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Lá em Casa27/11/2020 | 07h00Atualizada em 27/11/2020 | 07h00

Cris Silva: "920 gramas de amor"

Colunista escreve sobre maternidade e família todas as sextas-feiras

Cris Silva: "920 gramas de amor" Agência RBS/Agência RBS
Cris Silva Foto: Agência RBS / Agência RBS

Vamos fazer um exercício? Você lembra o peso com que seu filho nasceu? Meu filho Matheus tinha 3.741 gramas. Era bem pequenininho e cabeludo. Agora, imaginem se ele tivesse nascido com 920 gramas! Foi o peso da Eva, que veio ao mundo com 27 semanas e, por conta disso, viveu seus primeiros 83 dias dentro de uma UTI, até ganhar peso, força e seguir a jornada da vida. 

O mês de novembro é dedicado a esses pequenos guerreiros, é o conhecido "Novembro Roxo", de sensibilização para a causa da prematuridade. O Brasil é o 10º país com mais partos prematuros no mundo, com cerca de 340 mil nascimentos de bebês nessas condições por ano, aponta a Organização Mundial da Saúde. 

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Em novembro de 2014, foi fundada, por Denise Leão Suguitani, a ONG Prematuridade.com, com sede em Porto Alegre (e acessível online em www.prematuridade.com), a única organização a atuar na causa em âmbito nacional. O trabalho da ONG se baseia em ações dedicadas à prevenção do parto prematuro, à capacidade de educação continuada para profissionais de saúde e à defesa de políticas públicas voltadas aos interesses das famílias de bebês prematuros e dos profissionais que cuidam deles. 

Eva
Eva, um pedacinho de amor!Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

– O sonho de ser pai ou mãe envolve inúmeras emoções e expectativas, principalmente o desejo de uma criança saudável. Mas, se esse bebê nasce prematuramente, é nosso dever enquanto sociedade garantir que ele receba o atendimento mais adequado e que seja acolhido com muito amor, para que tenha todas as condições para uma rápida e plena recuperação. Novembro Roxo é sobre isso: é sobre acolher a vida e cuidar do futuro – explica Denise.

Alerta em tempos de covid

Segundo Denise, quando a realidade do coronavírus se mistura à da prematuridade, o tema se desdobra em vários problemas. Todos são graves, mas três merecem maior atenção: o isolamento de prematuros na UTI, a evasão de consultas de gestantes e um quadro de pânico e desinformação. O pré-natal é uma das medidas mais eficazes para uma gestação saudável e completa. 

Para a fundadora da ONG Prematuridade.com, a apreensão das mulheres grávidas, das mães de prematuros e dos profissionais de saúde quanto à infecção pelo vírus é legítima, mas o efeito colateral de uma decisão extrema como a de faltar a uma consulta do pré-natal ou restringir a presença dos pais na UTI Neonatal pode levar a um agravamento contundente de casos e do quadro geral da prematuridade:

– Mesmo com o distanciamento social, é importante pensarmos estratégias para garantir o vínculo e o melhor desfecho possível para o bebê e para a família.

Dois milagres

Eva e Elis são irmãs e, hoje, estão com seis e dois anos, respectivamente. As duas nasceram prematuras. A irmã mais velha ficou 83 dias internada e, desde que saiu da UTI, nunca mais precisou voltar ao hospital nem teve complicações. Elis, a mais nova, teve uma jornada ainda maior no hospital: ficou 116 dias e nasceu com apenas um quilo e meio. 

Eva e Elis, manas prematuras.
Eva (E) e Elis, dois milagresFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Hoje, com dois anos de vida, está ótima. 

– A Eva e a Elis são super bem, se desenvolvendo bem na parte cognitiva e motora, são inteligentes... As duas brincam juntas e são os meus milagres – conta a mãe, Suellen Sátiro.

Pérola

– Mamãe, esse ano não vai ter Natal, né?
– Ué, filha, porquê?
– Porque o Papai Noel é do grupo de risco.
Tamara, seis anos


 
 
 
 
 
 
 
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