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Empreendedora14/09/2020 | 08h04Atualizada em 14/09/2020 | 08h04

Como ex-catadora de latinhas criou comércio online e passou a empregar indiretamente outras seis pessoas na Capital

Loja virtual nasceu há seis meses, após imprevisto na compra de um sapato

Como ex-catadora de latinhas criou comércio online e passou a empregar indiretamente outras seis pessoas na Capital Lauro Alves/Agencia RBS
Desde março, Jenifer Batista vende calçados pela internet Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

A denominação "catadora" não ofende. Pelo contrário, é dita com orgulho por Jenifer Batista, 28 anos. A moradora do bairro Alto Petrópolis, zona leste de Porto Alegre, repete que a reciclagem possibilitou a saída das ruas e formou a empreendedora. Hoje ela é dona de um e-commerce de calçados.

– Desistir nunca foi uma opção. Se tiver que voltar a catar latinha, eu volto. Foi o que me trouxe aqui. Não tenho vergonha nenhuma – diz.

A loja virtual Dream Store Conceito Básico - com páginas no Instagram e no Facebook – nasceu há seis meses, após um imprevisto na compra de um sapato: a companheira, Jaqueline Rocha, 31 anos, se arrependeu do modelo escolhido e sugeriu anunciar o par para reduzir o prejuízo. A partir daquele momento surgia o comércio que hoje tem seis revendedores, autônomos comissionados.

Jenifer, que já viveu em uma casa de 30 metros quadrados que abrigava 16 pessoas, é motivo de orgulho para a companheira, com quem divide hoje um imóvel que tem quase o dobro do espaço:

– Ela tinha tudo para ir por um caminho ruim, mas não. Se fosse eu, não conseguiria fazer metade do que ela faz – avalia Jaqueline, com visível orgulho.

Jenifer nasceu em Alegrete, e foi criada ao lado de três irmãos e dois sobrinhos. Os demais, acolhidos pela mãe “igual uma patinha que abre os braços e recebe os filhotes”, como carinhosamente compara. No chão de madeira, relembra, colchões eram espalhados para o grupo passar as noites. A única cama era da matriarca. Por vezes sem ter o que comer, se alimentavam do que havia sido descartado, ou em doações colhidas de porta em porta.  

– Nessa época a gente passou fome e até em bueiro eu dormi. Dizem que criança esquece, mas é mentira, criança não esquece - afirma.

No município da Fronteira Oeste, começaram todos a procurar materiais reciclados, renda que passou a ser o sustento do lar. Um tempo após um dos irmãos se mudar para Porto Alegre, os demais tomaram o mesmo rumo. A mãe segue vivendo no Morro Santana, próximo à primeira residência alugada pela família. “Apaixonada pelo morro”, diz a filha, a idosa não tem desejo de se mudar.

A iniciativa de Jenifer se opõe a um cenário que passou a ser corriqueiro na crise gerada pelas restrições impostas pela pandemia de coronavírus: o fechamento de estabelecimentos tradicionais na Capital. 

 Na sala e nos quartos do apartamento, as caixas de sapatos divertem as duas gatas de estimação, Frida e Havena – com o cuidado necessário para que as filhotes não destruam o papelão. O casal cuida das encomendas, do atendimento direto aos clientes e da divulgação. O aumento nos pedidos, para um fornecedor de São Leopoldo, no Vale do Sinos, ajuda a movimentar a economia na região, fato também celebrado por ambas. 

Atualmente, segundo seus cálculos, ela vende de 100 a 180 pares por mês, entre tênis, sandálias e outros acessórios.

- Quando a gente quer algo, a gente pode. Querer é poder. E eu sou a prova disso. A pandemia mostrou que o comerciante tem que se reinventar, e a informatização faz parte disso – analisa a microempresária.

A trajetória de Jenifer, de catadora à empreendedora, é contada em um canal no Youtube, o Conceito Básico. E você pode escutar a entrevista dela à Rádio Gaúcha no player abaixo:


 
 
 
 
 
 
 
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