Região Metropolitana concentra maior parte dos casos de Sarampo no Estado - Notícias

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Saúde27/01/2020 | 05h00Atualizada em 27/01/2020 | 05h00

Região Metropolitana concentra maior parte dos casos de Sarampo no Estado

Dos 76 pacientes confirmados no Rio Grande do Sul, 20 residem em Gravataí, 20 em Cachoeirinha, 19 em Porto Alegre, quatro em Canoas e três em Alvorada


Desde 2016, o sarampo era considerado uma doença erradicada no Brasil, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou que o país estava havia um ano sem registro de casos do vírus. Mas isso começou a mudar em 2018, quando novos casos voltaram a aparecer no país. No mais recente boletim epidemiológico divulgado pelo governo do Estado em 16 de janeiro, com base nos casos surgidos em 2019, foram confirmados 76 casos de sarampo no Rio Grande do Sul, destes, 66 só na Região Metropolitana.

Há 20 casos em Gravataí, 20 em Cachoeirinha, 19 em Porto Alegre, quatro em Canoas e três em Alvorada. Todas as confirmações apresentaram início dos sintomas ainda no ano de 2019. Neste ano, até 11 de janeiro, foram notificados 10 casos suspeitos, seis foram descartados e quatro estão pendentes. 

Os últimos casos confirmados em Gravataí envolvem dois bebês, de um mês e de seis meses – que são primos – e o pai de um deles, de 24 anos, com histórico de deslocamento para Sombrio, em Santa Catarina. Além de dois adolescentes de 18 anos e um jovem de 26 anos relacionados ao surto – termo utilizado pelo Boletim Epidemiológico –  na escola e uma jovem de 23 anos sem vínculo com outros casos. 

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Gravataí

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Gravataí, inicialmente, os casos eram importados, de pessoas que tinham registro de viagens a São Paulo. Mas, agora, já foram reconhecidos casos autóctones (quando doença é contraída dentro do Estado ou no território em que mora). Alguns pacientes estudavam e trabalhavam na Escola SESI Abino Marques Gomes, no bairro Bonsucesso. De acordo com o superintendente do Sesi/RS, Juliano Colombo, um aluno deu entrada em uma Unidade de Saúde da cidade após uma viagem da turma de terceiro ano do ensino médio a Três Coroas, no fim do ano.

— Só tínhamos a informação desse aluno e de um professor, e um caso suspeito. A primeira medida adotada foi acionar as Vigilâncias do Estado e de Gravataí, que fizeram o bloqueio vacinal em alunos e professores. Mas não consideramos um surto, houve o caso e foram adotadas as medidas preventivas. Já não era mais período de aula — explica.

Desde agosto do ano passado, quando os primeiros casos apareceram na cidade, a Vigilância em Saúde tem realizado a investigação e monitoramento e adotado as medidas de prevenção e controle do sarampo, conforme protocolos do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde. Hoje, como as ocorrências estão espalhadas pelo município, a solução tem sido a vacinação em caráter de bloqueio seletivo.

Vacinação

No início de 2020, o governo do Estado divulgou o boletim epidemiológico de casos de sarampo confirmados no Rio Grande do Sul. Gravataí tinha 20 casos confirmados até 16 de janeiro. A mãe Geise da Silva, 34 anos, com as filhas Letícia, 11 anos, Larissa, seis anos, e Maísa, três anos, são moradoras do bairro Bonsucesso, onde uma escola teve surto da doença.
Família de Geise está com esquema de vacinação em dia e tranquilaFoto: Jéssica Britto / Agência RBS

Gravataí tem atingido a meta preconizada pelo Ministério da Saúde para a vacinação entre crianças de um ano a menores de dois anos e, apesar do surgimento de casos na cidade, não houve aumento pela procura da vacina nas Unidades Básicas de Saúde. 

Mas Anderson Domingues, 44 anos, pai de um aluno da escola onde houve o surto diz que a primeira atitude, ao saber do aparecimento da doença na instituição, foi atualizar a carteirinha do filho Mateus, de 16 anos. 

— Ficamos preocupados, mas não a ponto de não deixá-lo vir para aula. E como aconteceu no fim do ano, logo as aulas terminaram — conta.

Moradora do bairro Bonsucesso e mãe de três meninas em idade escolar, a frentista Geise da Silva, 34 anos, conta que ouviu falar da doença na cidade "por alto".

— A gente se preocupa, mas como todas elas têm as vacinas do calendário, tranquiliza um pouco. Mas acho que a situação está pouco divulgada — opina.

Cachoeirinha

Em Cachoeirinha, onde há 20 casos confirmados, paralelamente à vacinação de rotina realizada nas unidades de saúde, a Secretaria Municipal de Saúde está fazendo ações de vacinação no comércio da cidade, tendo em vista a dificuldade dos trabalhadores em se deslocar até as salas de vacinas e por entender que são locais de grande circulação de pessoas. 

No município, não foram detectadas concentrações de casos de sarampo em bairros ou locais específicos.

Dados do Rio Grande do Sul

/// Até 16 de janeiro de 2020, foram notificados 754 casos suspeitos de doenças exantemáticas (615 sarampo/139 rubéola) referentes ao ano de 2019. Desse total, 76 confirmados para sarampo e 25 permanecem em investigação.
/// Os casos confirmados estão distribuídos em 11 municípios: Cachoeirinha (20), Gravataí (20), Porto Alegre (19), Canoas (4), Alvorada (3), Tramandaí (3), Ijuí (2), Trindade do Sul (2), Dois Irmãos (1), Santo Antônio da Patrulha (1) e Carlos Gomes (1).
/// Dos 76 casos, 41 ocorreram em pessoas do sexo masculino e 35 do sexo feminino.
/// Do total de casos, 26, ou seja, 34,2% têm entre 20 e 29 anos, 23,7% entre 15 e 19 anos, e 23,7% são menores de um ano.
/// A data do exantema (uma erupção aguda e generalizada da pele) do último caso confirmado no estado foi em 23/12/2019. Conforme o Ministério da Saúde, o surto será considerado encerrado quando não houver novos casos após 90 dias da data do exantema do último caso confirmado.
/// A rede pública de saúde disponibiliza gratuitamente a vacina com o componente sarampo para a população de seis meses a 49 anos de idade, de acordo com o esquema preconizado e para todos profissionais de saúde, independente da faixa-etária.

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