Vacina da Pfizer ganha protagonismo e promete ser a segunda mais aplicada no Brasil - Notícias

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Avanço da imunização04/06/2021 | 09h40Atualizada em 04/06/2021 | 09h40

Vacina da Pfizer ganha protagonismo e promete ser a segunda mais aplicada no Brasil

Cronograma do Ministério da Saúde prevê 200 milhões de doses do laboratório norte-americano ainda neste ano, atrás apenas da AstraZeneca

Vacina da Pfizer ganha protagonismo e promete ser a segunda mais aplicada no Brasil Itamar Aguiar / Palácio Piratini/Divulgação/Palácio Piratini/Divulgação
Lote com doses da Pfizer chegou ao aeroporto Salgado Filho das 14h desta quinta-feira (3) Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini/Divulgação / Palácio Piratini/Divulgação

Após grande expectativa para chegar ao Brasil, a vacina da Pfizer/BioNTech começa a rechear os freezers de postos de saúde de todo o país e caminha para se tornar uma das protagonistas na campanha de imunização contra a covid-19 neste ano.

O último cronograma do Ministério da Saúde prevê mais de 200 milhões de doses da Pfizer até o fim de 2021, de modo que o imunizante se tornará o segundo mais utilizado em todo o país – atrás da AstraZeneca, que terá 222 milhões acordadas (veja no infográfico). A partir de junho, a Pfizer já se tornará a segunda vacina mais em uso no país.

Caso o Rio Grande do Sul siga recebendo 6% das doses distribuídas nacionalmente, um padrão até agora, isso significaria 12 milhões de unidades da Pfizer ainda este ano, o suficiente para mais da metade dos gaúchos. A expectativa de gestores é de que o Estado chegue próximo à vacinação de 70% dos habitantes por volta de setembro. Nesta quinta-feira (3), uma carga de 38.610 doses da Pfizer chegou ao aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, por volta das 14h.

— A vacina da Pfizer ultimamente está se tornando protagonista em função, principalmente, de não haver risco grave aparente e de não depender tanto de relações institucionais em nível internacional. O que tem travado muito a vacina do Butantan e a da Fiocruz é a chegada de matéria-prima. E isso se corrige com a Pfizer — sintetiza o diretor da Vigilância em Saúde da prefeitura de Porto Alegre, Fernando Ritter.

A vacina da Pfizer, segundo a fabricante, tem 94% de eficácia, um valor que surpreendeu cientistas assim que foi divulgado. O produto usa a inovadora tecnologia de RNA mensageiro, vista por analistas como o futuro dos imunizantes.

A maior relevância da vacina da Pfizer acontece após o governo Jair Bolsonaro ignorar nove ofertas formais de venda, segundo declarou à CPI da Covid o ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo, que estava no cargo quando a empresa começou a negociação, em agosto do ano passado.

O imbróglio foi sanado neste ano, quando o Ministério da Saúde, pressionado pela lentidão da campanha, fechou dois acordos com a farmacêutica norte-americana, totalizando 200 milhões de doses a serem entregues neste ano – 100 milhões entre junho e setembro e mais 100 milhões entre outubro e dezembro. Agora, o imunizante é o responsável por acelerar a campanha, proteger professores e avançar em novas faixas etárias.

A boa notícia de mais doses foi coroada em maio, quando o Ministério da Saúde liberou que a vacina da Pfizer seja armazenada por até 31 dias entre 2ºC e 8ºC, algo acessível para qualquer posto de saúde do país. Antes, a previsão era de conservação a temperaturas em torno de -70°C, algo possível somente com ultrafreezers, um equipamento restrito. A mudança foi fundamental para o uso no interior do Brasil, destacou o presidente do Conselho das Secretarias Municipais da Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems-RS), Maicon Lemos.

— A vacina da Pfizer está relacionada ao avanço da vacinação no país. E isso de poder ficar 31 dias entre 2ºC e 8ºC é muito positivo. Se não fosse autorizada a conservação da Pfizer assim, não conseguiríamos atender a essa nova etapa porque nem todos os municípios tinham condições de armazenar no cenário anterior — afirma Lemos, também secretário da Saúde de Canoas.

Médicos entrevistados por GZH destacam que o Brasil, admirado mundialmente pela experiência em vacinar massivamente a população pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apenas necessitava de mais doses para engrenar na campanha – algo que deve ocorrer no segundo semestre, muito por conta da entrada da Pfizer no mercado nacional.

— A Pfizer vem preencher uma lacuna importante, que é a falta de vacina para toda a população. A gente poderia estar fazendo isso há quatro meses, poderíamos ter evitado milhares de mortos. O Brasil era prioritário para a Pfizer porque ajudou no estudo de fase 3, assim como fomos prioritários para a AstraZeneca porque fizemos o estudo de fase 3 aqui — diz o médico Eduardo Sprinz, chefe do setor de Infectologia e coordenador dos testes com vacinas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Empresa garante cronograma

A Pfizer informa, por meio de nota, que “reafirma o compromisso para a entrega de 200 milhões de doses até o final de 2021”, conforme cronograma estipulado em contrato. “Estamos trabalhando junto ao Ministério da Saúde nas etapas necessárias para que as entregas ocorram conforme o cronograma estimado”, acrescenta.

Após dúvidas nos últimos meses, a percepção empírica de médicos começa a ser de que todas as vacinas reduzem, em algum grau, a chance de um imunizado transmitir a covid-19. 

— O que tudo indica é que a redução da transmissão se dá na mesma proporção em relação à eficácia. Uma vacina mais eficaz para prevenir doença deve ser mais eficaz para prevenir transmissão. Uma vacina mais eficaz para prevenir a transmissão do vírus deve diminuir o número de pessoas necessárias para atingir a imunidade coletiva — afirma o médico Alexandre Zavascki, professor de Infectologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que não acredita na imunidade de rebanho ainda neste ano.

Especialistas em saúde defendem que a melhor vacina é a que está disponível e que não é possível comparar a porcentagem de eficácia entre os imunizantes porque os estudos foram conduzidos de maneira distinta (a definição sobre o que é doença grave, por exemplo, varia).

Ainda assim, a Pfizer costuma ser ativamente buscada pela população que não quer aguardar três meses para o reforço da AstraZeneca ou que teme a falta da segunda dose da CoronaVac, segundo trabalhadores da saúde. Neste cenário, ela pode contribuir para também convocar mais brasileiros aos postos de saúde.

— Houve uma polarização acerca da CoronaVac e da AstraZeneca, e isso atrapalha a adesão das pessoas. A desinformação corre muito em relação à CoronaVac. Se as pessoas tinham alguma dúvida sobre a CoronaVac, o estudo de Serrana mostra que ela é boa. Nossas vacinas têm boa resposta em relação às variantes. O que temos agora é a possibilidade de usar a Pfizer, uma vacina com grande eficácia que é um chamariz para pessoas com alguma dúvida — destaca o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Uso em jovens

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa pedido da Pfizer para a aplicação em adolescentes a partir de 12 anos, o que pode atingir uma parcela da população ainda não contemplada pela CoronaVac e pela AstraZeneca. Hoje, a Pfizer já é permitida para adolescentes a partir dos 16 anos. O uso em massa também favoreceria o retorno às aulas presenciais.

— A vacinação de adolescentes se torna importante porque, apesar de terem quadros menos graves, eles também ficam doentes. Depois de vacinarmos grupos prioritários e população acima dos 18 anos, precisaremos incluir adolescentes para atingir a imunidade coletiva. Sabemos que há pessoas contra a vacinação e outras que não tomam as duas doses entre adultos — acrescenta Cunha, da SBIm.

Para o infectologista Eduardo Sprinz, a chegada de mais doses contribuirá para que o Brasil possa se encaminhar para um cenário mais positivo ainda neste ano.

— Ter mais vacinas e esquema completo no tempo o mais rápido possível certamente ajuda a controlar a pandemia em nosso país. Talvez a gente esteja começando a terminar nosso grande pesadelo. A vacina da Pfizer se junta ao nosso armamentário como uma grande aliada na tentativa de que a pandemia termine — conclui Sprinz.

 
 
 
 
 
 
 
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