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Coluna da Maga30/11/2020 | 09h00Atualizada em 30/11/2020 | 09h00

Magali Moraes: um elefante na sala

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes: um elefante na sala Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Com o tamanho cada vez menor dos apês, é impossível ter um elefante de verdade na sala. E quem faria essa loucura? Calma, é só uma figura de linguagem. As metáforas que eu tanto gosto. São comparações com algo que a gente conhece. Uma relação de semelhança que facilita a compreensão. Dizer que tem um elefante na sala é se referir a um problema enorme, daqueles que não dá pra ignorar. Mas justamente por ser uma situação difícil de resolver é mais confortável fingir que não se vê.

Outra expressão que eu acho interessante é falar que a pessoa parece um elefante numa loja de cristais. Imagina a cena! Vai quebrar tudo ao redor. Pode ter certeza que estão falando de alguém grosseiro e indelicado, com atitudes ou gestos pesados. Pode ser ainda uma pessoa que se sente inadequada num lugar ou ocasião, e não combina com o contexto. Deslocada como um peixe fora d'água, sabe assim? Por outro lado, ter uma memória de elefante é um baita elogio. Quisera eu ter.

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Barulho

Mas voltando ao elefante na sala. Às vezes, pode ser simplesmente o barulho de um elefante que surge do nada e te pega de surpresa. Tem acontecido seguido aqui em casa. É que chegou um circo em Porto Alegre, e eu moro perto de onde eles estão instalados. O elefante na minha sala é apenas propaganda: o carro de som que passa na rua convidando pra assistir aos espetáculos. Um circo de verdade, dizem eles. Os melhores palhaços! Círculo da Morte! Mágicos, malabaristas e trapezistas! 

O som do elefante é tão simpático que me faz sorrir. Poderia ser a TV ligada em um canal infantil. Por causa da pandemia, desde março eu trabalho de casa. Estou sempre em reuniões por vídeo. A janela aberta, de repente passa o carro de som e lá vem o elefante pra sala. Por um segundo, eu me transporto pra uma arquibancada e espero a cortina de tecido vermelho abrir. Acho que só fui uma vez ao circo quando criança. Um elefante na sala pode ser um sopro de ingenuidade na vida adulta. 


 
 
 
 
 
 

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