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Explica aí23/02/2019 | 08h00Atualizada em 23/02/2019 | 08h00

Diário Gaúcho te ajuda a entender a tensão na Venezuela

O colunista de ZH Rodrigo Lopes fala sobre a situação do país e o que está acontecendo na fronteira com o Brasil

Diário Gaúcho te ajuda a entender a tensão na Venezuela Matheus Schuch/Agencia RBS
Em Pacaraima, Guarda Nacional barrava quem tentava entrar ou sair Foto: Matheus Schuch / Agencia RBS

O clima está tenso na Venezuela, e o colunista de ZH Rodrigo Lopes explica melhor a situação e as implicações do Brasil na crise. Confira. 

Por que a Venezuela voltou aos noticiários?
Desde o dia 23 de janeiro, a Venezuela tem dois presidentes: Nicolás Maduro e o líder da oposição Juan Guaidó, que se autoproclamou chefe de Estado naquele dia. O país vive há pelo menos cinco anos uma crise econômica e social, com falta de produtos básicos, como papel higiênico, sabonete e remédios. 

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O governo de Maduro tem se agarrado ao poder por meio da força. Ele acusa a oposição de querer derrubá-lo do poder, com apoio de Estados Unidos, Colômbia e Brasil. Mas, apesar de toda a pobreza e sofrimento da população, enquanto as forças armadas estiverem ao lado de Maduro, ele não cairá. Como os venezuelanos têm dificuldades de acesso a comida e medicamentos, os países que não reconhecem mais o governo organizaram o envio de mantimentos. Mas Maduro não quer deixar essa ajuda chegar porque afirma que isso é pretexto para uma invasão do país.

Por que este sábado é um dia importante?
Neste sábado, 23 de fevereiro, completa-se um mês do dia em que Guaidó se autoproclamou presidente. Ele é reconhecido por mais de 50 nações, entre elas Estados Unidos, Brasil, Colômbia e muitas outras. Guaidó declarou que, nesta data, vai fazer entrar na Venezuela, “de uma forma ou de outra”, a ajuda internacional. Comida e remédios estão armazenados nas fronteiras da Venezuela com a Colômbia e com o Brasil, no Estado de Roraima. São várias toneladas. Mas, como os caminhões não podem entrar na Venezuela sem autorização do governo Maduro, seria necessário que venezuelanos cruzassem as fronteiras, pegassem os alimentos e remédios e os levassem para dentro do território.

Por que Nicolás Maduro mandou fechar a fronteira com o Brasil?
Como desconfia de que o envio da ajuda é pretexto para uma invasão liderada pelos Estados Unidos e boa parte deste apoio está do lado brasileiro, Maduro ordenou o fechamento da fronteira. O limite entre os dois países fica entre Pacaraima (a uns 200 quilômetros de Boa Vista, no Estado de Roraima) e Santa Elena de Uairén, na Venezuela. É por ali que centenas de venezuelanos fugiram da crise em seu país. 

Desde que a fronteira foi fechada, na quinta-feira, alguns cidadãos do país vizinho têm usado vias alternativas, por meio de campos, para chegar ao Brasil. Na sexta-feira, pelo menos duas pessoas morreram em confronto entre indígenas e militares venezuelanos perto da fronteira. Ambas as vítimas foram mortas enquanto tentavam manter aberta uma estrada para a chegada de ajuda humanitária no país, de acordo com uma ONG de defesa dos direitos humanos. Na fronteira com a Colômbia, estradas venezuelanas também estão bloqueadas por militares. Lá, Guaidó pretende liderar uma caravana para tentar fazer entrar a ajuda.

Há risco de uma guerra entre Brasil e Venezuela?
Sim. Os Estados Unidos têm pressionado o governo brasileiro a usar força militar para fazer entrar a ajuda na Venezuela, mas o governo de Jair Bolsonaro tem resistido. Não há interesse entre os militares brasileiros em entrar em guerra com um país vizinho. O vice-presidente, Hamilton Mourão, que é general da reserva do Exército, assumiu as negociações. O governo brasileiro quer uma saída pacífica para a crise. Mas não se sabe o que pode acontecer se venezuelanos, por exemplo, tentarem entrar à força no país com comida e remédios. 

Se militares de Maduro atacarem cidadãos venezuelanos na fronteira, a situação pode descambar para mais violência e sair do controle. Outra possibilidade seria em caso de troca de tiros entre militares brasileiros ou colombianos com soldados venezuelanos. Infelizmente, a situação está bastante sensível.

 
 
 
 
 
 
 
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