Magali Moraes e o radinho ligado - Notícias

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Coluna da Maga23/10/2020 | 09h00Atualizada em 23/10/2020 | 09h00

Magali Moraes e o radinho ligado

Colunista escreve às segundas, quartas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e o radinho ligado Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Eternamente ligado, sabe assim? Dia e noite. De segunda a segunda. Muda a programação, alternam locutores, mas é sempre aquela voz ecoando. Um rádio que funciona sem parar faz companhia e preenche os silêncios da casa. Acho que é como um amigo imaginário. Tem e não tem alguém ali. Poderia ser a voz do pensamento, se não fossem as propagandas interrompendo o raciocínio. Tem outra: pensamentos não falam tão alto. Um radinho constantemente ligado é ruído e poluição sonora.

Tenho uma vizinha na praia que vive de rádio ligado. Não sei seu nome, nunca vi seu rosto, mas sei bem qual é sua rádio preferida. Se ela está em casa, tem radialista quase sem voz de tanto falar. Eu chego a sentir a minha garganta seca em solidariedade. É notícia e futebol o dia inteiro, em alto e bom som. Se fosse música, seria melhor ou pior? Já que o gosto musical é pessoal, prefiro as notícias. Agora cá entre nós, o que eu gostaria mesmo é de ouvir os passarinhos cantando.

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Tecnologia

Depois que inventaram os fones de ouvido, essa maravilha da tecnologia moderna, cada um pode ouvir (só pra si) o que quiser. Simples, né? Tem preço pra todos os bolsos. Se for sem fio tá resolvida a questão. Pode ouvir rádio 24h, aumentar o volume e se movimentar de lá pra cá. O radialista te acompanha. Eu amo ouvir música, e meus fones quase moram nos meus ouvidos. É como se eu estivesse numa bolha. Isolamento e individualismo. Só consigo me concentrar assim pra escrever.

Já o radinho ligado é arquibancada de estádio, casa cheia, presença constante. Parece ter mais alguém de carne e osso. Uma conversa que corre solta do quarto pra cozinha, da sala pro banheiro. Mas radinho ligado pula o muro e invade o espaço dos outros. Atrapalha na vizinhança e dentro do ônibus. Não temos escolha a não ser ouvir junto. Engraçado como tem gente que não consegue ouvir a voz do silêncio. Ele também fala coisas importantes se prestarmos atenção. Bom senso. Bom fíndi!


 
 
 
 
 
 
 
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