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4,6 TONELADAS12/07/2019 | 09h02Atualizada em 12/07/2019 | 09h03

Como ocorreu a maior apreensão de maconha do ano no Rio Grande do Sul

Droga apreendida em depósito na zona norte de Porto Alegre está avaliada em R$ 5 milhões

Como ocorreu a maior apreensão de maconha do ano no Rio Grande do Sul Divulgação / Polícia Militar/Polícia Militar
Parte dos pacotes da droga: embalagens tinham entre 18 e 20 quilos cada Foto: Divulgação / Polícia Militar / Polícia Militar

 Uma ligação ao quartel com uma denúncia sobre movimentação atípica em um depósito foi o estopim para a ação do 11º Batalhão de Polícia Militar que resultou na maior apreensão de maconha do ano no Rio Grande do Sul, na noite de quarta-feira (10). Foram recolhidas 4 toneladas, 651 quilos e 20 gramas da droga em um depósito na Travessa Doutor Heinzelmann, uma via estreita próxima da Avenida A. J Renner, no bairro Navegantes, zona norte de Porto Alegre.  

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Era por volta das 20h quando o telefone tocou. Um policial recebeu a informação, avisou seus superiores e a Brigada Militar (BM) primeiro enviou agentes do setor de inteligência para verificar. Em um carro discreto, os brigadianos passaram pelo depósito e perceberam um grande número de pessoas dentro e algumas na frente, como se monitorassem o fluxo de veículos. 

— Onde há fumaça, há fogo. Aqueles camaradas ficaram espiados. Acionamos o ostensivo para fazer a abordagem no local e eles já estavam pesando a droga. Uns saíram correndo e os outros se entregaram — descreve o tenente-coronel André Ilha Feliú, comandante da unidade. 

Assim que as viaturas chegaram ao local, por volta das 20h30min, houve correria de pessoas que estavam dentro do depósito. Seis acabaram rendendo-se sem resistir e outros quatro conseguiram subir pelo telhado, correr até um pátio vizinho e fugir correndo. A Polícia Civil tenta identificá-los. 

Dois dos seis presos possuem como endereço Gravataí, outros dois Cachoeirinha, um o bairro Rubem Berta, em Porto Alegre, e há ainda um outro que tem como endereço Florianópolis. Os nomes não foram revelados pela polícia. 

 Quatro toneladas de maconha apreendidas.
Cães farejaram drogas em carro tambémFoto: Divulgação / Brigada Militar

A carga de maconha estava parte em um caminhão e a outra parte já havia sido retirada da caçamba e era pesada. Os tijolos enrolados em um material preto continham porções de 18 a 20 quilos da droga. Uma das embalagens continha símbolos do brasão do Paraguai - a suspeita da polícia é de que a droga tenha entrado no Brasil pelo Mato Grosso do Sul e descido até o Rio Grande do Sul passando por Paraná e Santa Catarina. 

Uma avaliação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil revela que a droga bruta vale R$ 5 milhões - valor que pode duplicar na distribuição ao varejo. O mesmo órgão afirma que esta é a maior apreensão do ano no Estado. GaúchaZH também confirmou a informação com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Federal (PF). 

Cães farejadores, que estavam trabalhando com a tropa do Batalhão de Polícia de Choque que fazia a segurança do jogo do Grêmio a poucos quilômetros dali, na Arena, foram levados até o depósito. No prédio, não foi encontrada nenhuma droga. No entanto, os cães alertaram para uma caminhonete Toyota Hilux estacionada na via. Os policiais abriram o veículo e encontraram mais maconha, R$ 4 mil em espécie, um rádio comunicador e celulares. 

Nenhuma droga foi encontrada no depósito, o que gera surpresa aos policiais que participaram da ação. Eles estranharam o fato de que não havia seguranças da carga mesmo com o alto valor que possuía. 

Consórcio da droga seria o comprador

Após prender os suspeitos, os policiais carregaram o caminhão que trouxe a droga e levaram para depósito. Ela deve ser depois incinerada. 

O próprio Denarc tornou-se responsável pela investigação de quem são os compradores. A suspeita do delegado Vladmir Urach é de que a carga tenha sido adquirida no país vizinho por um consórcio de traficantes de várias quadrilhas da Região Metropolitana. 

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— É uma apreensão significativa. Estamos apurando a possibilidade de que se trata de consórcio de traficantes para comprar droga nessa grande quantia. Provavelmente vários se reuniram para comprar uma carga grande, diminuindo custos e riscos — explica o diretor. 

A prática surpreende a polícia pela possibilidade de os mesmos grupos que promovem tiroteios uns contra os outros, na tentativa de tomada de pontos de drogas, possam ter se unido para a aquisição. 

Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (11). Os seis presos mantiveram-se em silêncio durante o depoimento na delegacia e depois foram levados para o sistema prisional. 

Outras apreensões de maconha no RS

Em 6 de abril de 2019, uma ação da PRF apreendeu 1,3 tonelada de maconha em uma carreta na BR-386, em Seberi, no Norte gaúcho. Um dia antes, quase 300 quilos da droga foram encontrados em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. 

A apreensão da última noite chega próxima de outra que é apontada pelas autoridades como a maior da história do Rio Grande do Sul. Em abril de 2018, seis toneladas da droga foram encontrados pela PRF também na BR-386, em Lajeado

 Quatro toneladas de maconha apreendidas.
Carga estava sendo retirada de um caminhão por criminosos e seria distribuída para a Região MetropolitanaFoto: Divulgação / Brigada Militar


 
 
 
 
 
 
 
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