Seis segredos do hexacampeonato no Enart do CTG Rancho da Saudade - Notícias

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História de dedicação26/11/2018 | 07h00Atualizada em 26/11/2018 | 07h00

Seis segredos do hexacampeonato no Enart do CTG Rancho da Saudade

Entidade de Cachoeirinha acumula títulos na competição realizada em Santa Cruz do Sul

Seis segredos do hexacampeonato no Enart do CTG Rancho da Saudade Isadora Neumann/Agencia RBS
Gustavo, Emerson e Daiane com os troféus da entidade Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

O CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha, tem apenas 32 anos. Diante de outras entidades do Estado, que chegam a ser centenárias, é uma trajetória ainda curta. Mas de sucesso. Em 2018, o Rancho levou o troféu do Enart, evento de mais destaque no calendário tradicionalista, pela sexta vez na categoria Danças Tradicionais Força A. As outras conquistas foram em 2004, 2007, 2011, 2012 e 2014. 

Para chegar até a vitória, porém, foram meses de trabalho. O Piquetchê ouviu três integrantes do grupo, Gustavo Fernandes, 29 anos, militar e coordenador da invernada adulta, Emerson Ribeiro, 43 anos, instrutor de danças tradicionais, e Daiane Oliveira, 32 anos, empresária e também coordenadora, para tentar desvendar os segredos do hexacampeonato.

 SANTA CRUZ DO SUL, RS, BRASIL, 18-11-2018. 33ª edição do Encontro de Artes e Tradição (Enart). Grupo Rancho da Saudade(TADEU VILANI/AGÊNCIA RBS)
Apresentação do CTG Rancho da Saudade no Enart 2018Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Categorias de base

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O trabalho das invernadas artísticas do Rancho da Saudade começa nas categorias de base. O CTG possui invernadas mirim e juvenil ativas, cujos integrantes acabam sendo aproveitados nos grupos de elite no futuro.

– Os resultados da invernada adulta no Enart são um reflexo deste processo. Dos 38 dançarinos da adulta, 25 passaram pela nossa categoria de base – diz Emerson.

Quem dá aulas de dança na mirim e na juvenil são ex-integrantes da invernada adulta. Muitos deles foram campeões do Enart em outros anos.

– Eles servem de inspiração. É um trabalho de continuidade – afirma Daiane.

Prioridade

O Rancho, como muitos CTGs, possui equipes que se dedicam a várias atividades, como provas campeiras e danças de salão. Mas é inegável: as danças tradicionais são o carro-chefe da entidade.

– A gente respira as questões artísticas. Esta é a nossa prioridade  – diz Emerson.

Desde bem novos, os dançarinos participam de competições com suas invernadas. Isso dá a eles experiência e maturidade para levar a sério a carga de ensaios e a pressão de um Enart.

Maturidade do grupo

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A idade média dos dançarinos da invernada adulta do Rancho é de 22 anos. Alguns integrantes tem apenas 16. Cerca de dez deles pisavam no tablado do Enart pela primeira vez.

– Nós tínhamos uma equipe bem preparada, mas muito jovem. O grupo mais novo que já havíamos levado a um Enart. Esta, é claro, era uma preocupação nossa – conta Emerson.

Por isso, a entidade apostou na maturidade de seus integrantes – quesito que foi trabalhado intensamente nos meses anteriores à competição. 

– Nós tivemos um coach que desenvolveu atividades para que eles trabalhassem a a motivação, aprendessem a controlar a emoção e soubessem quais pontos precisariam melhorar – diz Daiane.

Questões técnicas

Preparados para lidar com quaisquer emoções que surgissem, a invernada apostou forte em sua técnica para impressionar os jurados. O grupo estava pronto para fazer bonito em qualquer uma das 19 danças que estão no sorteio das invernadas – cada uma dança três.

– Nosso sorteio não foi bom, nem sábado nem domingo. A especialidade da invernada são danças com sapateio, e não tiramos nenhuma. Não demonstramos o nosso melhor. Mesmo assim, fizemos tudo certo – afirma Gustavo.

Emerson concorda e complementa:

– Se a dança é de roda, a roda tem que ser perfeita. Se tem uma fila, vamos fazer a melhor fila. Foi isso que fizemos.

Coreografia de entrada e saída

Nas coreografias de entrada e saída do Enart, as invernadas devem explorar um tema. O Rancho da Saudade escolheu a chula. 

– O ponto principal para este tema ter funcionado foi a simplicidade. Não era preciso explicar a nossa proposta, as pessoas já sabiam. A chula levantou o ginásio – conta Emerson.

Entre os dançarinos, apenas um deles era chuleador antes do festival. Os demais precisaram de meses de treino. 

– Começamos as oficinas em maio, mas não falamos para o grupo que este seria o tema do Enart. Dissemos que era para um festival de folclore que participaremos no ano que vem – diz o instrutor.

Dedicação o ano inteiro

O discurso é o mesmo para qualquer CTG, mas é impossível não falar nisso: a dedicação necessária durante todo o ano para levar um grupo ao Enart. Os ensaios do Rancho, por exemplo, ocorrem nas sextas-feiras (a partir da meia-noite) e aos domingos.

– É preciso ter uma doação. Mesmo assim, não temos muitas faltas nos ensaios. Até porque, se um dançarino falta, ele pode perder seu lugar para outro – diz Gustavo.

Isso sem falar na mensalidade, nos eventos realizados para levantar fundos para as viagens, hospedagem, alimentação, figurino, salário dos músicos...

– É muito trabalho extra palco. E são os próprios dançarinos que trabalham – finaliza Daiane.


 
 
 
 
 
 
 
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