Manoel Soares: "Que a morte do João Pedro sirva de alerta" - Notícias

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Papo Reto23/05/2020 | 05h00Atualizada em 23/05/2020 | 05h00

Manoel Soares: "Que a morte do João Pedro sirva de alerta"

Colunista escreve nas edições de final de semana do Diário Gaúcho

Manoel Soares: "Que a morte do João Pedro sirva de alerta" Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

O maior desespero para um pai é ver o filho de olhos fechados, chamar seu nome e ele não acordar. A foto do pai do menino João Pedro debruçado sobre o caixão, suplicando que o filho acordasse, é uma das cenas mais dolorosas que vi em minha vida. 

O menino tinha o sonho de ser advogado. Além de ser uma morte estúpida e sem sentido, foi um ato de covardia sem tamanho, pois pessoas a serviço do Estado brasileiro mataram um pequeno lutador sem que ele tivesse a oportunidade de entrar no ringue da vida. 

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Imagine quantas pessoas o advogado João Pedro poderia ter ajudado? Ele, só no Rio de Janeiro, é a oitava criança morta em operações policiais neste ano. Se começarmos a buscar nos registros de nosso Estado, com certeza teremos casos, senão de crianças, de jovens que tiveram suas vidas interrompidas. 

Pais de família

Sei que dentro das fardas existem pais de família também, que saem de casa com a missão nobre de defender a sociedade do crime e da violência. Mas essa missão nobre não deve ser, em momento nenhum, argumento para defender os poucos criminosos que se escondem atrás da farda. Todos os casos de excessos por parte de policiais devem ser investigados e punidos. Os policiais de verdade não podem, tentando defender a farda, correr o risco de serem coniventes com quem comete esse tipo de barbárie, pois isso mancha a nobreza da polícia. 

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Exigir punição desses crimes não é defender bandido, mas defender a polícia, que não pode ser hostilizada por conta da atitude de quem não tem nobreza para vestir o manto sagrado da Brigada Militar. Que a morte do João Pedro sirva de alerta para que salvar vidas seja mais importante do que combater o crime, pois, se em nome da lei assumimos o risco de matar crianças, mudamos de lado e somos tão monstros como qualquer bandido sem coração.

 
 
 
 
 
 
 
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