Menino de sete anos que nunca cortou o cabelo vai vender mechas para ajudar criança com paralisia cerebral - Notícias

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Gravataí08/02/2021 | 11h50Atualizada em 08/02/2021 | 11h56

Menino de sete anos que nunca cortou o cabelo vai vender mechas para ajudar criança com paralisia cerebral

Iniciativa partiu do próprio garoto após conhecer a história de Breno Menezes, cinco anos

Menino de sete anos que nunca cortou o cabelo vai vender mechas para ajudar criança com paralisia cerebral Lauro Alves / Agencia RBS/Agencia RBS
Antes: Bruno Linhares dos Santos resolveu antecipar combinação que tinha com os pais Foto: Lauro Alves / Agencia RBS / Agencia RBS

Bruno Linhares dos Santos tem uma energia cativante. Como toda criança ativa, corre entre os acessos do mercadinho da família, vai à calçada e volta, abraça os pais e retorna para a rua – com a vasta cabeleira por vezes sobre o rosto ou carregada pelo vento. Ele nunca havia cortado o cabelo, nos sete anos de idade.

Na tarde de sexta-feira passada, porém, ele deixou as mechas em um salão de beleza. Por uma boa causa: os fios, com mais de meio metro de comprimento, serão vendidos e o valor doado a uma criança com paralisia cerebral.

– Eu vou cortar para ajudar o Breno a fazer tratamento para andar, falar e comer – conta, rindo.

Campanha

Breno Menezes, cinco anos, teve paralisia cerebral por complicações no parto. O cordão umbilical ficou preso em volta do pescoço do feto, o que diminuiu a oxigenação do cérebro. Ele se locomove com dificuldade e pouco se comunica – com sessões de fisioterapia, ficou de pé pela primeira vez, e flutuou com a ajuda de uma boia em uma piscina, registro que emociona quem assiste ao vídeo caseiro.

Para arcar com as despesas, os pais criaram um brechó, vendem rifas e há também uma campanha permanente, por meio de uma vaquinha online. O custo gira em torno de R$ 8 mil por mês, entre consultas, seções de reforço muscular e medicações. Os pais vivem em Morungava, distrito de Gravataí, e são professores em escolas da Região Metropolitana.

Inicialmente, o cabelo de Bruno não era cortado por desejo do pai, o comerciante Sinclair Linhares dos Santos, 44 anos. O garoto cresceu, gostou e decidiu manter o visual. O pai, porém, conta que eles fizeram um acordo: ao fazer oito anos, Bruno teria os cabelos cortados e entregaria os fios a alguma instituição de apoio a crianças.

A relação entre Bruno e Breno começou há poucas semanas, a partir de uma fotografia. A imagem do garoto na cadeira de rodas foi mostrada pela vizinha Salete Graminho, 56 anos, voluntária na arrecadação de itens para os bazares solidários. Os moradores residem próximo ao Parque dos Anjos, em Gravataí.

Bruno Linhares dos Santos, sete anos, cortou os cabelos compridos para ajudar o menino Breno Menezes, cinco anos, teve paralisia cerebral por complicações no parto.
Depois: nesta sexta, ele cortou a cabeleira para auxiliar outro meninoFoto: Lucilene Lima dos Santos / Arquivo Pessoal

Iniciativa partiu do garoto após conhecer Breno 

O aniversário de Bruno é no fim deste mês, mas ao conhecer Breno, o menino decidiu antecipar a doação.

– Somos pobres, mas ensinei a sempre ajudar o próximo. E ele é um guri muito bom, aprendeu isso. Meus dois filhos são anjos, tudo que eu pedi a Deus – agradece Sinclair, citando também o filho de 16 anos.

Na manhã de sexta passada, ao ouvir Bruno explicar o que o motivou a cortar o cabelo cultivado desde o nascimento, Salete cobriu o rosto com as mãos, emocionada.

– Isso ensina para a gente não se queixar tanto das coisas. Olha como a Camila (Camila Menezes, mãe de Breno) é guerreira – cita a voluntária. 

Antes de entregar as madeixas, Bruno já fez uma doação: um saco de roupas e brinquedos que reforçaram o estoque do brechó.

Nailton Menezes, 45 anos, pai de Breno, conheceu o doador no dia do corte. Eles haviam feito apenas contato por telefone.

– As coisas do coração são assim. Mesmo sem conhecer, as pessoas nos ajudam. Só posso agradecer, sem palavras. 

Lucilene Lima dos Santos, 44 anos, espera receber quase R$ 1 mil pelos cabelos do filho. Ela afirma conhecer uma menina que cobrou R$ 600 por mechas mais estreitas do que a cultivada na sua casa. Sem valor, a atitude que nasceu em Gravataí deve se multiplicar por outras cidades, esperam as famílias.

PARA CONHECER A HISTÓRIA DO BRENO

/// Acesse @todospelobreno no Instagram.
/// Doe na vaquinha online.

Ouça a entrevista de Bruno e dos familiares à Rádio Gaúcha


 
 
 
 
 
 
 
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