sentimento de pertencimento, que a criançada puxa os pais e os avós para, juntos, mergulharem na leitura dentro da biblioteca. É um ciclo muito legal.


Colabore

A Cirandar tem parceria com uma instituição privada, o que permite pagar salário aos educadores e manter os acervos. 

Para doar livros:
Contato pelo e-mail cirandarong@gmail.com
Telefone para (51) 3225-7000.


 
 
 
 
 
 
 
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