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Inovando14/12/2020 | 11h51Atualizada em 14/12/2020 | 12h00

Com gravata borboleta e trajes de garçom, estudante encara calor de 40°C para vender água em sinaleiras de Porto Alegre

Pedro Renan Bustamante atua nas ruas há um mês para garantir uma renda extra

Com gravata borboleta e trajes de garçom, estudante encara calor de 40°C para vender água em sinaleiras de Porto Alegre Marco Favero/Agencia RBS
Pedro Renan, 22 anos, vende garrafas de água em sinaleiras de Porto Alegre Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Sem titubear, Pedro Renan Bustamante mantém o olhar fixo nas sinaleiras do cruzamento da Avenida Loureiro da Silva, com a Rua João Alfredo, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. O termômetro de rua, do largo Zumbi dos Palmares, marca 40⁰C na tarde desta sexta-feira (11). Assim que o sinal fecha, Pedro equilibra a bacia de gelo cheia de garrafas d'água sobre uma bandeja. Com trajes de garçom, circula, elegantemente, entre os veículos, vendendo o produto em sinaleiras da Capital.

Pedro tem 22 anos e é morador da zona sul de Porto Alegre. Estudante de Marketing na Fadergs, o jovem trabalhava em um hotel no centro da cidade, mas, desde abril, não está atuando em função da pandemia. Depois de seis meses em casa, estudando remotamente, decidiu procurar emprego. Com a dificuldade em conseguir uma vaga, optou por vender água na rua para ter uma renda extra.

O conhecimento de Marketing o ajudou nessa empreitada, ele percebeu que o comércio só daria certo com um diferencial: o traje. Por isso, sai às ruas com gravata borboleta, camisa social, colete, calça e sapato, quase como um garçom.

— Me vesti assim para chamar atenção mesmo. Ter um diferencial, e conseguir vender. As pessoas gostam, elogiam — diz ele, que é casado e mora com a esposa no bairro Hípica.

Pedro vende águas há cerca de um mês.  Durante a semana, atua na Avenida Loureiro da Silva e nos finais de semana comercializa as garrafas na orla de Ipanema. O jovem afirmou que está surpreso com os resultados, mas pretende encontrar um novo emprego:

— É para juntar uma grana. Mas é bom, estou conseguindo ganhar um dinheiro honestamente. Eu já fiz sacolé gourmet pra vender, mas decidi vender água. Dá pra pagar a faculdade, o rancho e as contas da casa.

O estudante conta ainda que tem um grupo de clientes fixos:

— Eu achei que não ia bombar tanto, até por causa do tempo. Tem que aproveitar quando tem sol. Mas tem uma clientela. Eles pagam antes e já agiliza depois. É um diferencial.

 
 
 
 
 
 
 
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