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Campeã17/03/2019 | 20h07Atualizada em 17/03/2019 | 20h07

Imperadores do Samba vence o Carnaval de Porto Alegre

A vice-campeã foi a Estado Maior da Restinga e o terceiro lugar ficou com Império da Zona Norte

Imperadores do Samba vence o Carnaval de Porto Alegre Diego Lopes/Especial
Imperadores do Samba conquistou 139,8 pontos Foto: Diego Lopes / Especial

No ano em que as escolas de samba atravessaram o Porto Seco enfrentando a maior escassez de recursos da história do Carnaval de Porto Alegre, a Imperadores do Samba foi a grande vencedora na competição entre as agremiações da Série Ouro, conquistando 139,8 pontos. A apuração ocorreu na tarde deste domingo (17). A Estado Maior da Restinga ficou com segundo lugar, com 139,4 pontos, e o Império da Zona Norte, com 132,2 pontos, com a terceira posição.

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Foram avaliados sete quesitos: bateria, harmonia, samba-enredo, evolução, tema-enredo, fantasia e mestre sala e porta-bandeira. Nenhuma escola caiu para o série Prata. Desta vez sem troféu, a vencedora comemorou a vitória vibrando entre abraços e o choro dos seus integrantes assim que a última avaliação foi divulgada. A agremiação tirou nota máxima em cinco quesitos e só perdeu um décimo em dois: bateria e samba-enredo. Para o presidente da Imperadores, Érico Leoni, a vitória se deve ao trabalho feito em quadra ao longo do ano:

– Nossa união virou a sinergia que se viu na avenida. Nosso trabalho é pensado no futuro do Carnaval, envolvemos crianças desde cedo. Para nós é assim que se faz Carnaval. Provavelmente somos a única escola que faz todas suas fantasias em Porto Alegre. Não vem nada pronto. Isso é a força da Imperadores. Não tínhamos recursos e fizemos do lixo o luxo que se viu na avenida – destacou, emocionado.

No ano em que as escolas de samba atravessaram o Porto Seco enfrentando a maior escassez de recursos da história do Carnaval de Porto Alegre, a Imperadores do Samba foi a grande vencedora na competição entre as agremiações da Série Ouro, conquistando 139,8 pontos.
Comemoração da campeã na tarde deste domingo (17)Foto: Jeniffer Gularte / Agência RBS

Já na madrugada do domingo, na segunda noite de desfiles no Porto Seco, a campeã cantou na avenida o samba "Imperadores do Samba 60 anos, o Eterno Brilho de Um Diamante Negro". Com um tripé e dois carros alegóricos, a escola contou seus 60 anos de atividade. O resgate dessa história começou na busca pela ancestralidade e nobreza africana que, segundo o diretor de harmonia geral da escola, Cristiano Oliveira, atravessou gerações e, hoje, se manifesta em cada componente que desfila.

Imperadores do Samba desfilou no segundo dia de Carnaval no Porto Seco
Na avenida, escola contou seus 60 anos de históriaFoto: Diego Lopes / Especial

– Fizemos um passeio pela historiografia falando de nossas origens cravadas na África, já que nossa escola é oriunda do Areal da Baronesa, bairro com forte presença da população negra, e chegamos até os dias de hoje com a influência também da cultura gaudéria _ explica Oliveira. 

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E o público aplaudia com vigor e entusiasmo cada componente da Imperadores, tanto que os espectadores seguraram o samba à capela por duas vezes. 

– É muita emoção, porque, agora, ficou no Carnaval quem é apaixonado por essa festa. E colocar esta escola na avenida no ano do seu aniversário é muito gratificante. Eu tenho a Imperadores na veia – afirma Oliveira. 

Imperadores do Samba desfilou no segundo dia de Carnaval no Porto Seco
Imperadores levou duas alegorias ao Porto SecoFoto: Diego Lopes / Especial

Para o diretor-financeiro da União das Entidades Carnavalescas do Grupo de Acesso de Porto Alegre (Uecgapa), Rodrigo Costa, a lição que se tira deste Carnaval é de que o povo consegue fazer sua própria festa quando quer:

– Quando se arregaça as mangas, dá certo. E mesmo em março, fora de época, as pessoas compareceram. Foi um Carnaval da comunidade. Vamos para 2020 com fôlego imenso.

Quem sobe para a série Ouro

Entre as oito escolas da série Prata, a vencedora foi a Império do Sol, de São Leopoldo, que a partir do ano que vem sobe para o grupo especial. A escola conquistou 139,9 pontos. Para o presidente da agremiação, Aldemiro Jacintho da Silva, o trabalho voluntário de todos os integrantes e a paixão pelo Carnaval levaram a entidade ao retorno à série Ouro – desde 2012 Império do Sol estava na série Prata. 

– Fizemos um trabalho de comunidade, de amor pela escola. Todo mundo trabalha junto. Os destaques fazem suas próprias fantasias e, quando terminam, ajudam os outros a terminarem as suas. Essa energia foi levada para dentro da avenida.

Na disputa da série Prata, a Vila Isabel ficou em segundo lugar, com 139,3 pontos, e a Fidalgos e Aristocratas em terceiro, com 139 pontos. 

"É possível fazer Carnaval com o esforço das escolas"

Após conquistar o segundo lugar, o presidente da Estado Maior da Restinga, Richard Kniest, afirmou que o ano de 2019 foi um marco para a história do Carnaval de Porto Alegre: 

– O exercício que fizemos este ano vem nos mostrar que é possível fazer Carnaval exclusivamente com o esforço das escolas. Foi mais simples do que em outros anos mas foi mais próprio e mais nosso. Não tenho dúvidas de que se esse esforço for mantido, nosso Carnaval só tende a melhorar. 

Restinga desfilou no segundo dia de Carnaval no Porto Seco
Estado Maior da Restinga se apresentou na manhã de domingoFoto: Diego Lopes / Especial

Na avenida, a vice-campeã cantou os mais diversos tipos de realeza desde Maria I, rainha de Portugal, até Pelé, o rei do futebol. Porém, a verdadeira coroação era para a própria escola, destaca o diretor de barracão da agremiação, Robson Machado Dias, o Preto:

– Realizamos uma alusão a todos os reis e encerramos nossa participação com o nosso maior símbolo, o nosso rei, o cisne altaneiro. Por isso, abrimos e finalizamos o desfile com ele.

Os imponentes cisnes foram acompanhados por uma terceira alegoria que remetia aos reis do xadrez. Preto afirma que, devido à falta de arquibancadas no Porto Seco, a parte superior do carro não pôde ser contemplada em sua plenitude pelos jurados e público.

Entre os destaques, as fantasias bem finalizadas e multicoloridas. A bateria foi um show à parte. Ao som dos surdos, cuícas e tamborins, a escola sacudiu os persistentes torcedores que ficaram até o final.

 
 
 
 
 
 
 
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