Canoenses são pegos de surpresa por decreto que volta a proibir uso de praças e shoppings - Notícias

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Pandemia01/06/2020 | 08h53Atualizada em 01/06/2020 | 09h17

Canoenses são pegos de surpresa por decreto que volta a proibir uso de praças e shoppings

Muita gente passeou nas áreas verdes, mesmo após prefeitura enrijecer quarentena contra o coronavírus

Canoenses são pegos de surpresa por decreto que volta a proibir uso de praças e shoppings Lauro Alves / Agência RBS/Agência RBS
Muitos frequentadores praticam esportes, sentam nos bancos das praças e ignoram faixas com proibição de uso das áreas verdes Foto: Lauro Alves / Agência RBS / Agência RBS

A prefeitura de Canoas voltou atrás e determinou fechamento do comércio e praças nos domingos e feriados, mas muita gente não sabe disso. GaúchaZH percorreu algumas das principais áreas verdes canoenses neste domingo (31) e em várias delas famílias passeavam normalmente, desfrutando do clima ameno. Sem saber que o que faziam está proibido.

Um casal abordado pela reportagem da praça Décio Rosa, bairro Boqueirão, chegou a se irritar e não acreditou quando foi informado de que não poderia estar passeando com as crianças naquele recando ao ar livre.

— Me mostra aí onde está o decreto. Não adianta só falar, tem de mostrar — desafiou o homem, um executivo que prefere não ter o nome publicado.

A mulher dele também estranhou a nova determinação, mas assegura que sua família toma os cuidados necessários. Todos portavam máscaras – usadas só ante a aproximação de estranhos – e ela garante que evita aglomerações.

Corredora cotinuou a praticar esporte na Praça Décio Rosa, em Canoas, mesmo após proibição de uso
Corredora continuou a praticar esporte na Praça Décio Rosa, em Canoas, mesmo após proibição de usoFoto: Lauro Alves / Agência RBS

— Tem um pouco de exagero nisso tudo. Estamos em quatro aqui, todos da mesma família, não vejo como nos contaminarmos. Mas em algumas praças sei que existem aglomerações de dezenas de pessoas, aí tem de agir mesmo — argumenta a frequentadora da praça Décio Rosa.

Nessa mesma praça, um esportista de fim de semana, sem máscara, sentava nos bancos, sem ligar para uma faixa colocada pela prefeitura, que diz: “Proibido acesso e circulação – domingos e feriados”.

Os restaurantes e shoppings também foram fechados aos domingos, após uma breve abertura, por algumas semanas, em maio. A medida surpreendeu a hipnoterapeuta Neuzah Castro, que pensava em fazer compras. Ela caminhou, mesmo com uma perna quebrada, até o Canoas Park Shopping e deu com as portas fechadas.

Movimento de domingo (31), na zona sul de Porto Alegre, coronavírus, covi-19<!-- NICAID(14511720) -->
Neuzah Castro se enganou e deu com as portas do shopping em Canoas fechadaFoto: Lauro Alves / divulgação

— Eu imaginei que fechava só após as 13h. Agora é pegar um aplicativo e voltar. As prefeituras deveriam se preocupar é com multidões de jovens que se reúnem nas praças ao anoitecer — desabafa Neuzah.

Neuzah se enganou. O decreto que permite funcionamento até as 13h de domingo vale apenas para supermercados. O comércio em geral e os shoppings não podem abrir nos domingos e feriados.

A medida conta com a simpatia de frequentadores do Parque Getúlio Vargas, fechado desde o início da pandemia (em março) e principal área verde no entorno do Canoas Park Shopping. Mauro Szezepanick, motorista, e sua mulher Priscila, analista de planejamento, elogiam o endurecimento da prefeitura.

— Na medida em que as pessoas deixam de tomar os cuidados necessários, tem de fechar, mesmo. O pessoal não respeita regras — resume Priscila.

Já Szezepanick prefere usar uma definição mais drástica:

— O povo é mal-educado, mesmo. Usa os equipamentos de ginástica das praças, anda em grupos, não usa máscara. Aí, só fechando — apoia.

Com relação a máscaras, uma em cada duas pessoas que a reportagem checou não estava usando a proteção, em Canoas.

O enrijecimento de regras em Canoas acontece diante de um aumento de 174% de casos de covid-19 em maio, logo após serem decretadas medidas de flexibilização do distanciamento social. A decisão de restringir circulação aos domingos aconteceu após o 100º caso de contaminação (hoje são 106) e a sexta morte por coronavírus. Em cinco dias foram 32 internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), que atingiram o limite de vagas para covid-19 (embora no geral as UTIs estejam com 75% de ocupação).

O curioso é que Canoas endureceu as regras sem estar entre as cidades gaúchas mais atingidas pela pandemia. Figura em 19º lugar no ranking de (30 contaminados por 100 mil habitantes), mesmo sendo o terceiro  município mais populoso do RS.

— O 100º caso foi um gatilho. A população meio que relaxou, o que nos preocupa. A ação do vírus piora com o inverno e precisamos ampliar restrições por 30 ou 40 dias, antes de chegarmos à capacidade máxima de hospitalização — ponderou o prefeito canoense Luiz Carlos Busato, em entrevista.

O prefeito cogita ampliar o decreto com restrições também ao sábado.

Para casos de covid-19 que requerem atendimento de média e baixa complexidade, Canoas conta com dois hospitais de campanha. Outros dois estão em construção.


 
 
 
 
 
 
 
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