Manoel Soares escreve a quem perdeu alguém especial para a covid-19: "Não deixe que ela leve o amor que mora em você" - Notícias

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Papo Reto09/01/2021 | 05h00Atualizada em 09/01/2021 | 05h00

Manoel Soares escreve a quem perdeu alguém especial para a covid-19: "Não deixe que ela leve o amor que mora em você"

Colunista, que escreve no Diário Gaúcho aos sábados, dedica o texto a uma amiga

Manoel Soares escreve a quem perdeu alguém especial para a covid-19: "Não deixe que ela leve o amor que mora em você" Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Amigos, esse ano promete muito, mas também vai exigir que usemos nossas armaduras espirituais. Pessoas que amamos viram anjos em questão de dias. Somos atingidos por uma sensação que nem podemos chamar de dor, pois é algo que nos deixa tão impactados que a garganta sente as garras do destino apertando com uma força tão grande, que até o ar dói ao entrar. 

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Quem fica, suplica ao universo só mais uns minutos, só mais um pouquinho. Mas parece que as estrelas são surdas nessa hora, só brilham como se nos dissessem que nossas pessoas amadas estão bem. Aos poucos, o que a covid-19 leva dá lugar a um ciclone de força que nos faz ter a necessidade de honrar a vida que se foi vivendo com a intensidade que aprendemos com ela antes de partir. 

Motivos para lembrar

Aos familiares que, ao abrir os olhos, pedem algo que anestesie esse pesadelo, meu respeito e desejo que a ausência do corpo dê lugar à forma mais intensa da presença do amor que existia entre vocês. Não me atrevo a dizer que tudo vai ficar bem, nem a dizer que amanhã você vai estar melhor. O luto é uma dor que ganha novos contornos a cada dia: uma comida, um cheiro, uma música, uma paisagem, tudo vai ser motivo para lembrar que ela se foi e não vai voltar mais. 

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Mas o que posso dizer a você que hoje, nesse começo de 2021, amarga um luto, é que a covid já levou quem você ama, não deixe que ela leve o amor que mora em você. Precisamos levantar a cabeça com a fúria da beleza do sol. Fazer com que cada segundo vivido por vocês sirva de combustível para que, ao chegar nos pódios da vida, você diga para esse amor presente pelo corpo ausente: obrigado por me fazer ser quem sou. Dedico este texto à minha amiga Lis que, hoje, para ver sua mãe, Zita, olha para o céu.

 
 
 
 
 
 
 
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