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Solidariedade04/05/2020 | 07h51Atualizada em 04/05/2020 | 07h51

Como ajudar iniciativas que distribuem comida para moradores de rua e famílias carentes

Mesmo com a pandemia do coronavírus, grupos que auxiliam moradores de rua e pessoas em situação de vulnerabilidade não deixaram de atuar e seguem precisando de doações

Como ajudar iniciativas que distribuem comida para moradores de rua e famílias carentes Marco Favero/Agencia RBS
Cozinheiros do Bem são um dos grupos voluntários mais conhecidos da Capital Foto: Marco Favero / Agencia RBS

A pandemia do coronavírus aumentou a necessidade de auxílio para famílias em situação de vulnerabilidade social. Isso porque as poucas pessoas que tinham emprego formal ou informal têm visto as ocupações sumir com a paralisação das atividades causada pela disseminação do vírus. Assim, entraram na seara de outro grupo que também depende muito do auxílio e da solidariedade: os moradores de rua. 

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Em tempos mais calmos — sem coronavírus —, diversos grupos mantinham trabalho permanente com moradores de rua. Agora, essa turma formada por voluntários está tendo de se desdobrar para auxiliar também famílias de comunidades carentes. 

O Diário Gaúcho conversou com membros de organizações da Capital e de duas cidades da Região Metropolitana, Alvorada e Canoas. Os voluntários contaram como a pandemia alterou o trabalho e reforçou a importância das doações para a continuidade das ações solidárias, ainda mais importantes neste momento.

Voluntários

Em Porto Alegre, um dos projetos voluntários mais conhecidos quando se fala em auxílio aos moradores de rua é o Cozinheiros do Bem. Aos finais de semana, a turma prepara refeições sob viadutos da cidade e distribui a quem precisa. Porém, com a recomendação para se evitar aglomerações, o formato das entregas precisou ser alterado. Agora, além do sábado, quando eram feitas as distribuições, o grupo realiza ações nas ruas quase todos os dias, como define Patrícia Stein, coordenadora do Cozinheiros do Bem. 

São cerca de 400 voluntários envolvidos nas atividades, que também começaram a contemplar famílias de comunidades carentes em razão dos efeitos da pandemia do coronavírus.

— Para quem mora em comunidades, estamos levando as cestas básicas. Atendemos tanto o pessoal das ruas quanto nas vilas, tentando fazer ações todos os dias. Se não tem comida, fazemos ao menos um sanduíche para entregar — explica Patrícia.

Ela conta que também são entregues kits de higiene aos moradores de rua, com álcool gel, sabão e máscaras, além de um kit com macarrão instantâneo, sardinha, bolachas e água — itens que possam ser preparados rapidamente. Por isso, todas as doações são bem-vindas, principalmente, de itens de higiene a de garrafinhas de água mineral.

"Obra divina"

 PORTO ALEGRE,RS,BRASIL.2020,05,02.Distribuição de alimentos para pessoas carentes da Restinga Vamos acompanhar a entrega na Casa da Sopa.Na foto.Daniel Silva primeiro da fila,diz que não tinha o comer ele a filha.(RONALDO BERNARDI/AGENCIA RBS).
Daniel (D) era o primeiro da fila na Casa da Sopa da RestingaFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Quem também ressalta a importância de receber mais ajuda neste momento é Marlene Ferrari, vice-presidente e cozinheira da Associação Amigos Voluntários da Casa da Sopa, que tem sede no bairro Restinga, na zona sul de Porto Alegre. Em vez dos 3 mil pratos de sopa que eram servidos às quartas-feiras, agora são entregues marmitas aos sábados, conforme é possível produzir. Além disso, alimentos como verduras ou cestas básicas são entregues para famílias que necessitam. 

Uma das dificuldades enfrentadas pela Casa da Sopa da Restinga está no time de voluntários, composto na maioria por idosos, que são parte do grupo de risco para a covid-19. Eles ainda conseguem produzir as marmitas, mas não podem fazer aglomerações na sede da entidade para a distribuição. Por isso, precisam de ajuda para fazer as entregas.

— Tudo que a gente recebe, entrega para quem precisa. Temos conseguido ajudar até mais pessoas, pois estamos distribuindo itens além da sopa. Aliás, queremos continuar com as marmitas quando retornarem as atividades normais na sede, ampliando os dias de atendimento — projeta Marlene.

No sábado, houve distribuição de marmitas na Tinga. Dono de uma borracharia no bairro, Daniel Silva, 61 anos, era o primeiro na fila. Ele viu o seu orçamento ser drasticamente reduzido com a diminuição da circulação nas ruas. Com dois filhos em casa, recorreu ao local para garantir o almoço de sábado:

— É uma obra divina. Eu abri a borracharia há pouco, então, estou sem renda. Se não houvesse este almoço, seria complicado para muita gente aqui na Restinga ter o que comer. 

 PORTO ALEGRE,RS,BRASIL.2020,05,02.Distribuição de alimentos para pessoas carentes da Restinga Vamos acompanhar a entrega na Casa da Sopa.Na foto.Marlene revizando as quentinhas.(RONALDO BERNARDI/AGENCIA RBS).
Casa do Sopa na Restinga trocou o prato que dá nome ao local pelas marmitasFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Ampliação dos trabalhos

Outra Casa da Sopa, mas de Alvorada, também corre atrás de doações para seguir trabalhando. Maria Elaine da Silva, presidente da entidade, explica que o trabalho está sendo feito conforme chegam as doações:

— Arrecadamos alimentos e cestas básicas. Mas estamos com muita demanda, bastante gente precisando. Entregamos marmitas no final de semana e cestas básicas na sexta-feira, e precisamos de mais doações para seguir atendendo quem precisa.

Para não deixar os trabalhos pararem, os voluntários do PF das Ruas começaram a preparar as marmitas em suas próprias casas. Antes, os alimentos eram entregues sob viadutos da cidade, como é comum entre os grupos. Agora, os voluntários preparam e eles mesmos saem para fazer as entregas pelas ruas de Porto Alegre.

Conforme a voluntária Cláudia Dias Conceição, 60 anos, também foi feita uma parceria para aquisição de cestas básicas que são doadas a quem precisa. Cada cesta custa R$ 47,90. Quem quiser ajudar pode comprar a sacola e entregar para a entidade ou repassar o valor para que o grupo faça a compra:

— Foi uma forma que achamos de ajudar as famílias que também precisam de ajuda.

Entrega para familiares em UPAs

Em Canoas, o grupo de voluntários criado há oito anos por Fábio dos Santos Machado, 41 anos, resolveu ajudar quem está passando por dias difíceis por causa do coronavírus. Além dos moradores de rua, a turma do Sopão da Kombi está entregando marmitas para pessoas que estão esperando ou acompanhando familiares e amigos nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) da cidade da Região Metropolitana. 

Conforme Fábio, as entregas são feitas às quartas, sextas e sábados, a partir das 20h. São distribuídas entre 60 e 70 marmitas em cada dia, de acordo com o número de doações obtidas. Para evitar aglomerações, no lugar da Kombi, os cerca de 20 voluntários se dividem em vários carros e fazem as entregas pelo município:

— E, quando recebemos cestas básicas, também entregamos para famílias que precisam.

Máscaras

Em Porto Alegre, o Sopão da Solidariedade achou uma maneira de conseguir compensar quem ajuda com doações. Para cada alimento entregue ao grupo, o doador recebe uma máscara de tecido lavável. Conforme a criadora do projeto, Rachel Bertagnolli de Moraes, 33 anos, esta é uma maneira de conseguir montar cestas básicas para as famílias que precisem. 

Além disso, o grupo, com cerca de 15 voluntários, entrega marmitas aos domingos, às 12h, no Viaduto da Conceição. Rachel ressalta que são obedecidas todas as regras de proteção e distanciamento durante as ações.

Como ajudar

Associação Amigos Voluntários Casa da Sopa

/// Conforme consegue produzir, entrega marmitas no sábado, às 11h.

/// Fica na Estrada João Antônio da Silveira, 2.600, Restinga, em Porto Alegre.

/// Precisa de doações de alimentos alimentos não perecíveis, verduras e legumes.

/// Contato: (51) 99807-6333, com Marlene.

Associação Beneficente Casa da Sopa

/// Entrega alimentos e trabalham conforme o volume de doações, que são levadas aos moradores, sem dia certo. 

/// Precisa de alimentos não perecíveis, carnes, verduras e legumes. Também recebe roupas e cobertores.

/// Fica na Rua PP19, casa 2, Nova Americana, em Alvorada.

/// Contatos: (51) 3411-2525 e (51) 99169-8355, com Maria.

Anjas de Batom

/// O grupo distribui sopa a moradores de rua uma vez por mês, em diferentes locais da Capital, sempre ao meio-dia de sábado, durante os meses de junho e julho. No restante do ano, são atendidos asilos e orfanatos.

/// Precisa de alimentos não perecíveis.

/// Contato: grupo "Anjas de Batom" no Facebook ou com Vanessa Silveira no (51) 98265-8019.

Cozinheiros do Bem

/// Leva as marmitas prontas, kit de higiene com álcool gel, sabão, máscaras e outros itens, e o kit de sobrevivência, com miojo, sardinha, atum, tomate e bolacha.

/// O grupo de 400 voluntários também distribui almoço aos sábados, a partir das 12h, em pontos da região central.

/// Precisa de doações de alimentos, material de higiene e garrafinhas de água mineral.

/// Contato: (51) 98448-0325, com Patrícia.

PF das Ruas

/// Grupo de 200 voluntários que distribui refeições em vários locais, diariamente, dependendo do fluxo de doações. Cestas básicas em comunidades também são entregues. 

/// Precisa de alimentos em geral. Divulgação semanal do que necessitam é feita no Facebook do grupo.

/// Contato: (51) 98325-5744, com Cláudia.

Sopão da Kombi

/// Nas noites de quarta-feira, sexta-feira e sábado, a partir das 20h, distribui marmitas nas ruas e UPAs de Canoas. 

/// Aceita doações de alimentos perecíveis e não perecíveis. 

/// Contato: (51) 99208-4714, com Fábio.

Sopão da Solidariedade

/// Distribui carreteiro e feijão com massa para moradores de rua aos domingos, às 12h no Centro da Capital, no Viaduto da Conceição.

/// Precisa de doações de arroz, feijão, massa, latas de milho e ervilha, molho e extrato de tomate, óleo e salsicha.

/// Contato: (51) 99185-8773, com Rachel ou Ana.

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