Pedagoga faz vaquinha para construção de biblioteca comunitária no Princesa Isabel - Notícias

Vers?o mobile

 
 

Seu Problema é Nosso29/07/2019 | 08h00Atualizada em 30/07/2019 | 11h05

Pedagoga faz vaquinha para construção de biblioteca comunitária no Princesa Isabel

A campanha tem o objetivo de arrecadar cerca de R$ 6 mil para a finalização da reforma do espaço

Pedagoga faz vaquinha para construção de biblioteca comunitária no Princesa Isabel Tadeu Vilani/Agencia RBS
Vitória já conseguiu cerca de 300 livros Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

“Transformar crianças, jovens e adultos pela leitura e educação, para além dos muros da escola”. Esse é o objetivo da vaquinha online criada pela pedagoga Vitória Sant’Anna Silva, 23 anos, para construção de uma biblioteca comunitária no Condomínio Princesa Isabel, no bairro Azenha, na Capital

Leia mais  
Como estão os cidadãos que aguardavam pela análise do pedido de aposentadoria há mais de 45 dias no Estado  
Interdição em escola de Balneário Pinhal deixa alunos sem aula há mais de 15 dias
Família gaúcha se muda para Barretos e faz rifa para manter tratamento de um dos filhos

A jovem, que já atua com a gurizada do condomínio, sentiu a necessidade de um espaço para que eles pudessem ter acesso à cultura e à educação fora do ambiente escolar. 

— A ideia (da biblioteca) foi construída ao longo de diversas experiências como moradora de um condomínio que é visto de forma muito ruim pela sociedade. Estamos na região central da cidade, próximo a diversos espaços de lazer e cultura mas, ao mesmo tempo, estamos à margem, somos criminalizados — relata. 

Reformas 

A ideia é instalar a biblioteca em um espaço que hoje integra o salão de festas. No entanto, o local está em reforma para receber os livros, um banheiro adaptado para os pequenos e uma mini-copa — onde serão feitos lanches para as crianças. Vizinhos deram início às obras com materiais de construção doados. 

Contudo, ainda é preciso buscar valores para custos de elétrica, hidráulica e acabamento, além da compra de areia, tijolos e uma porta. Para isso, a campanha precisa levantar R$ 6 mil. Até ontem, a vaquinha tinha R$ 820. 

O acervo da biblioteca já conta com cerca de 300 livros, além de dois computadores doados. Entre os volumes, há desde literatura infantil até livros didáticos e preparatórios para vestibulares. Segundo Vitória, neste momento não é possível receber mais doações de livros devido à falta de espaço. Ela afirma que o recebimento se dará após a reforma. 

— O que me move a fazer isso é que eu sou o resultado de lutas comunitárias e sociais. Moro em um condomínio que foi fruto disso. Estudei numa universidade pública, ingressei pelas cotas sociais e raciais. Eu sou a prova de que, com oportunidade, a gente consegue, sim. Isso me move — conta a pedagoga, formada pela UFRGS

 PORTO ALEGRE -RS- BR - 24.07.2019A pedagoga Vitória Santana organizou uma vaquinha para arrecadar fundos para construir uma biblioteca no Condomínio Princesa Isabel.Local desrtinado a ser feita a biblioteca.FOTÓGRAFO: TADEU VILANI AGÊNCIARBS Editoria DG
Valor da vaquinha será destinado para a finalização da obraFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Herança de amor ao próximo 

A inspiração principal para as ações de Vitória vem da mãe, a conselheira tutelar Maria Lúcia Sant’Anna, 58 anos. Na década de 1990, Maria levou um grupo de crianças da comunidade para assistir à animação Rei Leão. Em 2018, a pedagoga repetiria a ação da mãe, ao levar 400 crianças e adolescentes ao cinema para assistir à megaprodução da Marvel Studios Pantera Negra — o primeiro filme da nova era dos super-heróis composto, na maioria, por atores negros. 

Para Vitória, o sucesso da campanha do Pantera Negra foi uma prova de que é possível transformar por meio de ações comunitárias

Luta contra o preconceito

Segundo Vitória, a imagem por vezes atribuída ao Condomínio Princesa Isabel é prejudicial aos jovens que lá moram. Para ela, os rótulos dados guardam preconceitos. 

— O Princesa Isabel é conhecido como Carandiru, um presídio onde aconteceu uma chacina, 111 presos foram mortos. É assim que a sociedade nos vê: como criminosos. Isso traz um estigma muito grande para as crianças. A gente sabe que tem um preconceito muito grande da sociedade, que o racismo existe e que uma ação como a da biblioteca pode ser uma forma de combater isso — defende a pedagoga. 

Como ajudar

/// Doe pela vaquinha online.
/// Doações de livros não são aceitas no momento por falta de espaço.
/// Mais informações pelo WhatsApp (51) 98687-0624.

Produção: Ásafe Bueno

Leia outras notícias da seção Seu Problema é Nosso   


 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros