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Coluna da Maga19/10/2020 | 09h00Atualizada em 19/10/2020 | 09h00

Magali Moraes: do começo ao fim

Colunista escreve às segundas, quartas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes: do começo ao fim Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Você termina tudo aquilo que começa? Semana passada eu tive uma pequena vitória: li um livro numa tacada só. Do começo ao fim. Embalei na leitura como nos velhos tempos. Fazia uma eternidade que isso não acontecia. Logo eu, que sempre gostei de ler. É verdade que a pandemia bagunçou nossos hábitos e a noção de tempo. De março pra cá, quantos séculos já se passaram? Mas não justifica. Livros são uma válvula de escape pra gente fugir da realidade e se refugiar em uma boa história.

Hoje em dia, a nossa concentração é uma colcha de retalhos. Prestar atenção dura segundos ou minutos. Logo encontramos outro estímulo. Uma coisa nova (e aparentemente mais interessante) pra ler, ver, fazer, pensar, procurar. Falta foco, sobra distração. O celular sempre na palma da mão é o campeão da dispersão. Se pegamos ele pra ver as horas, já lembramos de ver a temperatura, queremos ler as notícias, abrimos um aplicativo, uma notificação nos direciona pra outro lugar.

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Atento

As redes sociais treinam os nossos olhos pra fazer leitura dinâmica de tudo. E destreinam para um olhar mais atento do que acontece ao redor. Rolar o feed o tempo todo, quem nunca? E assim vamos exercitando a falta de foco. Essa sou eu, e aposto que não estou sozinha. Meu trabalho me faz ficar ligadona em tudo. O cérebro transborda. Pesquisar algo na internet é como cair na correnteza de um rio e ser levada de lá pra cá. Abrimos tantas janelas que nem lembramos o motivo inicial da pesquisa.

Pior é que esse comportamento sai da telinha e vem pra vida. Sabe quando você vai na cozinha tomar água, para no meio do caminho pra fazer outra coisa (e mais duas, três) até que chega na cozinha e nem faz ideia do que queria lá? Não é falta de memória. É atenção fragmentada. Por isso comemorei o simples fato de ter conseguido me concentrar na leitura de um livro. Do começo ao fim. Fiz mais: reli o último capítulo pra garantir que eu não tinha perdido nenhum detalhe importante.   


comportamento sai da telinha e vem pra vida. Sabe quando você vai na cozinha tomar água, para no meio do caminho pra fazer outra coisa (e mais duas, três) até que chega na cozinha e nem faz ideia do que queria lá? Não é falta de memória. É atenção fragmentada. Por isso comemorei o simples fato de ter conseguido me concentrar na leitura de um livro. Do começo ao fim. Fiz mais: reli o último capítulo pra garantir que eu não tinha perdido nenhum detalhe importante.   


 
 
 
 
 
 
 
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