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Lá em Casa

Cris Silva: "Minha carta para o Noel"

Colunista escreve sobre maternidade e família todas as sextas-feiras

20/12/2019 - 11h55min


Foto: Arte DG
Cris no DG

Eu lembro perfeitamente quando era criança, em Pelotas, sentada na mesa da cozinha da minha vó paterna, pensando o que eu iria escrever para o Papai Noel. Lembro da minha grande dúvida: o que eu falo pra ele? E lembro também da minha vó explicando os encantos da época de Natal e, ao mesmo tempo, dizendo como era importante a gente escrever o que sente. 

Ela dizia: “Minha nega, escreve... Deixa registrado o que tá sentindo, o que tá passando no teu coração e guarda. Um dia, quando tu menos esperar, vais encontrar esse bilhete, e é tão maravilhoso perceber que é outro momento, e quase sempre um momento melhor”.

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Sempre soube muito das coisas e aprendi tanto com a vó – inclusive, foi ela quem me ensinou o que é saudade. Faz tempo que se foi, mas parece que foi ontem.

Nessa época de Natal, é impossível não lembrar. Ela enfeitava toda a casa, desde a árvore de Natal mais incrível (tinha até neve) até o laguinho do presépio, que fazia a minha imaginação voar. E era também nessa época que escrevíamos a carta para o Bom Velhinho. 

Antonio Valiente / Agencia RBS
Estímulo para os pequenos

Eu escrevia, e ela entregava. E sempre chegava “um presente”. Eu nunca pedi algo específico, a vó me incentivava a agradecer, o tempo todo, aliás, e pedir algo que fosse “proveitoso” e me deixasse “feliz”. 

Fiquei pensando que, daqui a pouco tempo, será o Teteu, meu filho de um ano e 10 meses, a escrever a cartinha para o Noel. E os pedidos dele, quais vão ser, meu Deus? Porque, se ele fosse pedir hoje, eu tenho certeza que seria a “chácha” (bolacha), um milho verde, que ele ama, e um banho de piscina até murchar os dedos. Só que dificilmente será isso. E o mais legal nem é o que se pede: é o ritual de escrever, escolher a melhor forma de dizer. E, se essa cartinha for escrita com ajuda dos pais ou familiares, aí tá completo. 

Conversei com um psicólogo para entender o quanto a cartinha pode trazer benefícios e já adianto: estejam juntos!

Especialista

A época de festividades de final do ano já diz, no nome: ocorre o fechamento de um ciclo, explica o psicólogo clínico Michel Andreola. Que segue:

– A criança aflora a sua fantasia de escrever uma cartinha para o Papai Noel, uma figura curiosa e lendária. A relação entre pais e filhos aqui é fundamental. Os adultos devem valorizar a imaginação da criança, que é sadia e criativa, e buscar aprofundar mais este amor. A família que se reúne para escrever desenvolve mais vínculos de compreensão, segurança e cuidado um pelo outro.

Perólas

– Ô, mãe, você já explicou para os meus irmãos o real significado do Natal?
– Ainda não, Mi.
– Pode deixar que eu explico: “geminhos”, o Natal significa que Jesus nasceu e, lá na Páscoa, ele vai morrer e nascer de novo. Tipo o Deadpool.
Miguel, seis anos



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