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Coluna da Maga12/07/2021 | 08h00Atualizada em 12/07/2021 | 08h00

Magali Moraes e a urgência das coisas

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e a urgência das coisas Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Desconfie se tudo parecer urgente. Tudo pra ontem, é o que pedem no trabalho. Será que precisa mesmo? Todas as mensagens do WhatsApp respondidas no instante em que entra a notificação, é o que esperam de nós. E se a gente quiser pensar um pouquinho antes de responder? Quando tudo é urgente, desaprendemos a conviver com a tranquilidade. Li em algum lugar que urgências e prioridades são coisas bem diferentes. 

Mas vai explicar isso pra quem só sabe enxergar a vida acelerada? Em meio a tanto corre-corre, muitos assuntos importantes vão ficando pra trás. Nossa saúde em segundo plano. Os amigos esquecidos em algum lugar da memória. Os planos pro futuro abandonados numa gaveta qualquer. Os momentos de lazer e descanso colocados lá no final da fila. A família? Ela que entenda e se contente com meia hora de convivência. Isso se o celular não tocar em pleno almoço. Urgência e ansiedade, a dobradinha dos infernos.

Dar conta

A solução não é desejar que o dia tenha mais de 24h pra dar conta de tudo. Sabemos que mais responsabilidades e compromissos serão jogados no nosso colo. Tudo urgente, claro. E assim seguimos com taquicardia, insônia, pânico e todas as formas de estresse. Se tudo é urgência, fica sempre a sensação desconfortável de estar devendo algo pra alguém. Pausa pra respirar fundo (aqui pode). Precisamos equilibrar correria com calmaria. Noite com dia. Inverno com verão. Tristeza com alegria. Quando uma segunda-feira inicia, eu peço baixinho que essa nova semana seja (enfim) mais calma. Não tem dado certo, por mais que eu queira. Tenho a impressão de que o mundo está girando numa rotação cada vez mais acelerada e caótica. Onde iremos parar? Urgência virou regra, não a exceção. 

Cabe a nós tentar aliviar do jeito que dá. Colocar alguma barreira (emocional que seja) que nos proteja da loucura dos outros. Dizer não com mais convicção. Brigar pela paz de espírito. Boa sorte pra nós.


 
 
 
 
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