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Coluna da Maga25/09/2020 | 09h00Atualizada em 25/09/2020 | 09h00

Magali Moraes e o lixo dos outros

Colunista escreve às segundas, quartas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e o lixo dos outros Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Que a gente produz cada vez mais lixo, eu não tenho dúvidas. Por isso mesmo, fico curiosa sobre o lixo dos outros (o meu já conheço). Quero bisbilhotar, no bom português. Dá pra aprender muito sobre o ser humano e os hábitos de uma casa. Será que meus vizinhos separam certinho o lixo seco do orgânico? Lavam o pote de iogurte antes de descartar? Faxinam as gavetas, se livram de tudo e depois se arrependem? Nos países ricos é comum jogar fora eletrodomésticos e não mandar consertar.

Mas não pense que eu faria aquela sujeira como os catadores de rua que reviram tudo, sem dó das calçadas. Eu queria ter visão de raio X pra enxergar dentro dos sacos. Ou então espalharia o lixo em cima de uma grande mesa pra analisar o conjunto da obra e comparar hábitos de consumo. Quando uma família começa a comer mais frutas e verduras, o lixo orgânico também fica saudável. O mesmo vale pra quem está numa fase só de telentrega: o lixo seco engorda de tantas embalagens.

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Folhetos

E a papelada que vai fora? Contratos antigos, recibos sem validade, rascunhos esquecidos, folhetos pegos no sinal fechado, revistas velhas, cópias erradas da impressora, folhas arrancadas de cadernos, receitas médicas de corpos já curados, restos de papéis coloridos da escola, bilhetes e fotos rasgadas em término de namoro, anotações que na época faziam sentido (agora não mais). Se juntar tudo, dá uma enciclopédia sem utilidade e cheia de história. Quebra-cabeças da vida real. 

De todos os contêineres de lixo do meu prédio, eu olharia primeiro o dos vidros. Não pelos copos e pratos quebrados, mas pelas garrafas de vinho. O que andam bebendo os meus vizinhos? Quais são as marcas preferidas de pasta de dentes, xampu, sabonete? Tem embalagem de granola? Caixa de bombom vazia? Muita poeira acumulada? Flores murchas? Brinquedos que já não alegram ninguém? Nosso lixo é testemunha da rotina que escolhemos. Pode até ser reciclado pra virar uma coluna.


 
 
 
 
 
 
 
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