Falta de fraldas na farmácia municipal de Gravataí afeta menino com AME  - Notícias

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Seu Problema é Nosso27/09/2019 | 14h10Atualizada em 27/09/2019 | 18h59

Falta de fraldas na farmácia municipal de Gravataí afeta menino com AME 

Há cinco meses, Victor Alex da Silva Ribeiro, 11 anos, não recebe o benefício. Diante da escassez do produto, a família usa suas redes sociais para pedir doações

Falta de fraldas na farmácia municipal de Gravataí afeta menino com AME  LeitorDG / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Menino sofre de atrofia muscular espinhal Foto: LeitorDG / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

— Minha vida se resumiu a pedir doações. 

É assim que a dona de casa Patrícia da Silva Ribeiro, 42 anos, moradora do Passo da Caveira, em Gravataí, define os últimos cinco meses. Isso porque, desde maio, ela não consegue retirar fraldas na farmácia municipal para o filho, Victor Alex da Silva Ribeiro, 11 anos. 

Com atrofia muscular espinhal tipo 1 (AME) — doença degenerativa que causa fraqueza muscular e atraso psicomotor —, o menino não se movimenta e necessita de 150 unidades de fraldas ao mês, que deveriam ser fornecidas pelo SUS. 

Contudo, já faz tempo que a resposta obtida por Patrícia, ao procurar a farmácia municipal, é a mesma: as fraldas estão em falta e não há previsão para que sejam disponibilizadas. 

— Vou lá, ao menos, três vezes ao mês, e ligo toda a semana para saber se chegou, mas só dizem que não tem previsão. Me sinto humilhada, pois é um descaso total. O Victor é uma criança especial e precisa disso — relata a mãe. 

“Tanto tempo” 

Além de Victor, Patrícia tem outros três filhos. Sem poder trabalhar, pois precisa cuidar das crianças, a única renda da família vem do trabalho do companheiro, Fabiano Longarai, 42 anos, como motorista de aplicativo. No entanto, o valor não é sufi ciente para suprir todas as necessidades da família — dentre elas, as fraldas de Victor. 

Diante da escassez do produto, Patrícia utiliza suas redes sociais para pedir doações. Porém, a dona de casa não se sente bem com a situação. 

— Não é a primeira vez que as fraldas ficam em falta, mas nunca havia acontecido de faltar por tanto tempo. Toda vez que preciso pedir alguma doação, fico envergonhada, porque as pessoas vão pensar que só vivo pedindo. E quando as doações acabarem e eu não tiver dinheiro para comprar, vou fazer o que? Terei que vender as coisas de casa? Estou com medo — desabafa Patrícia. 

Licitação para resolver o problema 

De acordo com a prefeitura de Gravataí, apenas as fraldas nos tamanhos P e M estariam em falta. Segundo o órgão, a compra dos produtos é feita com verba proveniente do Governo do Estado. Contudo, a prefeitura explicou que o fornecedor dos itens ao município  suspendeu unilateralmente o fornecimento”. 

Diante da situação, a prefeitura relata ter instaurado processo administrativo para aplicação de penalidade à empresa responsável. Segundo a assessoria de imprensa, uma nova licitação também foi aberta para contratação de outro fornecedor. Conforme a prefeitura, a licitação está “em seus últimos andamentos”, aguardando tramitação na Secretaria Municipal da Administração, Modernização e Transparência (SMAT). Contudo, não foi informada a previsão para que a entrega seja regularizada. 

Produção: Camila Bengo

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