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Fechando as portas09/05/2019 | 07h00Atualizada em 09/05/2019 | 14h38

Último restaurante popular da Capital encerra atividades

Local que serve almoço por R$ 1 deixa de funcionar nesta quinta-feira. Prefeitura diz que contrato terminou. Ainda não há previsão exata para reabertura de novos estabelecimentos do tipo

Último restaurante popular da Capital encerra atividades Mateus Bruxel / Agência RBS/Agência RBS
Unidade funcionava desde 2016 em prédio no bairro Floresta Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS / Agência RBS

Quando o Restaurante Popular de Porto Alegre fechar as portas nesta quinta-feira (9), a Capital deixará de ter sua última opção de almoço por R$ 1. O local, que funcionava na Rua Santo Antônio, no bairro Floresta, desde 2016, não vai mais atender ao público. O motivo é o fim do contrato entre a prefeitura e a empresa Mix Refeições Corporativas. A administração municipal justifica que pretende reestruturar o sistema, colocando mais unidades em pontos espalhados pela cidade. Porém, isso ainda não tem data exata para acontecer. 

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Por enquanto, moradores em situação de vulnerabilidade social e pessoas sem renda fixa — principal público do Restaurante Popular — não terão mais uma opção tão barata de alimentação. Atualmente, pagando apenas R$ 1, os clientes têm acesso a um prato composto por arroz, feijão, carne, acompanhamentos, salada, sobremesa (fruta ou doce). Também há água à disposição no local. 

Na terça-feira (7), pouco depois do meio-dia, uma extensa fila se formava na porta do estabelecimento. Os rostos marcados demonstravam que boa parte dos que estavam ali vivem na rua. Em outra fila, preferencial, idosos também aguardavam para se servir. 

Novo modelo deve ser almoço gratuitamente

Ainda que o público atual seja formado, em sua maioria, por pessoas em situação de vulnerabilidade social, o restaurante é aberto para todos. E é isso que a prefeitura pretende mudar. Segundo a secretária de Desenvolvimento Social e Esporte (SMDSE) de Porto Alegre, Nádia Gerhard, os novos estabelecimentos devem atender apenas moradores de rua e pessoas que não têm condições de pagar por alimentação. Por isso, recentemente, servidores do município fizeram o cadastro dos usuários do Restaurante Popular.

— Há pessoas que não precisam e que vão comer no local. A ideia é dar comida para quem precisa. Além disso, vamos trabalhar para ressocializar estas pessoas e colocá-las no mercado de trabalho. Não queremos dependentes, queremos dar alimento e também auxílio — explica Nádia.

Segundo a secretária da SMDSE, os novos restaurantes não devem ter mais a cobrança de R$ 1. O almoço será servido gratuitamente. A ideia da prefeitura é lançar um edital para os novos restaurantes até o fim do mês. O número de estabelecimentos e os locais não foram revelados. Ainda não há data para que o sistema projetado entre em funcionamento, mas a secretária garante que "será ainda neste ano".

Insatisfação e tristeza entre frequentadores

Gilson espera que nova opção seja apresentada o mais rápido possívelFoto: Mateus Bruxel / Agência RBS

Os rostos são conhecidos entre os funcionários. Alguns se chamam até pelo nome. O público é fixo, muitos vêm todo dia e tem no Restaurante Popular sua única refeição. Quando questionados sobre o fechamento, os frequentadores se mostraram insatisfeitos, tristes. Alguns subiram o tom de voz, indignados.

— Quero saber como toda essa gente vai comer. Se sabem que a gente vai voltar a pedir sobras de comida em restaurantes — reclama Gilson Roberto Farias, 46 anos, atualmente em situação de rua.

A dona de casa Jéssica da Silva Leite, 28 anos, ia ao local com sua filha Júlia, sete anos. Há uma semana, um novo integrante também passou a fazer parte da família. Wallace, com sete dias de vida, aguardava no colo da irmã enquanto a mãe se servia na manhã da última terça-feira. Júlia, que mora nas imediações, estava preocupada com o fechamento da instituição, anunciado em um aviso num dos murais do prédio.

— É muito econômico para nós que temos pouco. Eu consigo alimentar eu e minha filha com qualidade. Vai fazer muita falta — confessa a dona de casa.

O caldeireiro Hélio Lopes, 62 anos, costuma almoçar no local por ser próximo de sua casa. A preocupação dele é com aqueles que têm o almoço servido ali como a única refeição do dia. 

— Tomara que reabra logo em outro lugar — deseja Hélio.

Júlia traz os filhos para comer no localFoto: Mateus Bruxel / Agência RBS

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