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 Violência em sala de aula16/10/2019 | 07h40

No Dia dos Professores, educadora da rede municipal de Porto Alegre é agredida por mãe de aluno

Motivo da agressão em escola do bairro Bom Jesus seria um mal-entendido sobre presença em espaço restrito a estudantes

No Dia dos Professores, educadora da rede municipal de Porto Alegre é agredida por mãe de aluno Marco Favero/Agencia RBS
Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora de Fátima suspendeu as atividades até o final do dia após agressão Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Em pleno Dia dos Professores, a rede municipal de Porto Alegre registrou um novo caso de agressão a professora em ambiente escolar. 

O caso ocorreu na manhã desta terça-feira (15) na Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora de Fátima, no bairro Bom Jesus. Depois do ocorrido, as aulas foram canceladas nos demais turnos do dia para reflexão sobre o episódio.

Segundo o relato de uma professora que testemunhou a agressão, o caso aconteceu por volta das 8h30min, no início do turno da manhã. A autora da agressão foi a mãe de um aluno do 3º ano do Ensino Fundamental que fora levado para realizar um "laboratório de aprendizagem", atividade de aproximadamente uma hora destinada a pequenos grupos de alunos no turno inverso das aulas.

Após deixar o filho, a mãe teria permanecido nos corredores da escola, aguardando o final da atividade em companhia de outras duas crianças menores. Como os pais que optam por aguardar devem ficar no prédio administrativo, e não nos corredores, uma das professoras estranhou a presença da mãe no local e questionou duas colegas.

– Primeiro ela veio a minha sala perguntar se era a mãe de algum dos meus alunos. Não era, então deduzimos que era do laboratório na sala ao lado. Depois de confirmar isso, minha colega voltou para a sala de aula dela, do 2º ano, e fechou a porta – conta a testemunha.

O motivo da agressão teria sido que, minutos depois, a professora em questão enviou um bilhete. A mãe deduziu que se tratava de um alerta para sua presença no corredor e começou a chutar a porta do lado de fora. Segundo a testemunha, o bilhete se tratava apenas do pedido de um rádio para utilizar em sala de aula.

– Quando a porta foi aberta e mais gente se aproximou para acalmá-la, a mãe não quis saber e voou nos cabelos da professora. Foi preciso quatro pessoas para contê-la – conta a testemunha.

A Guarda Municipal foi chamada à escola e ambas foram conduzidas para uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência e, posteriormente, ao Palácio da Polícia para exame de corpo de delito. A professora, todavia, decidiu não representar contra a agressora. Abalada psicologicamente, ela não quis ser identificada ou se pronunciar sobre o episódio.

As aulas foram canceladas nos turnos da tarde e noite e deve retomá-las nesta quarta-feira (16). A escola está sem serviço de portaria desde o início do ano letivo. Em outubro de 2018, após retirar a Guarda Municipal das escolas, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) encaminhou a contratação de porteiros terceirizados. Mas, em 2019, o serviço não foi renovado e não houve substitutos.

– Não sei se a presença de um porteiro ou de um guarda impediria esse episódio. É muito difícil prever que uma pessoa vá se descontrolar assim, de forma tão gratuita. Sei é que estamos à mercê – declara Sérgio Mayer, diretor da EMEF Nossa Senhora de Fátima, que atende cerca de 730 estudantes.

– Muita coisa vem se tornando normal no tratamento aos professores. Isso não pode ser encarado como algo corriqueiro – opina uma das professoras.

No final da tarde, a Smed se manifestou por meio de nota (leia abaixo), declarando que ofereceu suporte à escola por meio do programa Acesso Mais Seguro, que "desenvolve protocolos de comportamento para minimizar os efeitos da violência". A secretaria também orientou a escola que mantivesse o atendimento aos alunos.

Em novembro de 2018, após três casos de agressões a professores da rede municipal em duas semanas, GaúchaZH realizou um levantamento junto às escolas sobre situações de violência no cotidiano escolar. Todas as 22 escolas consultadas relataram casos de ameaças e 82% delas relataram casos de agressões envolvendo alunos ou familiares de alunos.

Leia, abaixo, a nota da Smed:

"Ao tomar conhecimento de caso de agressão ocorrido nesta terça-feira, 15, a prefeitura ofereceu suporte à Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Nossa Senhora de Fátima, bairro Bom Jesus. A Secretaria Municipal de Educação (Smed) entrou em contato por meio do grupo de suporte do programa Acesso Mais Seguro, desenvolvido em parceria com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que orientou a equipe da instituição de ensino. A escola já recebeu a formação na metodologia, que desenvolve protocolos de comportamento para minimizar os efeitos da violência.

A Guarda Municipal acompanhou os envolvidos à delegacia de polícia para registro da ocorrência. A área pedagógica da Smed orientou que a escola mantivesse o atendimento aos alunos – o que não ocorreu nesta tarde – e ofereceu a ação dos círculos de paz e justiça restaurativa desenvolvidos pela pasta."

 
 
 
 
 
 
 
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