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Transtornos16/12/2020 | 08h56Atualizada em 16/12/2020 | 08h56

Por que os apagões se repetem a cada tempestade na Capital?

Diretor da CEEE explica quais investimentos estão sendo feitos para tentar evitar problemas no fornecimento de energia

Por que os apagões se repetem a cada tempestade na Capital? Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Postes de madeira, mais frágeis, costumam cair com ventos fortes de temporais, provocando danos na rede elétrica Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Jéssica Rebeca Weber
Jéssica Rebeca Weber

jessica.weber@zerohora.com.br

Moradores de Porto Alegre ficaram sem luz por dois dias após o temporal das 15h de domingo (13). Os transtornos provocaram prejuízos materiais, isolaram condomínios e afetaram até mesmo o abastecimento de água. A reportagem de GZH foi descobrir os motivos pelos quais os apagões se repetem sistematicamente na Capital.

Segundo a CEEE, uma das mais belas características de Porto Alegre é um dos motivos para os danos na rede elétrica. Por ser uma das capitais mais arborizadas do país, a Capital acaba sendo mais afetada por quedas de postes, galhos tocando a rede ou vegetais tombando sobre a fiação, que acabam provocando problemas na distribuição de energia, segundo justifica o diretor de distribuição da companhia, Giovani Francisco da Silva.

As tentativas da companhia de evitar novos problemas passam pela substituição de postes de madeira, que ainda existem na Capital, por postes de concreto, mais robustos e resistentes. Outra alternativa que pode diminuir os transtornos é a instalação de redes multiplexadas, também chamadas de ecológicas, que são mais resistentes ao contato com a vegetação. Giovani afirma que a companhia reforçou o investimento nos últimos cinco anos, chegando a cerca de R$ 300 milhões por ano em toda a área de atuação da companhia no Estado. 

A prefeitura de Porto Alegre tem realizado cerca de 2 mil manejos de vegetais por mês, segundo a Secretaria de Serviços Urbanos, e a CEEE é a responsável por podas quando há contato com a rede elétrica. 

— Existe uma limitação de poda, e a árvore, mesmo cortada, pode ocasionar o problema —  justifica Silva. 

Seja por uma questão estética ou por aumento da segurança e da confiabilidade, a substituição por fiação subterrânea é uma alternativa debatida há tempos na Capital. Mas não há perspectiva de novos investimentos em rede subterrânea, segundo a CEEE, já que o custo de implantação é dez vezes maior do que o da rede aérea. 

Demora resulta de grande número de ocorrências 

Bem como no temporal de janeiro, Giovani da Silva não considera que há uma demora na normalização do fornecimento de energia. Diz que havia equipes de sobreaviso, e outras foram remanejadas do interior e do Litoral à Região Metropolitana após o temporal, mas a demanda foi muito grande. 

No domingo, a companhia chegou a ter 250 mil dos 800 mil clientes da Região Metropolitana sem luz. No começo da tarde de terça-feira, eram 4 mil, fruto de casos pontuais da Capital, segundo ele. 

No topo da prioridade para consertos da fiação, estão os casos que podem representar risco à vida. Depois disso vem o restabelecimento de energia em hospitais, regiões com mais número de clientes e, por último, os chamados casos pontuais.

—  Logo nos primeiros atendimentos, o número de afetados cai bastante. Normalmente são grandes eventos, pega um bairro inteiro: cai alimentadores, e, após fazer o conserto, voltam 5, 8 mil clientes. Depois, com o passar do tempo fica mais vagaroso, porque são pontos mais isolados. É o ramal de uma casa, que rompeu, por exemplo. 

Ele afirma que, percentualmente, o número de clientes sem luz era baixo nesta terça, mas se solidariza:

— Imagino a pessoa sem energia desde domingo, vira um caos.

 
 
 
 
 
 
 
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