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Lá em Casa01/05/2020 | 08h00Atualizada em 01/05/2020 | 08h00

Cris Silva: "O lado bom de tudo isso"

Colunista escreve sobre maternidade e família todas as sextas-feiras

Cris Silva: "O lado bom de tudo isso" Foto: Arte DG/
Cris no DG Foto: Foto: Arte DG

Essa semana eu conversava com meu marido sobre o momento que vivemos, esse isolamento e o quanto eu acredito que é possível ver o lado bom das coisas – por incrível que pareça.  Às vezes fica difícil acreditar. Mas, se a gente respirar e pensar melhor, vai enxergar um lado positivo de uma situação ruim. Eu adoro um provérbio que diz: “Deus escreve certo, a gente é quem não sabe ler”. Tudo isso para dizer que, em meio à ansiedade de não saber como serão os próximos dias, ou quando vou ter a minha vida normal de volta, eu encontrei o lado bom. Um belíssimo lado.

Estamos conseguindo perceber o desenvolvimento do Teteu, meu filho de dois anos, e só é possível porque estamos direto com ele, observando cada detalhe que aparece de um dia para o outro. Se estivéssemos na nossa rotina de trabalho, fora de casa e retornando no fim do dia, esse privilégio seria das professoras da escolinha. Mas, como o mundo parou por conta da pandemia, eu consegui ter tempo para ele. 

Teteu, filho da Cris Silva.
Teteu é o nosso pequeno fã de Beatles Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Filosofando um pouco, acredito que essa mudança toda que estamos vivendo vai nos trazer de herança, certamente, a dor por ter perdido pessoas queridas, mas também a chance de fazer diferente, de ser solidário, de pensar no outro, de crescer espiritualmente e de valorizar as coisas mais simples da vida, como a companhia das pessoas que amamos. 

Música

Teteu é louco pelos Beatles. A música preferida é “Yellow Submarine”. Por dia, o clipe roda umas 30 vezes na televisão... Ele olha, dança do jeito dele e sorri. Essa semana ele cantou!!! Nunca antes ele tinha cantado! Tá certo que ele cantou só as últimas vogais de cada palavra – que, por sinal, era em inglês –, mas ele cantou. Que novidade! 

Ele também está se saindo um ator digno de Oscar. Na semana passada, correndo no pátio, ele caiu e ralou o joelho. Saiu um pouco de sangue, mas logo criou casquinha e rapidinho o joelho estava bom. Essa semana, em meio a uma teimosia dele, eu falei mais alto e fiquei braba. Prontamente, ele se atirou no sofá, abraçado no joelho totalmente bom, e começou a chorar, dizendo: “Dodói, mamãe”. Tudo para mudar o foco e não levar um xingão. Um artista.  

Esses são apenas alguns exemplos de como, em plena quarentena, podemos conhecer melhor e vivenciar as aventuras de quem divide o mesmo teto.

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Respira e não pira

Conversei com a psicóloga Hericka Zogbi e, acreditem, existem ainda mais pontos positivos nesse isolamento. Segundo ela, as pessoas podem acompanhar cada passo dos seus filhos e também as atividades escolares. Quem está em isolamento, sem parentes ou amigos dividindo a mesma casa, pode se sentir mais fragilizado e, até, há chance de surgir um quadro depressivo ou de ansiedade. 

– Quem sabe não é a oportunidade de buscar ajuda para algo que não se tenha buscado antes? – sugere Hericka. 

Porém, é inevitável falar do lado negativo. Se, por um lado, é bom estar mais perto dos filhos e do parceiro(a), por outro, certas coisas que não apareciam no dia-a-dia mais corrido podem surgir e provocar conflito. Mas existe aí, também, uma oportunidade para resolver. 

Minha quarentena

Fiama Costa Cabral e os filhos, João e Luiza
Fiama, João e LuizaFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Hoje, na coluna, eu tenho o prazer de trazer o relato da Fiama Costa Cabral, educadora infantil, mãe de dois filhos e moradora de Arroio dos Ratos. Ela dá uma aula de como transformar o isolamento em belas lembranças. 

“Por aqui, somos bem conscientes do que significa este momento que estamos vivendo. Estamos em casa desde o dia 19 de março. Saio apenas para ir ao mercado, a cada 10 dias. As crianças ficam em casa direto. Temos dois fatores positivos. Primeiro que sou professora, então, estou conseguindo acompanhar o João, quatro anos, e a Luiza, sete anos. Segundo é que temos um pátio grande – o que tem facilitado a convivência. 

Fiama Costa Cabral e os filhos, João e Luiza
Duplinha no desenhoFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Nesta quarentena, resolvi doar todos os meus conceitos e metodologias pedagógicas aos meus filhos, e me pergunto porque eu não fiz isso desde o início da maternidade. Nestes dias em casa, temos explorado principalmente o que a natureza nos oferece. Brincamos juntos ao ar livre, é incrível como as ideias fluem. Já fizemos acampamento, piquenique e até coleção de pedras. 

João, que sempre gostou de saborear toda e qualquer fruta, agora descobre o interesse por plantar as sementes do que ele consome. Luiza percebeu que, se mantiverem as coisas organizadas, eu conseguirei brincar mais tempo com eles. 

Fiama Costa Cabral e os filhos, João e Luiza
Aventuras no quintalFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Tem dias em que eles estão mais agitados. Nesse caso, também aprendemos a controlar a respiração através de uma meditação ‘do Paraguai’. Eletrônicos são usados só à tarde, mas, se der vontade, nós assistimos um filme. 

Após essa quarentena, tenho certeza de que sentimentos nunca mais serão deixados para depois.”

Peróla

– Mamãe, a pessoa pode casar com pessoas da família quando é adulto?
– Não, minha filha, tem que casar com alguém de outra família.
– E porque você casou com o papai, então?
Carol, cinco anos


 
 
 
 
 
 
 
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