Magali Moraes e a hora da despedida - Notícias

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Coluna da Maga08/07/2020 | 09h00Atualizada em 08/07/2020 | 09h00

Magali Moraes e a hora da despedida

Colunista escreve às segundas, quartas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e a hora da despedida Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Você já viveu um relacionamento longo com uma calça? E sofreu na hora em que essa relação chegou ao fim? Como é triste! Dizer adeus pra minha adorada calça doeu. Ela era uma segunda pele. Um dia foi verde oliva, ultimamente nem eu definia a sua cor. Minha companheira inseparável da quarentena (tudo menos jeans). Dois buracos nos fundilhos terminaram com a nossa história. Remendei três vezes, mas descosturava de novo e os rombos já estavam do tamanho do Itaimbezinho.

A linha mais resistente de todas cansou de segurar as pontas. Nenhuma agulha conseguia mais juntar os dois extremos do tecido. E eu poderia pegar um gripão com o vento encanado que entrava por ali. Essa calça vai deixar saudade. Seguirei meus dias em busca de uma igual, assim que o comércio abrir normalmente. Uma calça que nunca se entregou a manchas de comida. E sempre deu a volta por cima na máquina de lavar. Fácil de secar, nem precisava passar. Eu assobiava, ela vinha.

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Tesoura

Uma baixinha se apega quando acha uma calça que não precisa fazer bainha. E quem faz hoje em dia? Passa uma tesoura e pronto. Peraí! Eu poderia ter cortado ela pra fazer bermuda?! Não com aqueles fundilhos tão puídos. Sinto falta do fio puxado na coxa esquerda, que me distraía nas longas reuniões de trabalho. O celular encaixava direitinho no bolso da frente. Uma calça que nunca se importou quando eu abria o seu botão após o churras de domingo. Era praticamente uma amiga.

Só tenho a agradecer pelo companheirismo. Vai tranquila, calça amada! Sua missão foi cumprida. E olha a ironia da vida! Você se foi justo agora que eu iria (e vou) emagrecer. Queria tanto sentir o seu tecido descolando dos meus glúteos. Você seria a escolha certa pra usar na próxima visita ao cardiologista. Eu iria comprovar meu empenho mostrando o cós solto na cintura e dizendo "viu só como emagreci, doutor?" Nenhum jeans jamais chegará aos seus pés! Obrigada por ser meu uniforme. 


 
 
 
 
 
 
 
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