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Coluna da Maga22/05/2020 | 09h00Atualizada em 22/05/2020 | 09h00

Magali Moraes e o carrinho abandonado

Colunista escreve às segundas, quartas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e o carrinho abandonado Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Não é um automóvel de pequeno porte, nem um brinquedo esquecido no canto da sala. O carrinho abandonado que chama a minha atenção é o do supermercado. Por que as pessoas desistem das suas compras? Se fosse na passagem pelo caixa, eu entenderia. É sempre uma facada, a gente ri de nervoso. O que me intriga é ver esses carrinhos abandonados quase na reta final. A pessoa circulou pelos corredores, foi pegando tudo o que queria e _ opa! _ se deu conta que não tinha como pagar?

Poderia ter percebido com o carrinho ainda pela metade. Mas acho que deve ser por um motivo nobre. Mãe sozinha com criança pequena, e o piá pede urgente pra ir ao banheiro. Quando eles voltam, suas compras sumiram. Ou o cidadão está comparando as marcas de café e lembra que esqueceu a chaleira ligada no fogo. Só algo assim justifica o abandono repentino. Recebeu uma notícia ruim e se mandou correndo? Deixou a carteira em casa? Nesse caso, é só pedir pra guardarem as compras.

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Manteiga

Ninguém tá livre de ser mal interpretado pelos funcionários do supermercado. Digamos que, ao escolher tomates, você lembra que falta manteiga e dá meia volta pra buscar. Se estacionar o carrinho e demorar um pouco, ele pode ser confiscado por julgarem que é abandono. Melhor deixar um bilhetinho "Volto logo". E como explicar que você encontrou um conhecido no caminho e nem ia parar pra conversar, mas a pessoa fez questão de contar toda a sua vida? A manteiga derretida é testemunha. 

Nos carrinhos que são deixados pra trás a carne estraga, o sorvete amolece, a alface murcha, o pão dorme, o detergente não limpa, a salsicha não faz cachorro-quente, a farinha e o fermento jamais se tornam pão. Sempre reparo nessas compras rejeitadas. A ordem natural foi interrompida. Alguém vai ter um trabalhão pra colocar cada produto no lugar. A sacolinha do súper não vai transportar nada. A geladeira seguirá dando eco. Estômagos roncarão. Se não gastaram dinheiro, perderam tempo.


 
 
 
 
 
 
 
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