Cris Silva: "Quando a mentira chega" - Notícias

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Lá em Casa03/04/2020 | 12h00Atualizada em 03/04/2020 | 12h00

Cris Silva: "Quando a mentira chega"

Colunista escreve sobre maternidade e família todas as sextas-feiras

Cris Silva: "Quando a mentira chega" Foto: Arte DG/
Cris no DG Foto: Foto: Arte DG

O dia 1º de abril é conhecido mundialmente como “Dia da Mentira”. Então, aproveitei esse gancho para falar de um assunto que eu queria trazer para coluna há muito tempo. Porque as crianças mentem? Quando elas começam a mentir? E como agir quando a gente pega uma mentira? 

Lá em casa, eu acho graça da sinceridade do Teteu, meu filho de dois anos, porque ele “confessa” as coisas erradas que faz. Calma, não estou dizendo que ele deveria mentir, não é isso. Mas, como ele ainda não entrou nessa fase de “mascarar” a verdade, ele larga um “sim” ou “ahãm”. 

Outro dia, ele comeu um punhado de massinha de modelar. Na hora que vi, perguntei: 

– Teteu, tá comendo massinha?

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Ele me olhou e disse: 

– Ahãmmmm! 

Super sincero. Mas eu sei que a hora da mentira vai chegar, certamente, até porque faz parte do desenvolvimento da criança. Assim como nós, adultos, os pequenos também mentem. E os motivos são os mais variados... Pode ser para agradar, para não decepcionar, para não levar xingão, para conseguir o que querem ou até para evitar um castigo.

Pinóquio, mentira
Motivos para mentir são os mais variadosFoto: Stock.Xchng / Divulgação

Idades e mentiras

Uma pesquisa realizada no Canadá determinou que as crianças de cerca de dois anos dizem “mentiras primárias”, criadas para esconder ações erradas, sem levar em consideração as punições que podem acarretar. 

Por volta dos quatro anos, aparecem as “mentiras secundárias”, que são mais plausíveis e têm o propósito de esconder atitudes e comportamentos. Já as “mentiras terciárias” surgem entre sete e oito anos e são aquelas que costumam se fundir ao que é real com o objetivo de criar histórias aceitáveis.

O que fazer

/// É importante ser direta. Sem pegadinhas ou castigos. 

/// Devemos evitar perguntas com ares de armadilha. Não se deve colocar a criança em xeque. 

/// Se você sabe que seu filho deveria ter devolvido o livro à biblioteca da escola, mas não o fez, em vez de questionar: “Você devolveu o livro?”, haja de maneira mais direta. Diga: “Vi que você não devolveu o livro, o que aconteceu?”. 

/// Castigar quem mente pode até funcionar aos olhos de alguns, mas não ensina o valor da verdade.

Dê exemplo

/// Não adianta querer que a sua criança não conte mentiras se você as conta. Se você diz o já conhecido “Na volta a gente compra”, e não compra. Se você diz a ela que o nariz vai crescer, quando, na verdade, sabe que não cresce. Ou quando manda dizer que não está em casa quando alguém telefona. 

/// Dessa forma, seu filho percebe que algumas mentiras não sofrem retaliações, que nem todas são descobertas e que o “papai ou a mamãe” também mentem.

Peróla

– Filha, cadê o papai e a sua irmã?
– Papai tá colocando a mana pra dormir, mãe.
– Ela chorou muito?
– Não, não se preocupe. O papai é uma boa mãe.
Sophia, cinco anos


 
 
 
 
 
 
 
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