Cris Silva: "Adolescentes e a pandemia" - Notícias

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Lá em Casa20/07/2020 | 12h28Atualizada em 20/07/2020 | 12h28

Cris Silva: "Adolescentes e a pandemia"

Colunista escreve sobre maternidade e família todas as sextas-feiras

Cris Silva: "Adolescentes e a pandemia" Agência RBS / Agência RBS/Agência RBS
Cris Silva Foto: Agência RBS / Agência RBS / Agência RBS

Eu recebi um pedido de uma leitora, a Claudia Guimarães, que mora no Rubem Berta, aqui em Porto Alegre. Ela me sugeriu que falasse sobre adolescentes na pandemia e o quanto o isolamento está mexendo com o comportamento deles. 

Entre tantas coisas que ela escreveu, me pedia: 

– Cris, me dá uma luz, uma dica! Aqui em casa, a coisa está tão difícil, um mau humor horroroso, e a cada dia parece que meus dois filhos, gêmeos, de 15 anos, estão mais revoltados.

Eu imagino! A adolescência é uma fase cheia de transformações. Lidar com os hormônios que estão à flor da pele, algumas cobranças em casa aparecem, a responsabilidade precisa ser maior, enfim, é a fase de transição da infância para a vida adulta. E, se antes a escola, os encontros com os amigos, o cinema e os shows eram escapes que ajudavam a deixar esse momento mais leve, certamente, com as privações do isolamento, a coisa não anda tão calma.

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Palavra da especialista 

Conversei com a Gabriela Crenzel, psiquiatra especialista em adolescência, e algumas ações podem ajudar pais como a Claudia, nossa leitora. 

– Uma boa forma de enfrentamento é conversar com serenidade sobre a real situação. É importante transmitir a certeza de que é uma situação passageira e que eles não estão passando por ela sozinhos. É recomendável observar se a criança ou adolescente realmente se tranquilizou após a conversa. É importante os pais ressaltarem que sempre estarão disponíveis para voltar a conversar a qualquer momento.

Confira, a seguir, a conversa que tive com ela.

Como os pais podem suprir a falta da escola e, principalmente, dos amigos?
– Sabemos que existem crianças e adolescentes que não gostam muito de ir para a escola, mas até os mais resistentes estão sentindo falta da rotina, do ambiente da escola, de ver as pessoas. Ajuda, sempre que possível, fazer encontros virtuais, tanto para estudar quanto para jogar e conversar sobre o que quiserem.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 07-07-2020: Como  as escolas particulares estão se preparando para o segundo semestre. Na foto, sala de aula no Colégio Santa Dorotéia (FOTO FÉLIX ZUCCO/AGÊNCIA RBS, Editoria de Notícias).
Salas de aula vazias, enquanto jovens ficam em casaFoto: Félix Zucco / Agencia RBS

É importante que os pais estabeleçam uma nova rotina regularmente?
– Sim, é importante ter uma rotina para organizar o dia. Esse tipo de organização pode ajudar a enfrentar a frustração e o tédio. Essa rotina deve ser revista regularmente e modificada sempre que necessário. Os adolescentes podem ter mais autonomia, mas também precisam ser auxiliados para que seus dias não se percam na "mesmice". É fundamental mexer o corpo e fazer atividades prazerosas, se dedicar a passatempos das mais diversas modalidades _ inclusive as mais rotineiras, como ver filmes e séries.

A que sinais os pais devem estar atentos no caso de adolescentes com histórico de depressão ou crises de ansiedade?
– É possível que, ao longo deste período, adolescentes e até adultos apresentem sentimentos vagos de medo, insegurança, apreensão, sensação de estranheza, tristeza e desânimo, além de momentos de irritabilidade e muitos outros sintomas. O ritmo de sono e o apetite podem ficar alterados, e isso é totalmente compreensível e razoável. Os parâmetros de gravidade são a duração, a intensidade e o grau de incapacidade que os sintomas estão causando.

Que dicas a senhora pode dar a pais ou responsáveis durante o isolamento social?
– Cada um pode colaborar na busca de saídas para os desafios do cotidiano. Ao perceber que a criança ou adolescente está com dificuldades, procurar observar e escutar de forma atenta, com serenidade, para acolher e trocar algumas palavras ou gestos que lembrem, para quem está sofrendo, de que não está só. Que estamos passando por um período que tem tempo para acabar, e que estamos fazendo este esforço para nos cuidar e para cuidar de todas as outras pessoas. E que, quando este período de isolamento terminar, poderemos voltar a encontrar os amigos e familiares, frequentar os parques, as praias, voltar a fazer os passeios que fazíamos e alguns novos, que podemos planejar enquanto estamos em casa.

Lá em casa vai ter... Filme!

Momentos de prazer, como assistir séries e filmes, são fundamentais. Então, eu separei nove dicas de filmes, alguns bem clássicos, sobre adolescência, que podem tornar esse isolamento mais divertido.

Filmes

/// Curtindo a Vida Adoidado (1986)
/// Clube dos Cinco (1985)
/// Digam o Que Quiserem (1989)
/// 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999)
/// Meninas Malvadas (2004)
/// As Vantagens de Ser Invisível (2012)
/// O Maravilhoso Agora (2013)
/// Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)
/// Quase 18 (2016)

Pérola

– Papai, a vovó vive em perigo?
– Por que, Bento?
– Porque o nome dela é Socorro.
Bento, cinco anos


 
 
 
 
 
 
 
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