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Coluna da Maga29/01/2021 | 09h11Atualizada em 29/01/2021 | 09h12

Magali Moraes: alô, orelhão

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes: alô, orelhão Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Encontrei um velho conhecido esses dias na Serra Gaúcha: um orelhão. Ele chamou a minha atenção porque estava fora de contexto. Era quase uma atração turística, se não estivesse tão sujinho e abandonado. Aqui em Porto Alegre ainda devem existir alguns. Mas funcionam? As pessoas usam num aperto? Fazem chamada a cobrar? Todo mundo tem celular hoje em dia. Mandar áudios e mensagens de texto são hábitos mais comuns. E quem ainda sabe de cor um número pra ligar?  

Mesmo adorando uma videochamada grátis, eu voltei no tempo em que a gente pagava pra fazer fila e esperar a vez de usar o orelhão. O barulho da rua atrapalhava a conversa. Pegar aquele bocal recém usado por um desconhecido e falar bem de pertinho era o normal. Ninguém pensava em desinfetar. A única preocupação era ter fichas o suficiente pra terminar a conversa. E já avisava: "É a última ficha, logo vai cair". A ligação realmente caía. Até quem esperava atrás ficava sem ouvir o final.

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Jovens

Privacidade zero. Isso não mudou, a gente segue ouvindo as conversas de quem grita no celular. Será que não cai a ficha? Jovens, eu explico. Ficha era tipo uma moeda que a gente comprava pra fazer o orelhão funcionar. A ligação acontecia quando a ficha caía lá pra dentro, e dava linha pra discar. Vem daí a expressão "caiu a ficha". Quando se demora pra entender algo. O orelhão precisava de um tempinho pra completar a ligação. E quem tinha cadeado no telefone de casa esperava numa boa. 

Às vezes, era tanta ficha que lotava o coitado (especialmente o do centrinho na praia). Só achando outro. Ou ia na telefônica, entrava em uma das cabines fechadas e a telefonista ligava. Quem morava na frente de orelhão público podia dar aquele número e correr na rua pra atender quando tocava: "É pra mim!!" Barato, hein? Essa coluna foi feita com lembranças de amigos que viram a minha foto conversando no tal orelhão. Com quem eu falava? Com as férias. "Alô? Tô indooo!". Volto dia 19 de fevereiro.


 
 
 
 
 
 
 
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