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Coluna da Maga05/04/2021 | 09h00Atualizada em 05/04/2021 | 09h00

Magali Moraes e as distrações caseiras

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e as distrações caseiras Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Desconfio que a gente se distrai porque se sente literalmente em casa. É o nosso CEP, território, paraíso, cantinho particular. Então nos permitimos deixar a cabeça voar. Circulamos entre cômodos e paredes que conhecemos tão bem, nada de ruim pode acontecer. O celular é esquecido em algum lugar. Sabemos que ele está embaixo do mesmo teto, logo mais aparece. Também somem as chaves, carteira, bolsa, máscara. Distração ou jogo de esconde-esconde? A mente quer brincar.

Deve ser a nossa atenção, sempre tão ligada, pedindo uma folguinha. Um momento clássico de distração caseira é escovar os dentes caminhando pela casa. Tão bom, né? Só fecha a torneira antes. Quem nunca saiu mastigando as cerdas da escova enquanto arruma a cama ou abre uma gaveta, não sabe o que está perdendo. Os dentes ficam mais brancos? Não garanto. Distração é querer achar algum colorido por aí. Ficar parado na frente da pia ou dar um rolê até a sala, quarto ou cozinha? 

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Pensamentos

Quando damos essas voltinhas avoadas pela casa, parece que os pensamentos circulam melhor. É tipo janela aberta renovando o ar. Estamos soltos e leves, sem rota definida, só pensando na vida. Às vezes uma chaleira ligada é esquecida no fogão, e a água seca. Acontece. As distrações caseiras fazem esse tipo de pegadinha. Por causa delas, interrompemos ações. Em um minuto, começamos a fazer a lista do súper. No outro, guardamos roupa limpa. Toca a campainha. E a lista, pela metade.

Plantas são grandes fontes de distração. É um tal de "tem folha nova nascendo", "preciso comprar mais terra", "qual foi a última vez que molhei essa coitada?". E no caminho entre buscar água e molhar o vaso, outra coisa dentro de casa chama a nossa atenção. Mais do que nunca, essas distrações são terapêuticas. Nos fazem esquecer a realidade. Nos protegem dos males. Não sei o que seria de mim sem elas. No refúgio de casa, qualquer bobagem que me ocupe é um ponto a mais pra minha saúde mental.    


 
 
 
 
 
 
 
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