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Parceria com a China13/01/2021 | 09h07Atualizada em 13/01/2021 | 09h07

Tem dúvidas sobre a CoronaVac? Veja perguntas e respostas sobre a vacina do Instituto Butantan

Eficácia geral do imunizante é de 50,38%, o que significa que reduz pela metade as chances de manifestação de sintomas do coronavírus

Tem dúvidas sobre a CoronaVac? Veja perguntas e respostas sobre a vacina do Instituto Butantan NELSON ALMEIDA/AFP
Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Quando a eficácia geral da CoronaVac foi revelada nesta terça-feira (12), diversas dúvidas surgiram: por ser de 50,38%, a vacina contra covid-19 do Instituto Butantan seria pior do que a da Pfizer (95%) e a da Moderna (94,5%), por exemplo? Como o percentual foi diferente do que foi divulgado anteriormente, de redução de 78% nas chances de adoecimento em quadro leve e de 100% nos casos moderados e graves?

A vacina só poderá ser aplicada no Brasil a partir da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Butantan já fez o pedido de uso emergencial, e a agência reguladora deu prazo de até 10 dias para fornecer uma resposta (a questão deve ser analisada em uma reunião no próximo domingo). Até agora, o Butantan já recebeu 11 milhões de doses importadas da China

O ministro Eduardo Pazuello projeta o início da vacinação com a CoronaVac no Brasil para 20 de janeiro com as primeiras 6 milhões de doses que o Ministério da Saúde deverá receber do Butantan — foi assinado um contrato para 100 milhões de doses. O governo de São Paulo definiu o começo da aplicação no Estado em 25 de janeiro

Confira abaixo uma série de questões a respeito da vacina chinesa:


Qual a eficácia geral da CoronaVac?

50,38%. 


O que isso significa?

Que a CoronaVac reduziu pela metade os adoecimentos por coronavírus em qualquer intensidade da doença. O estudo não acompanhou se as pessoas poderiam infectar outros indivíduos, uma incógnita para outras vacinas também.

O estudo da CoronaVac contou com 9.252 profissionais da saúde, sendo que 4.653 foram imunizados e 4.599 receberam placebo – isto é, são o grupo que serviu como base para os cientistas monitorarem se a vacina de fato funcionaria. 


Por que a eficácia difere do anunciando anteriormente?

Apesar de diferentes, não existe contradição entre os números: eles apenas se referem a grupos de voluntários com gravidades diferentes de sintomas. 

A eficácia geral da CoronaVac é de 50,38%, o que significa que a vacina reduz pela metade as chances de manifestação de sintomas para coronavírus, fossem sintomas muito leves, leves, moderados ou graves. O estudo não acompanhou assintomáticos. 

As eficácias divulgadas na semana passada se referem ao que cientistas chamam de “desfecho secundário” – ou seja, os efeitos da vacina para quadros específicos de covid-19. A CoronaVac reduziu em 78% as chances de adoecimento em quadro leve e em 100% os casos moderados e graves (que exigem internação em leitos clínicos ou Unidades de Terapia Intensiva), o que previne, por consequência, a morte. 


Entenda os números do estudo

  • 9.252 pessoas fizeram parte do estudo. 
  • Destas, 4.653 foram vacinadas com a CoronaVac e 4.599 não foram vacinadas.
  • Nos dois grupos, 252 pessoas se infectaram
  • Dos infectados, 167 não haviam sido vacinados e 85 haviam recebido a CoronaVac
  • Desta forma, quem tomou a CoronaVac ficou 50,38% mais protegido contra o coronavírus. 
  • Eficácia geral para sintoma muito leves, leves, moderados e graves: 50,4%
  • Eficácia em casos leves: 78%
  • Eficácia em casos moderados e graves: 100%

A eficácia é para todos os tipos de pessoas?

Não. Foram testados profissionais da saúde com 18 anos ou mais. O estudo ainda não incluiu grávidas, crianças ou bebês, e pessoas com doenças imunológicas, neurológicas ou alérgicas foram excluídas.


A taxa de 50,38% de eficácia geral é ruim?

Não. Apesar de a CoronaVac ter eficácia bem menor do que outras vacinas – a da Pfizer, por exemplo, chegou a 95% –, nenhum médico afirma que uma proteção geral de 50,4% seja ruim no atual momento da pandemia. 

O patamar está acima do mínimo exigido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é de 50% na proteção geral. 

O resultado é positivo primeiro porque a vacina tem potencial de reduzir pela metade as buscas de pacientes com quadro leve de coronavírus por postos de saúde e diminuir em 100% as chances de quadro moderado ou grave da doença, o que implica menos mortes e procura por hospitais. 

— A gente acabaria com a pandemia e principalmente com a sobrecarga do sistema de saúde. Essa é uma doença que ocupa de um terço a um quarto dos leitos hospitalares. Em nenhuma doença até este momento se viu isso. Conseguir reduzir esse nível de ocupação e de sobrecarga é o que a gente quer, mesmo que tenhamos uma circulação viral ainda presente na comunidade — afirmou à Rádio Gaúcha Fabiano Ramos, médico infectologista e coordenador dos estudos da CoronaVac no Rio Grande do Sul. 

Os 100% de proteção contra casos moderados e graves ainda não estão consolidados: como houve apenas sete casos graves diagnosticados nos 4.599 pacientes do grupo placebo, mais tempo de estudo precisa transcorrer – ou seja, mais pessoas que não tomaram a vacina precisam se infectar para haver a confirmação do quanto a CoronaVac protege os vacinados contra sintomas graves. O próprio Butantan reconhece a limitação, mas afirma que a proteção contra casos mais graves parece ser uma tendência. 

— É um excelente notícia. Teremos 50% de pessoas a menos buscando atendimento de saúde e uma proteção de 100% para casos que procurariam hospitais e UTIs. Teremos que vacinar mais as pessoas (para alcançar a imunidade de rebanho), mas, neste momento, no qual queremos combater rapidamente a pandemia, essa vacina é maravilhosa. Os paraefeitos (efeitos adversos) são, também, mínimos — afirma Luciano Goldani, professor de Infectologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e médico infectologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.


A eficácia da CoronaVac é ruim frente a outras vacinas?

Não. Outras imunizações que fazem parte do Plano Nacional de Imunização (PNI) têm eficácia semelhante à da CoronaVac e trazem grandes benefícios à saúde pública ao prevenir milhões de mortes todos os anos. 

— A vacina da rotavírus tem 40% de eficácia para eliminar doença e 80% para eliminar óbitos. Hoje, não vemos mais mortes por rotavírus no pais — destacou à Rádio Gaúcha Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

Outro exemplo é que a vacina da gripe tem eficácia entre 60% e 70%, mas, em alguns anos, a depender do vírus influenza que circule, ficou por volta de 50%. 

Frente a outras vacinas contra a covid-19, a CoronaVac de fato tem eficácia menor. A da Pfizer tem 95%; da Moderna, 94,5%; da Gamaleya, 90%; da AstraZeneca, entre 62% e 90%.


Qual a vantagem da CoronaVac frente a outras vacinas? 

A vacina do Butantan tem a seu favor, assim como a vacina de Oxford, a facilidade na logística de distribuição: não é preciso um ultracongelador para o armazenamento. Basta usar os mesmo equipamentos de todos os anos para a vacinação dos brasileiros contra qualquer doença. 

Além disso, analistas destacam que o Brasil não tem nenhuma vacina, então, uma imunização que reduza pela metade a chance de adoecer já é uma grande conquista em termos de saúde pública. 


Por que a eficácia da CoronaVac foi menor?

Uma possível explicação, dada por Ricardo Palácios, diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, é de que o estudo analisou profissionais da saúde, que estão em maior risco de exposição. Assim, no fim do estudo, mais pessoas foram contaminadas e, por consequência, a eficácia geral da CoronaVac foi menor. Leia mais detalhes nesta reportagem


Por que a eficácia é diferente entre países?

A CoronaVac apresentou uma eficácia geral de 50,4%, abaixo dos 91% na Turquia e dos 63,5% na Indonésia. O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, explica que estudos podem ter desempenhos diferentes a depender do país por conta da população escolhida, da idade e da comorbidade, mas também de fatores externos, como a demografia da população, a profissão (algumas se expõem mais à covid-19), o clima (muita poluição faz mal à saúde) e o nível de pobreza da região. 

— Uma população com situação econômica mais favorável tem menos pressão de outras doenças. No caso do rotavírus, a vacina em países desenvolvidos tem até 95% de eficácia. Em países pobres, fica entre 40% e 50%. Em compensação, o impacto da vacina é muito maior em países pobres porque a carga da doença é maior e o sistema de saúde é menos preparado para lidar com formas graves. Em países pobres, morrem mais pessoas de diarreias — afirma Cunha.  


A vacina vai impedir que eu infecte meus familiares e amigos?

Nenhum estudo está acompanhando isso, portanto, não há resposta para essa pergunta. Analistas especulam que as vacinas não devem impedir que uma pessoa contaminada infecte outras, o que exigirá que sigamos usando máscara e evitando aglomerações até o Brasil alcançar a imunidade de rebanho. 


Quais foram os efeitos adversos?

A CoronaVac é considerada uma vacina extremamente segura. Não houve registro de efeitos adversos graves, e apenas 0,3% dos vacinados tiveram reação alérgica. Dos efeitos leves, o mais comum foi dor no local da injeção, mas também foram registrados dor de cabeça, fadiga e dor muscular. 


A vacina poderá ter a segunda dose adiada?

O Ministério da Saúde cogita adiar a segunda dose da vacina de Oxford, o que levantou especulações sobre a possibilidade de também postergar a segunda injeção da CoronaVac. 

O estudo da vacina chinesa estipulou um intervalo de 14 dias, mas, na coletiva de imprensa, o diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, Ricardo Palácios, afirmou que o intervalo foi desenhado porque os voluntários eram profissionais da saúde, em maior risco para a doença. 

— Ao encurtar o tempo entre as doses, pode ter um menor tempo de resposta imune. Um intervalo de quatro semanas seria excelente e não teria impacto — afirmou Palácios.

Mas o presidente da SBIm, o médico Juarez Cunha, faz a ressalva de que, com uma eficácia de 50,4%, há risco de apenas uma dose inviabilizar uma imunidade suficiente aos brasileiros. 

— Se, com duas doses, eu tenho 50% de eficácia, então com uma dose eu terei uma eficácia menor. Há risco maior de postergar a segunda dose — afirma.

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