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Explica Aí05/06/2021 | 05h00Atualizada em 05/06/2021 | 05h00

O Diário Gaúcho te ajuda a entender a alta no preço do gás de cozinha

A colunista de GZH Marta Sfredo explica o que está acontecendo com o preço do gás de cozinha, que encosta nos R$ 100 no Estado

O Diário Gaúcho te ajuda a entender a alta no preço do gás de cozinha Félix Zucco / Agencia RBS/Agencia RBS
No Rio Grande do Sul, o máximo chegou a R$ 95, ou seja, encostou em R$ 100 Foto: Félix Zucco / Agencia RBS / Agencia RBS

O que termina antes, o salário ou o gás? Desde o início deste ano, os aumentos do preço do botijão de 13 quilos de gás de cozinha têm deixado famílias preocupadas com colocar comida na mesa e, também, em ter como prepará-la. No final de maio, o preço mais alto encontrado pela pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) no Brasil era de R$ 120, quase todo o valor pago pelo menor benefício disponível do auxílio emergencial. No Rio Grande do Sul, o máximo chegou a R$ 95, ou seja, encostou em R$ 100.

Por que o preço sobe tanto?

O gás de cozinha é um derivado do petróleo, como gasolina e diesel. Tanto, que seu nome "oficial" é GLP, de gás liquefeito de petróleo. No Brasil, a Petrobras define os preços desses produtos com base em dois outros valores: o do barril de petróleo no mercado internacional e o do dólar por aqui. E essas duas cotações subiram praticamente sem parar nos últimos meses. Por isso, acabam pressionando também o preço do botijão de gás.

Não é possível reduzir esses reajustes?

O "dono" da Petrobras é o governo federal, mas a estatal também tem ações negociadas no mercado. Isso significa que o governo tem "sócios" na empresa que decide os valores, que não aceitam ter prejuízo com a cobrança de um valor menor do que o praticado em outros países. A situação chama ainda mais atenção porque durante 10 anos, entre 2005 e 2015, o preço do botijão não sofria reajustes, ou seja, ficou praticamente "congelado". Economistas criticam esse tipo de política, porque beneficia tanto quem precisa, as famílias de renda mais baixa, quanto os ricos, que não precisam de ajuda para pagar o preço do gás.

E não há outra solução?

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque,  tem dito que está trabalhando com o Ministério da Cidadania para encaminhar a criação de um auxílio-gás. Segundo o ministro, o prazo para encontrar uma fórmula que beneficie apenas famílias de baixa renda iria até o final deste mês (junho). O problema é que o governo não costuma ser muito bom em cumprir os prazos que ele mesmo anuncia. Também existe um projeto de lei (1.507/2021) no Senado, do senador gaúcho Paulo Paim, que prevê a criação desse auxílio, mas é difícil passar porque os legisladores não podem criar despesas sem indicar de onde vai sair o dinheiro para pagar. Sim, todos nós teríamos várias sugestões do que cortar _ começando por algumas emendas parlamentares _ mas em Brasília tudo "são outros 500".

Não existem alternativas ao gás para cozinhar?

Quando o gás termina antes do recebimento do salário, famílias costumam apelar para soluções improvisadas e até arriscadas, como a queima de etanol vendido em posto. Outra saída acaba sendo o uso de lenha, que no Sul, durante o inverno, ainda ajuda a aquecer. O risco é bem menor, mas também existe. Uma pesquisa do IBGE que chegou a apontar aumento na queima de madeira de quase 30% entre 2016 e 2019 deixou de incluir essa informação. Há outras tentativas em estudo, como um teste da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com um "fogão solar" que assa e cozinha alimentos para substituir o GLP e evitar outro improviso comum no Nordeste: a retirada de vegetação da caatinga para cozinhar.

 
 
 
 
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