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Papo Reto

Manoel Soares relata conversa com morador de rua: "Perdemos muito ao sermos preconceituosos"

Colunista escreve para o Diário Gaúcho aos sábados 

06/06/2020 - 05h00min


Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal
André Souza deu uma lição de vida

Quando passei de carro e vi sentado na calçada o morador de rua André Souza, concentrado nas páginas do livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco, fiquei espantado. Parte do meu espanto é porque André, apesar de estar na condição de morador de rua, ainda assim tentava mergulhar no mundo literário. Tomei a liberdade de interromper o momento de leitura para tentar entender o que estava acontecendo na cabeça daquele homem que, na calçada, voltava pelo 400 anos por meio do livro – que conta um mistério que se passa na Itália, na época medieval. Na conversa, pude ver que ele está consciente do mundo em que vive.

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André me disse que, nas ruas, é mais fácil ser um cachorro do que um homem negro. Ele leva um dia inteiro pra conseguir uma doação de R$ 20 para alimentar-se, mas, para seu cachorro, em uma hora consegue cinco quilos de ração. André é um exemplo de como perdemos muito ao sermos preconceituosos com quem está em situação de exclusão social. Perguntei a ele o que recomendaria para que as pessoas se tornem mais humanas, ele me disse: “Leiam Umberto Eco”.


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