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Seu Problema é Nosso13/03/2019 | 10h26Atualizada em 13/03/2019 | 12h42

Falta de medicamentos na farmácia municipal preocupa pacientes de Canoas

Moradores do bairro Niterói que vão até a Farmácia Sudeste são informados sobre a falta dos remédios. Prefeitura diz que há expectativa de que chegue ainda nesta semana

Falta de medicamentos na farmácia municipal preocupa pacientes de Canoas LeitorDG / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Jorge com as caixas de medicamentos que ele usa. Maria Elisa (D) compra os remédios que estão em falta. Foto: LeitorDG / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Ir à farmácia municipal virou rotina para pacientes que precisam de remédios em Canoas. Moradores do bairro Niterói que buscam medicações na Farmácia Sudeste são informados sobre a falta dos produtos — principalmente, de anticonvulsivos.

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Um dos pacientes é Jorge Passos Lucas, 42 anos, comerciário desempregado, que sofre com as sequelas de cinco acidentes vasculares cerebrais (AVCs). As complicações provocadas pela sequência de derrames fazem com que ele dependa de vários remédios para ter uma melhor qualidade de vida. Mas mesmo assim, alguns reflexos como tremor, desiquilíbrio e paralisia temporária são sentidos todos os dias. Em 2017, Jorge enfrentou a falta de remédios pelo menos três vezes. 

— Desde o início de 2019, não consigo retirar meus remédios. A data para retornar era 28 de janeiro, mas, na farmácia, dizem para voltar na próxima semana — conta Jorge. 

Entre as medicações em falta para prevenir convulsões, estão carbamazepina, valproato de sódio e cloridrato de amitriptilina. Também está em falta tartarato de metoprolol (para hipertensão arterial). 

— Minha esposa trabalha para comprar os remédios. Não posso ficar sem, pois minhas crises de convulsão são feias. Mesmo tomando todos os dias, se eu fico agitado, começa a tremedeira — relata o comerciário. 

Paralisia 

A falta de anticonvulsivos também gera apreensão no comprador aposentado Cláudio Antônio Pinheiro, 77 anos. Sua esposa, Maria Elisa Pinheiro, 68 anos, doméstica aposentada, faz uso contínuo de carbamazepina e amitriptilina. 

— Faz muitos anos que usa os remédios. Se não tomar, paralisa todo o lado esquerdo do corpo — conta. 

Segundo Cláudio, na farmácia municipal, não há previsão de quando irão chegar. Enquanto isso, o casal compra os remédios. 

— Ela consome vários comprimidos. Alguns têm na farmácia, mas os principais para tratar as paralisias, não têm. Se o tratamento é feito certinho, ela fica bem — conta Cláudio.   

Espera de consulta com neurologista

Além da falta de remédios, Jorge afirma que aguarda por uma consulta com neurologista há oitos meses. Segundo ele, sua condição, após ter sofrido os AVCs, deveria ser acompanhada mensalmente por um especialista. A necessidade do acompanhamento foi encaminhada por uma médica da Unidade Básica de Saúde (UBS), do bairro Niterói, no dia 13 de novembro de 2018. Entretanto Jorge espera a marcação da consulta até hoje.

— Acredito que precise de novos exames, pois, mesmo me medicando, tenho crises fortes. Um médico pode avaliar se preciso de outros medicamentos para meu tratamento — afirma Jorge. 

Medicações chagam "nos próximos dias"

A prefeitura de Canoas informou que enfrenta problemas com o recebimento de medicamentos e que há atraso na entrega dos produtos por parte dos distribuidores. Conforme a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a medicação carbamazepina deve chegar nos próximos dias às farmácias municipais. A pasta afirmou que o medicamento “teve uma saída muita rápida, pois estava em falta”. Contudo, há expectativa de que chegue ainda nesta semana. 

Em relação ao valproato de sódio — ou ácido valproico —, a prefeitura garante que já está disponível. Para os demais medicamentos, a previsão é de recebimento nas próximas semanas. Questionada sobre a data, a SMS não soube informar. 

Foi destacado que a pasta “tem trabalhado diariamente para o restabelecimento da disponibilidade de medicamentos à população”. Para pacientes que aguardam os remédios, a prefeitura recomenda que procurem a Secretaria da Saúde e aguardem orientação. 

Sobre a consulta que Jorge espera com neurologista, a prefeitura afirmou que “o paciente foi procurado duas vezes desde o último contato, para marcação de consultas”. Sendo assim, orientação da prefeitura é de que os pacientes mantenham o cadastro atualizado e procurem informações na UBS de referência. Em relação ao tempo de espera por consultas, de acordo com a SMS, "o tempo varia de acordo com a disponibilidade da agenda dos profissionais e com a demanda de pacientes. No caso em questão, o paciente foi procurado dia 15 de dezembro de 2018, ou seja, menos de um mês após a consulta inicial”.

Produção: Caroline Tidra

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